Patos, Sertão da Parahyba, 11 de abril de 1933. Aos 64 anos de idade, falece, vítima de febre tifóide, Fenelon Fernandes Bonavides, funcionário do Telégrafo Nacional e encarregado da estação local. A esposa, Sra. Hermínia Fernandes Bonavides, também telegrafista, ficou com a responsabilidade de criar os seis filhos: Abrantina, Aloysio, Annibal, Dirce, Dulce e Paulo, este o mais novo, com apenas oito anos.
Na época, governava a cidade de Patos o prefeito Adelgício Olintho de Mello e Silva, desde março de 1931. A Revolução de 30 promovera uma reorganização nas oligarquias da Parahyba. A deusa fortuna havia mudado seus planos: os Sátyro – aliados do epitacismo e senhores do mando político da cidade durante toda a Primeira República, sob a liderança do Major Miguel Sátyro -, passaram a ser oposição.
Casado com uma filha do Major Miguel Sátyro, Sebastião Fernandes, fazendeiro de médio porte e também funcionário dos Correios, passou a ser alvo do prefeito. Este, num gesto pequeno, de pura perseguição política, interferiu junto ao Ministro da Viação (José Américo) para que o telegrafista fosse removido para Fortaleza, capital do Ceará:
Registre-se que Paulo Bonavides não guardou mágoa do episódio, prestando, inclusive, louvores à pessoa de José Américo de Almeida em um artigo que está reproduzido em Constituinte e Constituição.
A irmã de Sebastião, Hermínia, que também trabalhava nos Correios, resolveu acompanhar o irmão. Viúva, se sentia mais protegida à sombra de Sebastião, uma forma de atender às exigências de uma sociedade patriarcal e tradicionalíssima, algo comum naqueles tempos. Eis a causa de Paulo Bonavides ter vivido em sua terra natal só até os nove anos de idade e depois ter se tornado mais cearense que paraibano.
Em 09 de setembro de 1935, os Sátyro reassumem o poder local. Clóvis, irmão de Ernani Sátyro (deputado estadual constituinte, eleito em 1934), elegeu-se prefeito de Patos, no primeiro pleito municipal presidido pela Justiça Eleitoral. A nova conjuntura política favorável permitiu Sebastião retornar à terra natal. Porém, Hermínia decidiu permanecer em Fortaleza. Sete décadas depois, em entrevista, Paulo Bonavides relembrou o fato:
A raiz da minha transferência e de minha família foi a perda de meu pai em 1933. E também a vinda de um tio meu, irmão de minha mãe – ela também ligada ao telégrafo, como meu pai, que chefia a agência de Patos. Era cunhado de um político na Paraíba, que na época era deputado estadual, o advogado Ernani Sátiro. O prefeito, inimigo pessoal de meu tio, para persegui-lo, conseguiu a transferência dele – na época o órgão era subordinado ao Ministério da Viação. A transferência se deu, passou aqui 3 ou 4 meses e voltou a Patos, reconduzido, porque a situação política se modificou. Minha mãe resolveu ficar em Fortaleza. Meu pai, antes de morrer, já tinha a ideia de se transferir para Fortaleza porque ele queria cursar Direito no Ceará. Então quando meu tio foi transferido, minha mãe pediu para acompanhá-lo. O ministro da Viação, José Américo Almeida, atendeu ao pedido e ela veio. Quando a situação se normaliza no governo da Paraíba minha mãe não quis mais voltar.
No Ceará, a única fonte de renda dos Bonavides vinha dos Correios, onde Hermínia trabalhava, mas a remuneração mal dava para criar os filhos. No início, a família enfrentou muitas dificuldades.
Em janeiro de 1938, ainda adolescente, com apenas 13 anos de idade e cursando o quarto ano no Liceu Cearense, Paulo Bonavides leu um anúncio na primeira página de “O POVO”, o jornal mais antigo do Estado do Ceará, fundado em 07 de janeiro de 1928. Bonavides apresentou-se a outro Paulo, de sobrenome Sarasarte, fundador e redator-chefe do periódico. Meio temperamental, Paulo Sarasarte negou peremptoriamente a vaga ao calouro: – Menino, vá para casa! isso aqui não é jardim de infância, não! Demócrito Rocha Dummar, genro de Sarasarte e também fundador do noticioso, interviu: – Paulo… deixa o menino fazer a prova…
Resultado: o jovem candidato passou em primeiro lugar e virou repórter!
Paulo Bonavides estreou nas páginas policiais, municiando o secretário do jornal, José Maria Othon Sidou, com matérias do ramo. Sua rotina incluía a cobertura de suicídios, atropelamentos, visitas às delegacias e ao Instituto Médico Legal.
Nos anos 40, na mesma gazeta, o filho mais novo de D. Hermínia passou a atuar como cronista esportivo e um de seus irmãos, Aníbal Fernandes Bonavides, também trabalhava na área, só que no Correio do Ceará, pertencente aos Diários Associados e, tempo depois, tornou-se redator do DIÁRIO DE PERNAMBUCO. Outro irmão de Paulo, Aloísio Fernandes Bonavides, foi redator de “O POVO” (Fortaleza) e correspondente do jornal O GLOBO, no Ceará.
Em 1941, os irmãos Paulo e Aníbal estiveram no Rio de Janeiro, se hospedaram na sede do Corpo de Bombeiros e chegaram a visitar a redação do DIÁRIO CARIOCA. Na ocasião, Paulo representou a Associação dos Cronistas Esportivos do Ceará. O Diário de Pernambuco registrou o fato.
A relação de Paulo Bonavides com o jornal A UNIÃO começou em outubro de 1941, quando ele esteve no Sertão paraibano preparando uma reportagem sobre a exploração de minério. Na matéria, intitulada “OURO NA PARAÍBA. UM SONHO DE DOIS SÉCULOS QUE SE TRANSFORMARAM EM REALIDADE. A CARTA DE D. MARIA, RAINHA DE PORTUGAL, E A ODISSEIA DE UM GEÓLOGO ARINO. A MINA DE TEIXEIRA E OS SEUS MISTÉRIOS. 2.500 HOMENS NO SERVIÇO DE MINERAÇÃO”, o jornalista de O POVO analisou os efeitos deletérios da cruel seca de 32. Segundo a sua ótica, o fenômeno climático favorecia a exploração da mineração pelos sofridos sertanejos, principalmente os de Patos, Piancó, Pombal e Princesa que, em busca da sobrevivência, se entregavam à febre do ouro. Antes do texto principal, A UNIÃO registrou a faceta jornalística do eminente filho de Patos que, até hoje, permanece desconhecida pela maioria dos paraibanos e juristas em geral:
O autor desta reportagem, escrita para ‘O POVO”, de Fortaleza, é o jovem Paulo Bonavides, sertanejo, filho do município de Patos, que há alguns anos reside em Fortaleza. O trabalho em apreço resultou de uma recente excursão que Paulo Bonavides realizou pelos nossos sertões a serviço daquele jornal.
No mesmo ano, o repórter de O POVO quase entrevistou Orson Wells, que esteve no Ceará para filmar a saga dos jangadeiros do Mucuripe a ser contada no documentário “It’s All True”, que não foi até o fim. Não conseguiu furar o cerco do Correio do Ceará, sob o comando dos Diários Associados de Assis Chateaubriand.
Em junho de 1944, já repórter a serviço da Press Parga, uma das agências de notícias da época, Paulo Bonavides passou a atuar como correspondente do jornal oficial paraibano. A UNIÃO publicou uma entrevista que ele fez com o intelectual Aydano de Couto Ferraz, sobre o tema mais comentado naquela década: o fascismo.
No mês seguinte, em artigo denominado “A Descentralização do pensamento brasileiro”, Paulo Bonavides prestou uma homenagem ao amigo e benfeitor Demócrito Rocha, jornalista baiano que atuou quatro décadas no Ceará e que falecera em novembro do ano anterior. No texto, Paulo usou o fundador de “O POVO” como exemplo de verdadeiro intelectual, embora não tenha alcançado fama nacional. E, criticando a falta de oportunidades para os intelectuais nortistas, dada a concentração dos debates nacionais no Rio de Janeiro, considerada por ele, à época, “a metrópole do pensamento brasileiro”, indagou:
Pergunto: há dez anos havia no Brasil revistas ou jornais que abrissem suas colunas para inserir a colaboração dos jovens distantes, a correspondência da mocidade interessada em debater os problemas sociais da época, o trabalho honesto de rapazes ‘não identificados com grupinhos e academias literárias e por isso mesmo com o horizonte visual mais limpo e mais aberto para conclusões sinceras e imparciais?
No final da crônica, Bonavides defendeu a construção de um parque industrial do Nordeste em idênticas condições do Rio de Janeiro, como forma de emancipação de libertação dos intelectuais nordestinos.
Em agosto do mesmo ano, Paulo Bonavides teve mais dois artigos publicados em A UNIÃO: no primeiro, comentou uma conferência do jornalista Emil Farhat realizada no auditório do núcleo cearense da Liga da Defesa Nacional.No segundo, elogiou a literatura de guerra francesa da época, a qual julgava ser “uma literatura de luta, de idealismo e de coragem, uma literatura que reflete a angústia e a miséria dos nossos dias e as esperanças de uma geração que deseja ardentemente sobreviver.”
Em setembro do mesmo ano, fez uma reportagem sobre o jurista cearense Clóvis Beviláqua, falecido dois meses antes. Em certa passagem do texto, registrou:
No dia em que os jornais estamparam a notícia do desaparecimento de Clóvis Beviláqua – dia de luto e de tristeza para o Brasil, que perdia um de seus maiores filhos – foi Lauro Rodrigues a primeira pessoa que encontrei na rua, ao sair da redação. Enquanto caminhávamos o colega não cessava de lamentar aquela tragédia, a imensa falta que Beviláqua iria fazer ao Brasil.
Três anos depois, a serviço da Associated Press, a mais antiga e influente agência de notícias da época, Paulo Bonavides experimentava o auge no jornalismo ao ser convidado pelo Governo Norte-Americano para fazer um curso de periodismo na cidade de Cambridge, Estado de Massachusetts, numa das mais tradicionais e importantes universidades do mundo, a Harvard University. A NOTÍCIA, jornal de Santa Catarina, registrou o fato com uma “barrigada”, atribuindo a façanha ao irmão mais velho, embora fizesse constar a foto do irmão, Paulo. Eis a nota:
Annibal Fernandes, destacada figura do jornalismo brasileiro e redator de ‘O POVO’, órgão da imprensa cearense, acaba de ser distinguido com uma bolsa de estudos de jornalismo nos Estados Unidos da América do Norte.
Paulo Bonavides precisou interromper o curso jurídico iniciado no ano anterior, mas continuou correspondente de O POVO e de A UNIÃO enquanto esteve nos EUA. As matérias vinham sempre com a assinatura do autor, depois do título, como a exemplificada abaixo:
“Os Estados Unidos de 1945
Por Paulo Bonavides
(Redator do “O Povo” de Fortaleza, estudando atualmente na Universidade de Harvard, a convite do governo americano).”
Dentre as matérias enviadas ao jornal paraibano consta uma entrevista com o Maestro Villa Lobos, em que afirmou: “O maestro chegou em Boston precedido de um cartaz que ele talvez não tenha tido no Brasil, mesmo em seus maiores momentos de glória…”
Deslumbrado com o ambiente que o circundava, Paulo Bonavides admitiu a dificuldade em descrevê-lo e a responsabilidade de ser estudante naquela civilização tão distinta da sua. Registrou ele:
Em quatro meses de vida ao contato desse patrimônio caríssimo da cultura americana, me confesso mais distante e incapaz de interpretá-lo do que me sentiria nos primeiros dias em que, com lentes de moço estrangeiro, vi surpreso, pela primeira vez, a massa rubra dos edifícios que formam o suntuoso conjunto da universidade de Harvard. Os prédios rústicos e seculares, as torres esguias também guardam muito dessa força da qual a velhice imprime respeito. Em tudo o passado defronta o presente, com o seu exemplo e sua severidade. Os próprios quadros de homens célebres, varões ilustres na história dos Estados Unidos e que têm os seus nomes inscritos nas paredes da Universidade, são qual um terrível e torturante desafio a tímidos jovens que ali vêm estudar, sem vocação algumas ou sem os caminhos do destino traçados.”
O repórter de “O POVO” pediu um artigo ao vice-presidente dos EUA, Henry A. Wallace. Em resposta, recebeu uma carta.”
Em 1945, a mudança na direção do jornal A UNIÃO (saiu Severino Alves Aires e entrou João Lelis de Luna Freire, o consagrado autor de “A Guerra de Princesa”) não alterou a rotina do jornal, que continuou publicando as crônicas do estudante patoense de jornalismo em Harvard. Bonavides parabenizou o novo diretor do periódico, que publicou a correspondência.
No período de estudos, Paulo Bonavides escreveu cerca de 70 artigos, a maioria relacionados à sua passagem pelos EUA. A UNIÃO publicou a metade deles, dois constaram no livro “O Tempo e Os Homens”, livro de sua autoria, editado pela Fundação Ernani Sátyro, de Patos: o primeiro, sobre Upton Sinclair – escritor norte-americano de viés socialista e autor de bestsellers como “A Selva” – em que aborda a contribuição do escritor à causa da democracia; um segundo, uma entrevista com Pierre Van Passen – escritor de origem holandesa e sionista.
Numa das crônicas mais relevantes dessa fase estudantil, Paulo Bonavides descreveu a mais famosa Faculdade de Direito dos EUA, a de Harvard, onde lecionavam os maiores mestres da cultura jurídica norte-americana que ajudaram a formar várias gerações de grandes advogados, diplomatas, estadistas e jurisconsultos e que tinha um acervo de 600.000 volumes, espalhados por várias estantes. No escrito, o jovem estudante brasileiro expressou seu espanto e admiração com a organização da biblioteca, que, segundo ele, contava com “tesouros das leis e da literatura jurídica de várias repúblicas latino-americanas, que não existem nessas próprias repúblicas e que jamais poderiam ser repostos, por já se encontrarem esgotados e fora de circulação.”
Nesse curto período em Harvard, Paulo Bonavides conviveu com professores notáveis e admiráveis, a exemplo do sociólogo russo Sorokin e do jurista norte-americano Roscoe Pound. Em fevereiro de 1945, ao registrar em artigo sua impressão sobre a Constituição dos EUA, antecipava o cientista político que, no futuro, se consagraria como um dos grandes pensadores do Direito Constitucional.
Nas matérias e/ou reportagens escritas nos EUA, Paulo Bonavides tratou de diversos assuntos: jurídicos, políticos, sociológicos, jornalísticos, amenidades, pessoas, coisas e lugares que visitou.
Um mês antes de encerrar o curso de jornalismo em Harvard, o jornal A UNIÃO publicou uma crônica de Paulo Bonavides (escrita em março). No texto, ele manifestou orgulho em ser jornalista e exaltou a atenção dedicada pela imprensa norte-americana ao Brasil.
Paulo Bonavides foi diplomado no dia 04 de junho de 1945, junto com o chileno Antônio Andrade, do El Mercurio, um jornal da cidade de Valparaiso (Chile). A solenidade ocorreu na “Duneter House”, sob a presidência do Dr. Clarence Henry Haring, professor catedrático de Harvard e diretor do Departamento Latino-Americano da Universidade. Os dois jornalistas integraram a turma de 1944/1945, da denominada “Nieman Fellows”, uma fundação internacionalmente famosa por reunir a nata do periodismo norte-americano e por premiar jornalistas de todo o mundo com bolsas de estudos em Harvard, desde 1939. Em trezentos anos de existência, era a primeira vez que a tradicional universidade de Harvard conferia diplomas a representantes da imprensa latino-americana. Paulo Bonavides e o seu colega chileno foram os pioneiros.
Em 1947, Bonavides registrou essa rica experiência em livro intitulado “UNIVERSIDADES DA AMÉRICA”, um valioso estudo sobre a vida cultural dos EUA, no qual traçou um perfil exato e vivo da realidade por ele vivenciada. Publicado pela editora CRUZEIRO, virou raridade, valorizada ainda mais pelo prefácio do sociólogo pernambucano Gilberto Freire, que considerou o livro encantador:
É um livro valioso pelas informações que reúne e atraente pela simplicidade e pela nitidez de sua forma de apresentar os fatos.
O jovem jornalista não quis guardar para si o bem que lhe fez a política de ‘boa vizinhança’ do velho Rooservelt, levando-o um belo dia dos coqueiros de Fortaleza aos olmos de Cambridge. Resolveu dividir com os outros suas experiências: divulgar os resultados de sua aventura de compreensão.
Da primeira à última página, seu livro é um livro útil e animado pelo melhor e mais fraternal dos interamericanismos. (…)
Ora, Paulo Bonavides é uma espécie de discípulo cearense do Professor William Berrien. Falta-lhe adquirir do mestre um pouco mais de humour. Mas já o segue na simplicidade franciscana com que se aproxima de assuntos, procurando compreendê-los. E com a mesma simplicidade, procura transmitir aos seus conterrâneos, os resultados das suas observações. Daí o encanto do seu livro sobre Universidades dos Estados Unidos e do Canadá.
Em 1949, o livro rendeu a Paulo Bonavides o prêmio Carlos de Laet, da Academia Brasileira de Letras.
Dois anos depois de chegar dos EUA já diplomado por Harvard, Paulo era o redator e correspondente da Associated Press, responsável pela cobertura dos resultados da observação científica do eclipse solar em Minas Gerais.
Em 1954, já professor catedrático de Sociologia Educacional do Instituto de Educação do Ceará, o jornalismo lhe proporcionou outra grande oportunidade: um curso na Universidade de Heidelberg, na Alemanha, que, por coincidência, estava criando um centro de altos estudos luso-brasileiros.
Durante o ano que esteve na Alemanha, Paulo Bonavides ministrou Romanisches Seminar, um curso de literatura brasileira, a convite do professor Herry Meier, Diretor do Departamento de Filologia Romântica daquela Universidade, considerado, à época, um dos maiores estudiosos alemães das coisas do Brasil.Paulo registrou sua passagem pela Alemanha em “A ALEMANHA DEPOIS DE HITLER – Ressurreição Física e Moral do Povo Alemão”, artigo publicado em um dos jornais da época.
No jornalismo, Bonavides não se limitou à redação. Homem de ação, foi também um defensor da liberdade de imprensa. Em novembro de 1945, assinou com um grupo de jornalistas um protesto, em forma de telegrama, enviado à Presidência da República, contra o empastelamento de “A TRIBUNA POPULAR”, ocorrido a 25 de maio de 1945, antes do fim do Estado Novo.
Seis anos depois, sua militância em defesa do jornalismo livre fez com que ele criasse, em 09 de abril de 1951, a Associação Profissional dos Jornalistas do Estado do Ceará, depois transformada em Sindicato/SINDJORCE (26 de maio de 1953), do qual ele foi o seu primeiro presidente.
Em setembro de 1954, Paulo Bonavides participou do Primeiro Congresso Mundial de Entidades de Imprensa e na ocasião defendeu a tese sobre Escola de Jornalismo, na qual defendeu a necessidade de criação desses cursos em todas as Universidades.
Em setembro de 1956, na condição de presidente do Sindicato dos Jornalistas, condenou com veemência a anunciada reforma da Lei de Imprensa, manifestando-se corajosamente em favor da liberdade de expressão:
Nunca Governo nenhum sustentou-se encarcerando jornalistas e apreendendo edições de jornais. O princípio essencial que nos norteia é o de que só a palavra livre esclarece e guia os governantes no caminho certo.
Apesar de todo esse histórico no jornalismo, o destino profissional de Paulo Bonavides já havia sido definitivamente selado em 1948. Naquele ano, findos os estudos do curso de Direito na Faculdade Nacional, no Rio de Janeiro, cujas aulas frequentava ao mesmo tempo em que exercia o jornalismo, o filho de Patos teve que escolher uma das três alternativas que se lhe apresentavam: voltar para o Ceará; permanecer no Rio de Janeiro, onde poderia exercer a advocacia; ou, ainda, ir para Nova York, coordenar o birô latino-americano de jornalismo da Associated Press, opção que se mostrava mais atrativa financeiramente. Nesse momento crucial de sua vida, pesou a opinião da mãe, conforme ele mesmo relata:
“Minha mãe, de idade avançada, fez um apelo para que voltasse ao Ceará, era um dos caminhos. O segundo caminho era ficar no Rio, onde tinha relações de amizade com dois excelentes amigos, que era o doutor Vitor do Espírito Santo, grande jornalista, que dirigia com Amorim Parga, a chamada Press Parga, e tinha junto um escritório de advocacia trabalhista. E um outro companheiro dele, era o doutor Bonfim Calheiros. E os dois abriam o escritório se eu decidisse ficar no Rio. A terceira alternativa era a Associeted Press que acenava com o birô-latino americano. Eu já tinha um nome conhecido em jornais latino-americanos. A proposta deles era ir para Nova York, e me entregariam essa coordenação. Era a melhor das propostas financeiras. Mas tomei a decisão que reputo afetiva, em função dos laços maternos. E todos lá no Rio diziam que era um grande retrocesso, você é um louco…
Graças à “loucura” e à opção sentimental tomada por Paulo Bonavides, o Brasil e o mundo ganharam um de seus melhores cientistas políticos e constitucionalistas de todos os tempos. Não obstante, antes de ganhar notoriedade como um dos mais influentes constitucionalistas brasileiros do século XX, lembramos que Paulo Bonavides foi um grande jornalista.
Salve o patoense Paulo Bonavides no centenário de seu nascimento!
Referências
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_A busca de uma nova Democracia: Paulo Bonavides. Entrevista ao jornal O POVO (CE), em 26 de abril de 2005. Disponível em <https://acmp-ce.org.br/> Visitado em 10 Set 2025.
COSTA, José Raimundo de Albuquerque. O Povo de NOVO. Memória de um jornal. Fortaleza: Fundação Demócrito da Rocha, 1988.
FREIRE, Gilberto. Um livro sobre universidades. DIÁRIO DE PERNAMBUCO, ed. de 08.11.1946, p. 4.
KLEIN, Antônio Carlos. Paulo BONAVIDES. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2003.
MONTEIRO, Mozart. O CEARÁ INTELECTUAL. O JORNAL (RJ), ed. de 18.07.1954, p. 1, 2ª seção.
Jornais
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DIÁRIO DE NOTÍCIAS, edições de 26.06.1946, p. 4, Segunda Seção; de 08.06.1947, Segunda Seção, p. 3; de 29.04.1947, Primeira Seção, p. 8 e de18.04.1944, Segunda Seção, p. 8.
DIÁRIO DE PERNAMBUCO, edições de 21.04.1933, p. 4; de 08.11.1946, p. 4; de 13.11.1941, p. 8 e de 09.09.1953, p. 1.
_Ressurreição Física e Moral do Povo Alemão. Diário de Pernambuco. Ed. de 13.09.1953, p. 1.
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Revistas
Carioca (RJ), edição de 598, Ano II, p. 9.
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Documentário: Paulo Bonavides – o homem, o jurista”. TV Assembleia Legislativa do Ceará. Disponível no youtube. Visitado em 11 Set 2025.