APL e Secretaria de Educação ampliam formação junto a escolas públicas

APL e Secretaria de Educação ampliam formação junto a escolas públicas Parceria promove oficinas para estudantes e formação continuada para professores da Rede Pública de Ensino. A Academia Paraibana de Letras (APL), em parceria com a Secretaria de Estado da Educação, vem desenvolvendo um intenso trabalho de formação junto a estudantes e professores da Rede Estadual de Ensino, com ações voltadas para a escrita, a leitura, a literatura, a história e o aprendizado da língua portuguesa. Realizado em diferentes escolas estaduais, o projeto contempla alunos do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, por meio de oficinas, aulas e atividades que aproximam os estudantes do universo da literatura e estimulam o domínio da língua portuguesa de maneira criativa e interdisciplinar. A iniciativa também alcança professores da rede pública, com palestras e cursos de formação realizados no auditório da Academia Paraibana de Letras. As ações integram o convênio “A Arte de Aprender: Uma Viagem pelo Universo da Literatura e da História Paraibana”, proposta interdisciplinar que reúne oficinas para estudantes e formação continuada para docentes, ministradas por acadêmicos e colaboradores da APL. O convênio vem sendo realizado anualmente e consolidou-se como uma importante ação de aproximação entre a Academia, a escola pública e a comunidade educacional paraibana. Em 2026, a programação está em plena atividade, reunindo cursos e oficinas em diferentes áreas. Entre as ações destinadas aos estudantes estão atividades de Gramática, História, Literatura e Racismo, além de propostas lúdicas envolvendo teatro e escrita dramatúrgica. Paralelamente, os professores participam de cursos de formação continuada com os temas “Semântica Literária”, “Poesia” e “Literatura e Inteligência Artificial”. A formação docente vem sendo desenvolvida pelos acadêmicos e professores Milton Marques Júnior, Hélder Moura e João Trindade, que abordam diferentes aspectos da linguagem, da literatura e de suas relações com o ensino contemporâneo. Nas cinco unidades escolares atualmente contempladas pelas oficinas para estudantes, participam a acadêmica Mercedes Cavalcanti, responsável pela oficina “Literatura e Racismo”, e os convidados Yohanan Mira de Queiroz, com a atividade “Gramática: Figuras de Linguagem no ENEM”, e Luiz Flávio Melo, que apresenta a aula-espetáculo “Da História à Construção Teatral”. “Ao levar para dentro das escolas a experiência e o conhecimento produzidos por seus acadêmicos e colaboradores, a APL fortalece sua missão de promover a língua, a literatura e a cultura paraibanas”, diz o escritor Severino Ramalho Leite, presidente da entidade. “É uma iniciativa que se constitui como compromisso das duas instituições com uma educação que ultrapassa os limites da sala de aula e utiliza a literatura, a história, a linguagem e as artes como instrumentos de conhecimento, criatividade e formação cidadã.”

As rosas no chão

As rosas no chão Causou-me tristeza. Na calçadinha do Dede, um buquê de rosas estava no chão. Como estivesse ainda embrulhado, e numa esquina, veio-me logo um pensamento sinistro. Seria catimbó, trabalho de amante que queria “amarrar” alguém? Era improvável; fosse catimbó e as rosas estariam acompanhadas de outros apetrechos: galinha preta, garrafa de cachaça, velas… Vieram-me, então, à cabeça, algumas outras hipóteses. Que amante desalmado teria desprezado tal gesto de carinho e colocado aquelas rosas ali? Sim, porque elas foram colocadas; não foram jogadas. A natureza humana… As rosas eram rubras, em número de cinco; rosas rubras indicam paixão e o número ideal – diz a boa etiqueta do envio de rosas – é ímpar, para que o par seja completado com a pessoa que recebe as rosas. Comecei a imaginar: Seria um amante mais velho que teria mandado para a amada, uma menina bem mais jovem? Ou uma mulher mais velha que estava apaixonada por um garotão bem mais novo? Quem sabe aquelas rosas tivessem sido mandadas por alguém cuja paixão não fora correspondida. Ou seria um casal que estava brigado; um deles teria mandado, e o outro, por pirraça, tivesse jogado no chão? Acontece que as rosas não estavam jogadas; foram colocadas, adrede, junto a uma árvore.  Uma coisa é certa: quem recebeu não estava apaixonado. Se estivesse, guardaria, com todo o carinho, aquela relíquia, num jarro; colocaria um pouco de água para que elas durassem mais. Tento esquecer as rosas e continuar a caminhada. Vou até uma casa próxima, para comprar o leite “in natura”, na casa de uma senhora muito simpática. Deu-me, porém, vontade de voltar e espiar, novamente, as rosas. Não me conformo: aquelas rosas falam (ou querem falar) alguma coisa. E não mais exalam o perfume que “roubaram” de alguém. Melhor esquecer. Volto para casa e sinto o aroma gostoso do café, feito, com muito carinho, pela minha esposa. Quando termino o café é que percebo: a toalha da mesa é decorada com rosas. E vermelhas. (Crônica do meu livro “O Estranho Professor de Violão” – Ideia, 2022 – publicada, originariamente, no Correio da Paraíba, em 1 de março de 2009). João Trindade.