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Nº 02 - (PATRONO) MANUEL DE ARRUDA CÂMARA

Manuel de Arruda Câmara nasceu no ano de 1752, na cidade de Pombal, sertão da Paraíba. Era filho do agricultor Francisco de Arruda Câmara e D. Maria Saraiva da Silva.

Fez os estudos preliminares  na cidade de Goiana, Estado de Pernambuco, e em 1783 ordenou-se padre no Seminário daquela cidade, adotando o nome de Frei Manuel do Coração de Jesus. Estudou na Universidade de Coimbra, em Portugal, e em Montpelier, na França. Era membro da Academia de Medicina de Montpelier e da Sociedade de Agricultura de Paris.

Dotado de espírito revolucionário e idealista, Arruda Câmara, identificado com o pensamento de Voltaire e Rousseau, encontrou em Paris um ambiente favorável ao desenvolvimento das suas idéias liberais, mais acesas, ainda, com o sucesso da Revolução Francesa.

Voltando ao Brasil, deparou-se com a injustiça social a que era submetido o nosso povo; ficando comovido e triste, apressou-se a trabalhar em favor dos mais pobres e humildes, maiores vítimas do regime patriarcal. Para concretizar os seus sonhos abolicionistas e liberais, fundou o Areópago de Itambé, sociedade maçônica que reunia a elite intelectual dos Estados de Pernambuco e Paraíba, tendo aí tramado a Revolução de 1817. Integravam esta sociedade o Padre João Ribeiro Pessoa Montenegro, o Capitão André Dias de Figueiredo, os padres Antônio Félix Velho Cardoso, José Ferreira Tinoco de Albuquerque e Francisco de Paula Cavalcanti.

Com as suas idéias avançadas e ideais de liberdade, lutando pela igualdade das classes, o padre Arruda Câmara foi, talvez, no Brasil, um dos precursores da ala progressista. Não viu, porém, realizado o seu ideal de liberdade e de igualdade social, bandeiras que ainda são levantadas pelos principais movimentos de libertação dos nossos dias.

Dedicou-se, o padre Arruda Câmara, aos estudos de botânica, estando ele incluído entre os principais naturalistas do século. Classificou a flora paraibana, produziu inúmeros trabalhos científicos sobre botânica, zoologia e mineralogia e deixou  uma importante bibliografia.

São de sua autoria: Centúria (nunca foi publicado); A Memória sobre a Cultura do Algodoeiro, 1817; Dissertação sobre as plantas do Brasil, 1817; Discurso sobre a vitalidade da instituição de jardins nas principais províncias do país, 1810; Aviso aos lavradores sobre a suposta fermentação de qualquer qualidade de grãos ou pevides para aumento de colheita, Lisboa, 1972; Memórias sobre as plantas que se podem fazer baunilha no Brasil, nas memórias da Academia Real das Ciências de Lisboa, 1810; Tratado de Agricultura; Trato de Lógica. Algumas produções de Arruda  Câmara podem ser encontradas na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.

Manuel de Arruda Câmara faleceu em Goiana, Pernambuco, no ano de 1810. O seu corpo foi sepultado na igreja do Carmo, na cidade do Recife. A Paraíba homenageou-o dando o seu nome a uma reserva florestal no centro de João Pessoa, capital do Estado – o Parque Arruda Câmara, a popular “Bica”.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CASTRO, Oscar de Oliveira. Arruda Câmara – Cadeira nº 02 (Discurso de posse, A União Editora, 1964.

___ Vultos da Paraíba, Imprensa Nacional, 1955.

ODILON, Marcus. Pequeno Dicionário de Fatos e Vultos da Paraíba, Cátedra, Rio de Janeiro, 19

 

Fonte IHGP

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