Fundador: Lauro Pires Xavier (1905-1991)
Ocupação: Professor
Eleito: 08/05/1971
Posse: 06/05/1972
Saudação: Osias Nacre Gomes
LAURO PIRES XAVIER: Nasceu no município de Areia, Estado da Paraíba, no dia 03 de novembro de 1905, e faleceu na capital paraibana, João Pessoa, no dia 27 de outubro de 1991. Era filho de Lindolfo Xavier Camelo e de D. Ana Pires Xavier. Foi casado com a senhora Maria Borges Xavier, união da qual nasceram dois filhos: Vera Maria e Lauro Xavier Filho.
Iniciou suas primeiras letras em sua terra natal sob a orientação pedagógica da renomada professora Júlia Verônica dos Santos Leal. Transferiu-se temporariamente para a capital do Estado, onde frequentou as salas de aula do Grupo Escolar Thomaz Mindello, retornando posteriormente a Areia para concluir os estudos primários e secundários. No ano de 1925, ingressou na Faculdade de Direito do Recife; contudo, percebendo sua verdadeira inclinação pelas ciências exatas e da natureza, desligou-se do curso e fixou residência em São Paulo, onde frequentou as aulas de Pré-Engenharia no prestigiado Instituto Mackenzie. Consolidou sua vocação científica ao diplomar-se em Agronomia pela Escola Superior de Agronomia e Medicina Veterinária do Ministério da Agricultura, sediada na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, oportunidade ímpar em que foi discípulo do eminente professor, cientista e zoólogo paraibano Cândido de Mello Leitão. Sua trajetória profissional teve início ainda jovem quando, em 1924, foi nomeado Observador Meteorológico de 3ª classe, sendo logo transferido para a Capital Federal.
Cientista de vanguarda e homem de profunda consciência telúrica, Lauro Pires Xavier converteu-se em um dos maiores nomes da história ambiental do Nordeste. Em justa definição cunhada pelo escritor Osias Gomes, ele soube atuar de forma plural: “Naturalista, botânico, ecologista, professor emérito, urbanista, técnico de planejamento, pioneiro de agricultura e criação, ele vem multiplicando sem fadiga nem esmorecimento em todas essas modalidades, a fim de que a coletividade possa tirar o máximo proveito do seu sólido conhecimento dos complexos problemas condicionantes da produção”. Destacou-se pioneiramente na defesa intransigente do meio ambiente e na preservação dos ecossistemas paraibanos; em João Pessoa, figurou como um dos grandes pilares e fundadores da Associação Paraibana de Amigos da Natureza (APAN), atuando com coragem e altivez cívica para barrar crimes ecológicos e evitar a destruição de reservas florestais urbanas por parte de interesses imobiliários e autoridades locais.
No magistério superior, construiu uma sólida e brilhante carreira na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), instituição onde exerceu a chefia do Departamento de Ecologia e regeu, com raro brilho, as cátedras de Biogeografia e Climatologia, Introdução à Cultura Brasileira, Botânica Aplicada à Farmácia e Química de Extensão à Geografia. Sua erudição garantiu-lhe trânsito nas mais respeitadas corporações científicas e culturais: integrou os quadros da Bromeliad Society (na Flórida, Estados Unidos) e figurou como sócio-fundador da Sociedade de História Natural da Paraíba, do Clube de Engenharia da Paraíba e da Sociedade de Agronomia da Paraíba. No campo das letras e da salvaguarda da memória, foi membro efetivo e Presidente do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP). Por sua incansável dedicação à pesquisa, foi outorgado com o Diploma de “Personalidade do Ano em Ciências”, conferido pelo Centro de Relações Públicas da Paraíba.
Deixou uma vasta, doutrinária e monumental bibliografia, colaborando assiduamente com mais de 300 artigos e ensaios publicados em periódicos e revistas especializadas de João Pessoa, Recife e São Paulo, versando sobre as complexidades da agricultura sertaneja, os equilíbrios ecológicos e os rumos da educação nacional.
Homem de hábitos profundamente modestos, sua neta Ângela capturou com rara sensibilidade a essência de seu perfil humanístico em um depoimento afetivo antes de sua partida: “Meu avô é um homem feliz porque é uma pessoa muito simples, sem nenhuma vaidade. As pessoas simples não são invejadas, por isso ele é feliz. Lembro-me da visita que ele recebeu do arquiteto Sérgio Bernardes. Não gosto de vê-lo sofrendo tanto”.
Em reconhecimento ao seu indiscutível mérito literário e à sua monumental folha de serviços prestados à ciência e à dignidade ambiental do estado, foi eleito membro efetivo da Academia Paraibana de Letras (APL). Ingressou solenemente no sodalício no dia 06 de maio de 1972, ocasião em que a Casa de Coriolano de Medeiros o acolheu por meio do memorável discurso de recepção proferido pelo ilustre acadêmico, jurista e seu conterrâneo Osias Gomes.