Festival Cultural Cultive

A Fundação Casa José Américo e o Club Internacional D’Art Littératures et Solidarité de Genéve – (Suiça) têm a honra de convidar Vossa Senhoria para participar do Festiva Cultural Cultive – FECC de João Pessoa, nesta terça-feria (28 de agosto).
Lançamento do livro “Desembargador Gonçalo de Aguiar Bôtto de Menezes – Memórias”

Convite para o lançamento do livro “Desembargador Gonçalo de Aguiar Bôtto de Menezes – Memórias”.
Curso de extensão

Curso de Extensão do cinema explícito aos disfarces da sexualidade a agonia Luxuriosa de Eros.
A San Martí, o libertador
O Consulado Argentino, em Recife, através de luxuosos papéis, tem como especial convidado o Governador Ricardo Coutinho, por ocasião do “168º aniversário do Libertador Dom José de San Martí”. Se todos nós desejamos a tão preciosa liberdade, quanto merecimento a um cidadão para ser chamado, por vários povos, de “o libertador”. A Paraíba, por sua vez, tem se tornado simpática aos olhos dos argentinos: montou estratégias econômicas, aproveitando as conquistas vitoriosas do Mercosul; intensificou o turismo daqueles “nuestros hermanos”, com a Gol, favorecendo voos diretos João Pessoa – Buenos Aires – João Pessoa; e, para coroar esse relacionamento exitoso, firmou convênio com o Cônsul Alejandro Funes Lastra para professores e estudantes do Gira Mundo, deste Estado, conhecerem, de perto, a estrutura, o sistema e o funcionamento da educação, no país que, juntamente com Cuba e Chile, deram exemplo de como universalizar a alfabetização a todos cidadãos e cidadãs. A América Latina, de colonização espanhola, é farta em ter líderes latinos que passaram além de suas fronteiras, na luta pela independência, contra a qual, os soldados espanhóis foram muito mais cruéis, trucidando “inconfidentes”, do que os portugueses a observarem nosso “grito de independência”, às margens do Ipiranga. Nesse cenário, o argentino San Martí foi além das fronteiras argentinas, também como protagonista da liberdade no Peru e no Chile, tornando sua pátria e esses vizinhos independentes do jugo colonizador. Na época, as lojas maçônicas eram ambiências desses idealistas libertários das colônias espanholas na América do Sul… Destaca-se também o revolucionário Simon Bolívar, companheiro de San Martí nessas lutas, a quem se deve a independência da Venezuela que, depois de tanto tempo, é ameaçada por forças alienígenas a ser, mais uma vez, invadida… A história se repete? Não, apenas a permanente cobiça sobre os países latinos, vítimas de golpe, atrai invasores das nossas riquezas e, sobretudo, do petróleo. Para isso, mídia, navios e aviões estrangeiros espiam nossos mares, matas e cultura, maquinando novamente matar o imortal San Martí. Damião Ramos Cavalcanti
Fátima, pintora sem pincel
Há anos atrás, enquanto esperávamos o voo, minha filha caçula, Esther, aos três anos de idade, foi atraída por um enorme aquário, em cujo vidro encostou seu pequeno nariz, mergulhando os olhos nas águas e algas, e quase em diálogo com os peixes, observou as bocas, as caudas e as nadadeiras, suas súbitas partidas e o seu parar sereno. Pegou o avião e, ao chegar em casa, trocou de roupa, e, sem aulas de natação, de repente, pulou na piscina e nadou. Concluí que a natureza é mestra: aprende-se a nadar com os peixes; e a voar, com os pássaros. Agora, a competente jornalista Fátima Farias voa nos céus das pinturas, organizando exposições na Fundação Casa de José Américo; apareceu mostrando-nos belas telas, dizendo serem obras suas. Diante de tão grata surpresa, com cuidados para não magoá-la, medi palavras para perguntar: – Como foi isso? Imaginei, teria sido como aconteceu com Esther, levando em consideração sua convivência com tal arte? Então, confessou que foi e não foi ela quem pintou. Apenas, diante de um tacho cheio de tintas, foi atraída pelas cores, mergulhou as mãos, e, sem escolha, foi espalhando o azul, o vermelho, o verde, o amarelo na tela, de olhos quase fechados, conforme misterioso impulso que recebia, num ritmo marcado pela vontade e pelo desejo. E quando abriu os olhos, maravilhou-se com o que tinha feito. Entusiasmada, prometeu expor esses “Mistérios, Surpresas e Revelações”. Curioso, recorri ao amigo genial artista Flávio Tavares que, prudentemente, explicou: “É possível” … E dissertou sobre famosos pintores, como Goa, Van Gogh e Jackson Pollock, que, parecendo “endiabrados”, pintavam assim numa estranha velocidade. Os esotéricos, evitando o termo “endiabrar”, justificam que tais criações são coisas dos espíritos que, em gunas, suscitam criatividade e iluminação. E sem pincel? Respondeu-me Flávio: “Sim, você faz uma crônica, mesmo quando a escreve, jamais pensa que está usando uma pena…” Daí, Fátima, uma pintora sem pincel. Damião Ramos Cavalcanti
Cineclube Verbo & Imagem apresenta: Os miseráveis

A Academia Paraibana de Letras apresenta o em sessão gratuita o cineclube Verbo e Imagem, que exibirá “Os miseráveis” com comentários de Carlos Aranha. Direção: Bille August 30 de agosto (última quinta-feira do mês) às 18 horas.
As Festas das Neves de outrora
A primeira “festa das neves” que vi, em minha vida, foi em Pilar. Sem rodas gigantes, com carrossel empurrado pelo dono e duas dezenas de cadeirinhas que giravam em torno de um jovem sanfoneiro. Preferia esse divertimento à canoa, que dava frio na barriga. A maior atração era as enormes pedras de gelo, trazidas da capital pela “sopa” de Itabaiana, enroladas em estopa e pó de serra, para, à noite, esfriarem bebidas e guaranás. Que privilégio tocar aquelas pedras! Como os índios, surpresos por tais esquisitas lajes que se derretiam… As bolas eram cheias por um misterioso sopro que as fazia, se soltas, voarem pelas nuvens adentro. A magia era feita com hidrogênio, feito pela mistura do ácido sulfúrico com o zinco dos vazios tubos de pasta dental, catados por nós em troca desses balões. A segunda quermesse, maior, foi em Itabaiana. Os balanços e os carrosséis tinham avançado. Também o “pavilhão”, onde leiloavam galetos, perus, bodes e carneiros. Enfileiravam-se barracas, roletas, tiro ao alvo, casinhas de coelho, pirâmides de latas derrubadas por bolas de meia e até o homem que virava macaco. Então comecei a entender a quermesse das conquistas amorosas, da troca de bilhetes, do piscar de olhos; também a de se arrumar dinheiro para a pintura e o sino rachado da igreja. Observei, na procissão, mulheres cobrindo as cabeças com mantilhas, e os homens descobrindo-as, com seus chapéus na mão. Somente em 1959, conheci, na General Osório e adjacências, da pompa à “bagaceira”, a verdadeira Festa das Neves. Cabiam nela as dos outros lugares. E quanto mais acontecia, mais crescia. Hoje, quanto mais acontece, menos cresce. As crianças de hoje não saberão contar a Festa das Neves do seu tempo. Lá não serão levadas. Preferirão coisas estranhas à infância de outrora ou à meninice e ao dia da sua cidade. Damião Ramos Cavalcanti
Políticos mentem ou não são sinceros?
Na “Aula Espetáculo”, em 10 de janeiro de 2013, promovida pela Academia Paraibana de Letras e a Procuradoria Geral do Estado, ocasião em que Ariano Suassuna recebeu a Medalha José Américo de Almeida, da PGE, dentre os espontâneos pronunciamentos desse imortal da APL, Ariano confessou: “Eu gosto de mentir. Quem não gosta?” A resposta da plateia, tomada de surpresa, foi uma estrondosa gargalhada. Esclareceu ainda Ariano que, ao contrário do que se diz por aí, também preferiria “falar pelas costas” a “dizer na cara”, tão somente para se afirmar como “corajoso e sincero”: “Comigo é assim, agradando ou não agradando”. Ariano questiona: “Por que desagradar? Melhor é evitar aborrecimento, briga e inimizade, “falando mal pelas costas e pedindo segredo”. Tudo isso faz lembrar, crônicas anteriores, definindo que a mentira não é “não dizer a verdade”, mas, apenas não ser sincero. Aliás, pode-se dizer uma sentença informativa que não é verdadeira, porque ela não corresponde a um fato da realidade. Por exemplo, o leitor tendo informado que viajaria a Pilar, mas não viajou. Então, quem informar positivamente sobre a dita e não realizada viagem estará sendo sincero, não mentindo, contudo afirmando uma coisa não verdadeira. O que significa que mentir é não ser sincero ou não usar de sinceridade. Nesse contexto lógico, Francisco Pereira da Nóbrega, no começo de uma das edições de “Vingança, Não!”, faz um paralelismo entre a virgem e o político. Escreveu ele que “quando a virgem afirma não, significa talvez; quando talvez, vale como se dissesse “sim”; e se diz “sim”, não é mais virgem… Por sua vez, se o político afirma “sim”, entenda-se “talvez”; quando promete “talvez”, será “não”; e se disser “não”, com certeza, não é político. Nas proximidades de eventuais campanhas eleitorais, essa lógica ajuda a discernir quem mente ao povo. Todos os políticos mentem ou não são sinceros? Os dois. Mas, sem generalização: alguns conseguem alcançar a sinceridade, a exemplo do Padre Ibiapina que não mentiu e foi santo e deputado… Damião Ramos Cavalcanti
Cineclube Verbo & Imagem apresenta: Frida

A Academia Paraibana de Letras apresenta o em sessão gratuita o cineclube Verbo e Imagem, que exibirá “Frida” com comentários de Wills Leal. Direção: Julie Taymor 26 de julho (última quinta-feira do mês) às 18 horas.
O amor e a tampa da cuscuzeira
São conjuntivos que não se casam, por isso, difícil é compreender a relação entre o amor e a tampa da cuscuzeira ou do cuscuzeiro. Quanto ao amor, tudo começou quando eles se viram pela primeira vez. Olhares fatais, fulminantes, convidativos à paixão. Quanto à beleza, ele, em menores proporções; mas ela se mostrou, como dizem os italianos, “una dona che fa girare la testa” ou uma mulher que faz girar a cabeça… Ela, dondoca, acordava, espreguiçando-se, quando o mundo já estava trabalhando. Mas, tudo dentro das afinidades biológicas, psicológicas, sociais e espirituais, teorizadas como imprescindíveis à amizade e à boa convivência dos dois. E assim, o tempo corria. Ele, jovem profissional, acordava cedo para dar duro no batente, assim forçado a aprender a fazer o próprio café da manhã: cuscuz com ovos, fritos com uma colher de sopa de azeite, uma de sobremesa de manteiga e uma pitada de sal. Lavava rapidamente a louça suja e a frigideira. No entanto, era sem jeito para arrumá-las, nunca acertou onde guardá-las separadamente, como lhe exigia a mulher: “Cada coisa em seu lugar, caso contrário, melhor é não cozinhar”. Não sabia-se por qual mistério, a tampa da cuscuzeira variava de lugar e, a maioria das vezes, não era encontrada, motivando gritos da amada que, alegava ele fazer questão de irritá-la, antes de ela fazer o seu cuscuz na hora do jantar. Com tal implicância, pensou ele em parar de fazer cuscuz, mas somente isso tinha aprendido e como ir ao trabalho sem o desjejum? Era o que conseguia, já era costume, inclusive, o de não saber arrumar as coisas, sobretudo, a bendita tampa que sempre ficava fora do lugar. Certo dia, isso, juntado a outros azedumes e dissabores, fez surgir, além da gritaria, raivosa briga, cheia de ofensas e mútuas acusações. Logo à noite, quando ele voltava de um problemático dia de trabalho. Então, de repente, ele arrumou seus troços e voltou para a casa da mãe que, pacientemente, lava a louça, a cuscuzeira, a tampa e as guarda em seu devido lugar. Mãe é assim, sabe onde guardar filhos, filhas e coisas: tampas e caçarolas. Damião Ramos Cavalcanti