Eleição para escolha de novo membro da APL será nesta sexta-feira

Eleição para escolha de novo membro da APL será nesta sexta-feira A Academia Paraibana de Letras (APL) realiza nesta sexta-feira (17), em sua sede, a eleição para escolha do novo Membro Efetivo da instituição, que ocupará a cadeira nº 03, anteriormente ocupada pelo acadêmico Eilzo Nogueira Matos, falecido em 30 de março deste ano. Disputam a vaga três nomes de reconhecida atuação na produção literária paraibana: o professor João Batista de Brito, cronista e crítico de cinema e literatura; o diplomata e escritor Palmari Lucena; e o escritor e jornalista Efigênio Moura. A votação terá início às 8h30 e seguirá até o meio-dia, quando a urna será aberta para a apuração dos votos, tradicionalmente realizada na presença dos candidatos, conforme ocorre nas eleições promovidas pela Academia. De acordo com o regimento da APL, será considerado eleito o candidato que obtiver, no mínimo, metade dos votos válidos mais um. Caso nenhum dos concorrentes alcance esse percentual, poderá ser realizado um segundo turno para definição do novo imortal. A eleição marca mais uma etapa da renovação do quadro de Membros Efetivos da Academia Paraibana de Letras, instituição fundada em 1941 e dedicada à valorização e ao fortalecimento da literatura e da cultura paraibanas.

UM PATOENSE EM HAVARD

UM PATOENSE EM HAVARD Patos, Sertão da Parahyba, 11 de abril de 1933. Aos 64 anos de idade, falece, vítima de febre tifóide, Fenelon Fernandes Bonavides, funcionário do Telégrafo Nacional e encarregado da estação local. A esposa, Sra. Hermínia Fernandes Bonavides, também telegrafista, ficou com a responsabilidade de criar os seis filhos: Abrantina, Aloysio, Annibal, Dirce, Dulce e Paulo, este o mais novo, com apenas oito anos.  Na época, governava a cidade de Patos o prefeito Adelgício Olintho de Mello e Silva, desde março de 1931. A Revolução de 30 promovera uma reorganização nas oligarquias da Parahyba. A deusa fortuna havia mudado seus planos: os Sátyro – aliados do epitacismo e senhores do mando político da cidade durante toda a Primeira República, sob a liderança do Major Miguel Sátyro -, passaram a ser oposição. Casado com uma filha do Major Miguel Sátyro, Sebastião Fernandes, fazendeiro de médio porte e também funcionário dos Correios, passou a ser alvo do prefeito. Este, num gesto pequeno, de pura perseguição política, interferiu junto ao Ministro da Viação (José Américo) para que o telegrafista fosse removido para Fortaleza, capital do Ceará: Registre-se que Paulo Bonavides não guardou mágoa do episódio, prestando, inclusive, louvores à pessoa de José Américo de Almeida em um artigo que está reproduzido em Constituinte e Constituição. A irmã de Sebastião, Hermínia, que também trabalhava nos Correios, resolveu acompanhar o irmão. Viúva, se sentia mais protegida à sombra de Sebastião, uma forma de atender às exigências de uma sociedade patriarcal e tradicionalíssima, algo comum naqueles tempos. Eis a causa de Paulo Bonavides ter vivido em sua terra natal só até os nove anos de idade e depois ter se tornado mais cearense que paraibano. Em 09 de setembro de 1935, os Sátyro reassumem o poder local. Clóvis, irmão de Ernani Sátyro (deputado estadual constituinte, eleito em 1934), elegeu-se prefeito de Patos, no primeiro pleito municipal presidido pela Justiça Eleitoral. A nova conjuntura política favorável permitiu Sebastião retornar à terra natal. Porém, Hermínia decidiu permanecer em Fortaleza. Sete décadas depois, em entrevista, Paulo Bonavides relembrou o fato: A raiz da minha transferência e de minha família foi a perda de meu pai em 1933. E também a vinda de um tio meu, irmão de minha mãe – ela também ligada ao telégrafo, como meu pai, que chefia a agência de Patos. Era cunhado de um político na Paraíba, que na época era deputado estadual, o advogado Ernani Sátiro. O prefeito, inimigo pessoal de meu tio, para persegui-lo, conseguiu a transferência dele – na época o órgão era subordinado ao Ministério da Viação. A transferência se deu, passou aqui 3 ou 4 meses e voltou a Patos, reconduzido, porque a situação política se modificou. Minha mãe resolveu ficar em Fortaleza. Meu pai, antes de morrer, já tinha a ideia de se transferir para Fortaleza porque ele queria cursar Direito no Ceará. Então quando meu tio foi transferido, minha mãe pediu para acompanhá-lo. O ministro da Viação, José Américo Almeida, atendeu ao pedido e ela veio. Quando a situação se normaliza no governo da Paraíba minha mãe não quis mais voltar. No Ceará, a única fonte de renda dos Bonavides vinha dos Correios, onde Hermínia trabalhava, mas a remuneração mal dava para criar os filhos. No início, a família enfrentou muitas dificuldades. Em janeiro de 1938, ainda adolescente, com apenas 13 anos de idade e cursando o quarto ano no Liceu Cearense, Paulo Bonavides leu um anúncio na primeira página de “O POVO”, o jornal mais antigo do Estado do Ceará, fundado em 07 de janeiro de 1928. Bonavides apresentou-se a outro Paulo, de sobrenome Sarasarte, fundador e redator-chefe do periódico. Meio temperamental, Paulo Sarasarte negou peremptoriamente a vaga ao calouro: – Menino, vá para casa! isso aqui não é jardim de infância, não! Demócrito Rocha Dummar, genro de Sarasarte e também fundador do noticioso, interviu: – Paulo… deixa o menino fazer a prova… Resultado: o jovem candidato passou em primeiro lugar e virou repórter!  Paulo Bonavides estreou nas páginas policiais, municiando o secretário do jornal, José Maria Othon Sidou, com matérias do ramo. Sua rotina incluía a cobertura de suicídios, atropelamentos, visitas às delegacias e ao Instituto Médico Legal.  Nos anos 40, na mesma gazeta, o filho mais novo de D. Hermínia passou a atuar como cronista esportivo e um de seus irmãos, Aníbal Fernandes Bonavides, também trabalhava na área, só que no Correio do Ceará, pertencente aos Diários Associados e, tempo depois, tornou-se redator do DIÁRIO DE PERNAMBUCO. Outro irmão de Paulo, Aloísio Fernandes Bonavides, foi redator de “O POVO” (Fortaleza) e correspondente do jornal O GLOBO, no Ceará. Em 1941, os irmãos Paulo e Aníbal estiveram no Rio de Janeiro, se hospedaram na sede do Corpo de Bombeiros e chegaram a visitar a redação do DIÁRIO CARIOCA. Na ocasião, Paulo representou a Associação dos Cronistas Esportivos do Ceará. O Diário de Pernambuco registrou o fato. A relação de Paulo Bonavides com o jornal A UNIÃO começou em outubro de 1941, quando ele esteve no Sertão paraibano preparando uma reportagem sobre a exploração de minério. Na matéria, intitulada “OURO NA PARAÍBA. UM SONHO DE DOIS SÉCULOS QUE SE TRANSFORMARAM EM REALIDADE. A CARTA DE D. MARIA, RAINHA DE PORTUGAL, E A ODISSEIA DE UM GEÓLOGO ARINO. A MINA DE TEIXEIRA E OS SEUS MISTÉRIOS. 2.500 HOMENS NO SERVIÇO DE MINERAÇÃO”, o jornalista de O POVO analisou os efeitos deletérios da cruel seca de 32. Segundo a sua ótica, o fenômeno climático favorecia a exploração da mineração pelos sofridos sertanejos, principalmente os de Patos, Piancó, Pombal e Princesa que, em busca da sobrevivência, se entregavam à febre do ouro. Antes do texto principal, A UNIÃO registrou a faceta jornalística do eminente filho de Patos que, até hoje, permanece desconhecida pela maioria dos paraibanos e juristas em geral: O autor desta reportagem, escrita para ‘O POVO”, de Fortaleza, é o jovem Paulo Bonavides, sertanejo, filho do município de Patos, que há alguns anos reside em Fortaleza. O trabalho em apreço resultou de uma recente

REGRAS E LÍNGUA PORTUGUESA

REGRAS E LÍNGUA PORTUGUESA Ao contrário do que muitos pensam, não se aprende Português decorando regras. A regra é, apenas, um ponto de partida; não é o fundamento da língua. Aliás, não se deve esquecer que a língua não é só gramática; existem outros elementos fundamentais; sobretudo, a semântica. Para exemplificar o que estamos afirmando, observemos o seguinte exemplo: O pai doou um rim ao filho. Na frase citada, temos o verbo doar como transitivo direto e indireto. Já na frase: “Operário doa rim, em João Pessoa”, o mesmo verbo já é transitivo direto, sendo João Pessoa (expressão de lugar) adjunto adverbial. Outro exemplo: A turma da “decoreba” elegeu como verbos de ligação: ser, estar, parecer… Pura bobagem. Observe: O homem está triste (o verbo da frase é de ligação). O homem está na praia (o verbo da frase é intransitivo, sendo “na praia” adjunto adverbial de lugar). Outra perda de tempo é querer aprender ortografia por meio de regras; ortografia se aprende lendo, escrevendo e consultando dicionários. Vamos a um exemplo que reforça nosso argumento: Sobre o uso da letra X, a “regra” diz:  Usa-se o X:  – Em geral, depois de ditongo: Faixa, ameixa. EXCEÇÃO: a palavra caucho e derivados: Recauchutar; recauchutagem. – Em geral, depois da sílaba inicial EN  Ex.: Enxame; enxó; enxurrada; enxugar. EXCEÇÕES: Encharcar (de charco); encher, enchente (de cheio); enchumaçar (de chumaço); enchova (nome de um peixe). Adianta, então, “decorar” “regras” de ortografia?  Outro elemento da língua para o qual a regra não é infalível é a pontuação. Os sinais de pontuação (sobretudo vírgula e ponto e vírgula) não são apenas gramaticais, mas, principalmente, sinais de harmonia, em que a semântica é fundamental. Observe o leitor este exemplo, extraído de jornal: “Segundo o presidente, no ano de 2023, o clube registrou seu nome na história (…)”. As vírgulas isolando o adjunto adverbial “no ano de 2023” estão gramaticalmente corretas, já que a gramática normativa diz que os adjuntos adverbiais deslocados devem ser isolados por vírgula. Só que, no caso, dever-se-ia sacrificar a gramática, tirando-se a segunda vírgula (após 2023), para se obter a clareza do texto. Embora escrito, do ponto de vista gramatical, corretamente, o texto está dando uma ideia diferente da que o redator quis. O que o redator quis dizer é que o clube registrou seu nome na história, no ano de 2023, segundo afirmou o presidente. Da maneira como foi redigido, o texto está, graças às vírgulas (“exigidas” pela gramática), dizendo que o presidente exerceu o cargo no ano de 2023. Não se aprende Português decorando regras; e saber regras de cor não é saber Português.