Ao longo dos anos, quando ainda não tinha uma casa própria, a sede da Academia Paraibana de Letras ia sendo moldada pelos seus gestores que passavam. Em virtude de cada administração, foi ganhando contornos e materialização diferenciada. O funcionamento era nas dependências da própria Biblioteca Pública, onde esteve instalada nos primeiros meses de existência. Inicialmente, os acadêmicos enfrentaram alguns entraves financeiros. Passaram então a se reunir na residência do vice-presidente, que era o cônego Mathias Freire. Depois, na casa do acadêmico Álvaro de Carvalho. Em seguida, em uma dependência do Theatro Santa Roza, por iniciativa de Samuel Duarte, porém essa mudança não foi bem aceita pelos acadêmicos e eles voltaram a se reunir em residências particulares. Oscar de Castro, após assumir a presidência, procurou o prefeito da época, dr. Abelardo Jurema, confiando-lhe o desejo de tornar efetivo esse grande ideal de obter uma sede. Ali encontrou apoio: o prefeito, usando de suas atribuições do cargo, doou o prédio nº 179, situado na Rua Visconde de Pelotas. Era, no entanto, um espaço ainda insuficiente para as reuniões e a acomodação de um acervo que vinha crescendo.
Finalmente, surgiu um imóvel compatível às necessidades de então, quando foi adquirido um prédio em estilo barroco colonial, pertencente ao patrimônio da Ordem Terceira de São Francisco, velho casarão de número 25, situado à Rua Duque de Caxias. Nela se instalou a Casa da Memória, lugar mais que perfeito para abrigar a Sede da APL, imóvel do período colonial em construção em taipa real, com portas e janelas circundadas em pedra calcária. O piso era em tijoleira, o seu telhado em duas águas, uma parte para trás e outra para a frente do terreno, com eira e beira – detalhes presentes no beiral que mostrava o poderio econômico do proprietário do imóvel, características preservadas até hoje.
O Estado da Paraíba, na administração do então governador Tarcísio de Miranda Burity, forneceu recursos para aquisição do prédio contíguo, de n.º 37 que se deu por escritura pública, lavrada em 26 de novembro de 1981. Os dois imóveis passaram a formar uma só unidade imobiliária, e neles situa-se a Casa de Coriolano de Medeiros. Os edifícios conjugados passaram por diversas reformas e hoje abrigam em seu interior o Memorial Augusto dos Anjos. A casa, onde funciona até hoje a nossa APL, é um patrimônio que nos orgulha e que recebe a visitantes durante o ano inteiro para conhecer as suas instalações, principalmente turistas e estudantes de vários níveis de escolaridade.







