O homem verdadeiro é telúrico! O amor à terra natal é próprio dos grandes, porque amar a terra em que nasceu é o fundamento da lembrança dos pais, da própria origem e da formação da personalidade; ainda que o desenrolar do restante da vida e do desenvolvimento dela se dê noutro lugar.
Prova desse telurismo exemplar foi dado agora pelo mais recente membro da Academia Paraibana de Letras – eleito por unanimidade de votos – o renomado escritor, jornalista e editor Mário Hélio, que, embora milite, profissionalmente, em Pernambuco, sendo, inclusive membro da Academia Pernambucana de Letras, nunca esqueceu – e nem deixou – a Paraíba, uma vez que tem, também, domicílio em João Pessoa, e faz questão de divulgar nossos valores nas revistas Pernambuco e Continente, que edita; sendo que não é apenas editor: é superintendente de periódicos e projetos especiais.
Nascido em Sapé, “a terra de Augusto dos Anjos”, fez pedido veemente à Academia para que na posse dele, dia 31 de julho, a Instituição viabilizasse uma representação marcante da cidade onde nasceu.
Desse pedido enfático, surgiu, então, a ideia de se fazer um convênio entre a Academia Paraibana de Letras e a Prefeitura Municipal de Sapé, para trazer a Banda Marcial da cidade (na modalidade sinfônica) que executará, além do Hino Nacional, músicas do forró legítimo, com arranjos clássicos; sem perder, evidentemente, a característica do ritmo popular, como tão bem é feito, ultimamente, pelas bandas marciais.
Fui designado pelo vice-presidente Sales Gaudêncio (que recepcionará o recém-eleito na posse), evidentemente com a anuência do presidente Ramalho Leite, para representar, oficialmente, a Instituição, ao lado do membro da diretoria executiva José Nunes.
Toda essa logística foi intermediada pelo grande homem de mídia e renomado jornalista – com quem já tive a honra de atuar na Rádio CBN João Pessoa – Giovanni Meireles: homem de fino trato, comunicador por vocação, verdadeiro gentleman, que tem um dos blogs mais respeitados e acessados da Paraíba.
Após o almoço, visitamos as dependências da hoje inativa Usina Santa Helena, que foi outrora o engenho Pau D’arco onde nasceu o poeta do EU, tão cantado e decantado nos poemas dele e – claro! – visitamos o famoso tamarindo do poema, que, infelizmente, está na iminência de morrer.
Dá pena o estado da centenária árvore!
Em volta do tronco e corroendo as raízes, há formigueiros e outros insetos e enormes buracos, sinais da presença de animais silvestres.
Acharam pouco e ainda cometeram a insânia de, para tentar segurar a árvore, colocar cimento numa grande fenda que há no centro do próprio tronco.
Meu sentimento foi de revolta, indignação e surpresa.
João Trindade.