Fundador: Eduardo Martins da Silva (1918-1991)
Ocupação: Pesquisador, historiador e poeta
Eleito: 08/05/1971
Posse: 27/11/1971
Saudação: Afonso Pereira
EDUARDO MARTINS DA SILVA: Nasceu na cidade de Goiana, Estado de Pernambuco, no dia 13 de outubro de 1918, e faleceu na capital paraibana, João Pessoa, no dia 16 de janeiro de 1991. Era filho de Francisco Martins da Silva e de D. Jovita Monteiro Martins. Foi casado em primeiras núpcias com D. Arlinda Câmara Martins, união da qual nasceu a filha Vera Lúcia. Após enviuvar, contraiu segundas núpcias com D. Joselita Martins da Silva, com quem teve dois filhos: Eduardo e Joselita.
No ano de 1928, acompanhou seus pais na mudança para a capital da Paraíba, cidade que adotaria como sua terra afetiva e intelectual. Ali, realizou seus estudos primários sob a orientação da professora Emerentina Coelho, no Grupo Escolar Dom Pedro II, e concluiu o curso secundário nos tradicionais bancos escolares do Lyceu Paraibano. Iniciou sua trajetória profissional no comércio, dedicando-se por vários anos com paixão e zelo à venda de livros, atividade que refinou ainda mais seu gosto pelas letras e pela bibliofilia.
Pouco tempo depois, ingressou no serviço público por meio de sua reconhecida competência no jornalismo. Atuou como redator do jornal oficial A União e, durante a gestão governamental do Dr. Oswaldo Trigueiro de Albuquerque Melo, exerceu de forma brilhante a direção do Correio das Artes, prestigiado suplemento literário da referida imprensa oficial. Posteriormente, ingressou no funcionalismo público federal como quadro de carreira da Caixa Econômica Federal, instituição onde ocupou cargos de alta responsabilidade e liderança técnico-administrativa. Mesmo diante das exigências burocráticas e bancárias, jamais se afastou das atividades literárias, da crônica jornalística e da pesquisa histórica, campos nos quais era considerado um autêntico e exímio artífice.
Homem de hábitos discretos e dedicação intelectual obstinada, Eduardo Martins ofereceu à Paraíba uma imensurável contribuição historiográfica e documental por meio de suas pesquisas sérias e meticulosas. Era possuidor de uma invejável e monumental biblioteca particular em sua residência, espaço que abrigava um riquíssimo e raro acervo composto por milhares de livros, coleções completas de jornais antigos e documentos manuscritos inéditos de altíssimo valor histórico para a memória do Nordeste.
Como pesquisador, historiador, cronista e poeta de fina sensibilidade, deixou sua assinatura impressa em uma impressionante rede de periódicos e revistas culturais da Paraíba, de outros estados da federação e do exterior. Colaborou assiduamente com veículos como O Dia, A União, O Norte, Correio da Paraíba, as revistas Menina, Ilustração, Cultura, Aurora, Movimento, Classe, Estudos e Manaíra (em João Pessoa); O Estado e O Nordeste (em Fortaleza); Diário de Pernambuco e a revista Presença (no Recife); Gazeta de Notícias (no Rio de Janeiro); além das prestigiosas publicações internacionais Revista D’Aquém e D’Além Mar (em Lisboa) e o Diário dos Açores (na cidade de Ponta Delgada, Portugal).
Em justo reconhecimento ao seu notório saber humanístico, ao rigor de seu ensaísmo e ao valor imperecível de sua obra poética e historiográfica, foi eleito membro efetivo da Academia Paraibana de Letras (APL). Tomou posse solenemente em sua Cadeira no dia 27 de novembro de 1971, ocasião em que a Casa de Coriolano de Medeiros o acolheu por meio do memorável discurso de recepção proferido pelo ilustre professor e acadêmico Afonso Pereira da Silva. Na própria instituição, prestou inestimáveis serviços administrativos e intelectuais ao longo de sucessivas diretorias, exercendo por vários anos as relevantes funções de Secretário-Geral e de Diretor do Arquivo e da Biblioteca Oficial da entidade, zelando pela memória dos imortais paraibanos.