Manuel Arruda Câmara

MANUEL ARRUDA CÂMARA

Foi um religioso, médico e intelectual brasileiro. Notabilizou-se como um dos grandes botânicos do final do século XVIII.

Filho de Francisco Arruda Câmara e de Maria Saraiva da Silva, provinha de família de cristãos-novos, isto é, de judeus convertidos à força ao cristianismo, na Península e nas Américas espanhola e portuguesa, por perseguição da Santa Inquisição.

Em 23 de novembro de 1783 professou a regra dos Carmelitas Calçados no Convento de Goiana, em Pernambuco. Posteriormente Manuel Arruda Câmara e seu irmão, chamado Francisco, como o pai, viajaram à Europa, a fim de estudar. Formou-se em Filosofia Natural pela Universidade de Coimbra e, mais tarde, recebeu o grau de doutor em Medicina na Universidade de Montpellier, na França.

Retornou em 1793 a Pernambuco, estabelecendo-se em Goiana, incumbido pela Coroa portuguesa de realizar diversos levantamentos naturais na região Nordeste do Brasil:

§  entre março de 1794 e setembro de 1795, fez uma expedição mineralógica entre Pernambuco e Piauí, levantando a ocorrência de diversos minerais;

§  entre dezembro de 1797 e julho de 1799, viajou entre a Paraíba e o Ceará;

§  realizou viagens até ao rio São Francisco.

No conjunto dessas expedições científicas, realizou levantamentos mineralógicos, botânicos e zoológicos, por ele próprio sistematizados. Redigiu escritos sobre agricultura e uma Flora de Pernambuco (Centúrias dos novos gêneros e espécies das plantas pernambucanas), que contém desenhos feitos por ele mesmo e por João Ribeiro de Mello Montenegro.

Como maçom foi fundador do Areópago de Itambé, uma sociedade filosófica de caráter liberal, cujas idéias influenciaram a Conspiração dos Suassunas (1801).

Em sua homenagem, há, em João Pessoa, capital paraibana, um parque zoobotânico com seu nome, o Parque Arruda Câmara, popularmente conhecido como "Bica".