Academia Paraibana de Letras


Carlos Antônio Aranha de Macêdo nasceu em João Pessoa, em 18 de março de 1946. Filho de Sebastião Ferreira de Macedo e de Antonieta Aranha de Macedo, é casado com a professora universitária Cléa de Macedo, ambos, pais de Alessandra, hoje, nutricionista.

É um multiartista. Apesar de não ter concluído os cursos de Psicologia e Direito na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), sua formação veio ao longo da vida, através da vocação para as artes e da militância cultural, que o fizeram se tornar uma das maiores referências entre os intelectuais do estado.

Durante a Ditadura Militar no Brasil, viveu na clandestinidade por participar de movimentos estudantis de contestação ao regime autoritário. Presidiu a Associação Paraibana de Imprensa (API), onde coordenou o Movimento das Diretas Já, e foi editor de cultura dos jornais O Momento, O Norte, Correio da Paraíba e A União, onde editou o suplemento Caderno das Artes.

Nas artes cênicas, trabalhou como ator e diretor de teatro, e teve seu talento reconhecido ao ganhar os prêmios de Melhor Espetáculo, com a peça “Despertar do Medo”, escrita por Marcos Tavares, e de Melhor Direção, por “Diário de um Louco”, do autor russo Nikolai Gógol, na Semana de Teatro da Paraíba dos anos de 1967 e 1968, respectivamente. Como cineasta, dirigiu o curta-metragem de ficção chamado “Libertação”. No ano de 1968, fundou o Grupo de Teatro Bigorna, em parceria com Fernando Teixeira e Jurandir Moura.

Carlos Aranha assumiu uma posição de vanguarda na música paraibana, onde foi um dos fundadores da Tropicália. Lançou o disco “Sociedade dos Poetas Putos”, numa referência ao filme “Sociedade dos Poetas Mortos” de Peter Weir, e gravou as canções “Voltaire, Voltarei”, “Versos Íntimos”, uma adaptação do poema homônimo de Augusto dos Anjos, e “Barcelona, Borborema”, com base no livro de mesmo nome escrito por José Nêumanne Pinto. Todas as composições foram feitas em parceria com o cantor potiguar Gustavo Magno. Além disso, o artista teve duas produtoras musicais, a Safira e a Jaguaribe Produções, e até hoje guarda contratos e cartazes dos shows promovidos por ele.

O paraibano foi uma das personalidades mais marcantes e inovadoras dos movimentos culturais ocorridos no estado na década de 1960. Seja no teatro, no cinema, ou através de seus artigos publicados nos jornais locais, Aranha demonstrava seu ponto de vista crítico e revolucionário, e sempre defendeu seu estilo artístico. Foi um dos autores do manifesto “Inventário do Feudalismo Cultural Nordestino”, juntamente com Jomard Muniz de Britto, Marcus Vinícius de Andrade, Raul Córdula, Dailor Varela, Caetano Veloso e Gilberto Gil.

No ano de 1968, concorreu no II Festival Paraibano de MPB, cantando as músicas “Giramulher”, em parceria com seu irmão, o pianista Fernando Aranha, e a “Canção do Ter’, escrita por José Nêumanne Pinto. “Giramulher” foi executada junto com o grupo Os Quatro Loucos, dos integrantes Golinha Miranda, Floriano Miranda e Zé Ramalho, que trouxeram a inovação do som das guitarras elétricas para a apresentação. O espetáculo logo conquistou a platéia, que vaiou incessantemente ao ser anunciado o resultado final de que Carlos tinha ficado com o segundo lugar.

De volta ao festival no ano seguinte, sua performance foi a mais marcante do evento. Vestindo um bustiê roxo, uma calça de veludo verde, um colar de couro com o símbolo hippie e usando batom, o paraibano cantou “Ivone Pelo Telefone”. No entanto, a irreverente apresentação não foi bem recebida pelos jurados e o artista ficou na décima colocação.

Em 1970, ficou em quarto lugar no IV Festival Paraibano de MPB, onde cantou “Objeto de Utilidade Pública”. No ano seguinte, conquistou os prêmios de Melhor Letra, com a composição “Caminheiro”, feita em parceria com Gilvan de Brito, e Melhor Intérprete, com a canção “Por Qualquer Cem Mil Réis”, escrita juntamente com Cleodato Porto, no Festival Campinense da Canção.

No ano de 2009, tomou posse como Membro Imortal da Academia Paraibana de Letras, em uma solenidade ocorrida no Teatro Santa Roza, na cidade de João Pessoa. Na ocasião, o escritor José Nêumanne Pinto destacou o protagonismo do artista. “Além de ser da minha geração, ele é o intelectual que mais contribui para a cultura paraibana. Pelas mãos dele e de sua força passaram os maiores artistas da Paraíba. Ele está ocupando o lugar que lhe é devido”, afirmou. Carlos Aranha é também é integrante da Associação dos Críticos Cinematográficos da Paraíba e da Academia Paraibana de Cinema.

Apesar de ter escrito cerca de dez livros, entre poemas, ficção científica, crônicas, críticas e memórias, Carlos Aranha publicou apenas um deles, por considerar que os outros ainda não estão finalizados como deseja. Sua primeira obra editada foi “Nós – An Insight”, lançada em 2011. Feito em homenagem a Augusto dos Anjos, surgiu como um complemento ao que foi organizado pelo poeta paraibano, na tentativa de expressar o que ele diria se ainda estivesse vivo.

O “Nós” faz referência ao trabalho do poeta homenageado, enquanto o “An Insight” fala do processo de criação literária, sempre marcado por pensamentos fragmentados e lampejos de criatividade que vem ao longo da construção artística. Através da união entre uma linguagem clássica e moderna, Carlos Aranha leva os leitores para uma verdadeira viagem pelo século XXI, a partir dos anos 60. “Falo dos sobreviventes daquela época, sobre o que eles viveram e como vivem agora”, contou ele.

As poesias que compõem o livro são marcadas pelo tom crítico do autor, que jamais se mostrou contemplativo ou submisso diante da realidade. Com uma linguagem ousada, os textos de Carlos Aranha divagam sobre memórias dos tempos de repressão, a afetividade sexual, cânticos de amor à sua cidade natal e conversas com alguns amigos, como o escritor José Nêumanne Pinto e a compositora Cátia de França, entre outros temas. Nos últimos anos, trabalhou no jornal Correio da Paraíba, como membro do Conselho Editorial.

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