Academia Paraibana de Letras renova diretoria e reconduz Ramalho Leite à presidência

Academia Paraibana de Letras renova diretoria e reconduz Ramalho Leite à presidência Da esquerda para a direita, Francisco de Sales Gaudencio e Severino Ramalho Leite. A Academia Paraibana de Letras (APL) renovou, nesta sexta-feira (28), a composição de sua Diretoria e do Conselho Fiscal para um novo período de dois anos. Em chapa única, a atual diretoria foi reconduzida por unanimidade, com 35 votos favoráveis. O escritor Severino Ramalho Leite foi reconduzido à presidência da instituição pela segunda vez consecutiva. Também permanece no cargo de vice-presidente o acadêmico Francisco de Sales Gaudêncio. A eleição ocorreu das 8h às 12h, na sede da Academia Paraibana de Letras, com a participação de 17 os acadêmicos presenciais, além de 18 votos online, aptos a votar. O pleito teve chapa única e terminou com a aprovação integral da composição apresentada. A comissão eleitoral foi formada pelos acadêmicos Mário Hélio e João Trindade. Mário, recentemente eleito para a APL, assumiu a presidência dos trabalhos e anunciou o resultado após a apuração: 35 votos favoráveis à manutenção da atual chapa. Ao assumir novamente a presidência da Academia, Ramalho Leite destacou a honra de continuar à frente da instituição e afirmou que pretende dar sequência ao trabalho desenvolvido nos últimos anos: “Assumo mais um mandato com muita honra e com o compromisso de dar continuidade aos projetos que vêm sendo realizados, às parcerias que foram firmadas e, sobretudo, às ações formativas junto à sociedade, envolvendo novamente estudantes e professores”, afirmou o presidente reeleito. A nova gestão terá como desafio ampliar as iniciativas da APL nas áreas da literatura, educação e cultura, fortalecendo a presença da instituição junto à sociedade paraibana e dando continuidade às parcerias e aos projetos já em andamento.
O governador João Machado não foi injusto com Augusto dos Anjos
O governador João Machado não foi injusto com Augusto dos Anjos Quando se alcança o grau de celebridade, é comum surgirem mitos e versões fantasiosas acerca daquela pessoa. No caso de Augustos dos Anjos, criou-se uma versão de que ele saiu magoado da Paraíba porque o governador (denominava-se, na época, presidente) fora injusto com ele, por não conceder uma licença, pois pretendia ir tentar a sorte no Rio de Janeiro. A afirmativa é verdadeira; o governador realmente negou a licença, mas a negativa não foi injusta, conforme explicarei ao longo deste texto. Já há muito tinha vontade de falar sobre o caso. Tanto que, recentemente, num programa de que participei na Rádio Parahyba FM (irá ao ar em outubro) fiz as afirmações que vou reafirmar aqui. O “gancho” para que eu fizesse isso agora veio ao ler, recentemente, no jornal A União, um artigo da excelente jornalista e amiga Rosa Aguiar em que ela assinala: “Augusto deixou a Paraíba em 1910 e seguiu então para a capital do país, o Rio, magoado com a Paraíba. Pesquisadores afirmam que ele pediu licença sem vencimentos do cargo de professor do Lyceu Paraibano e de colaborador de A União (grifo dela) para seguir o projeto de publicar o primeiro livro em terras cariocas, onde poderia ter projeção, e o pedido foi negado pelo então governador João Machado.”. Não sei quais são os pesquisadores a que a articulista se refere, porque ela não citou os nomes, mas quaisquer que sejam eles omitiram (o que aliás sói acontecer aqui na Paraíba) um ponto fundamental: O governador João Machado realmente negou, porque a lei não permitia licença para professor temporário, que era o caso de Augusto dos Anjos. Tal fato está bem documentado na melhor e insuperável biografia do poeta: o livro Poesia e Vida de Augusto dos Anjos, de R. Magalhães Júnior. Transcrevamos Magalhães: “(…) Augusto dos Anjos foi procurar o governante paraibano a fim de lhe expor a sua pretensão. Isso se deu numa manhã de sábado, a 27 de agosto de 1910. Após ouvi-lo, o Dr. João Machado lhe declarou ser impossível atendê-lo. Augusto explicou, fora nomeado interinamente, para a cadeira regida em caráter efetivo pelo então deputado federal Manuel Tavares Cavalcanti. E, pela legislação em vigor, um professor interino não poderia ser licenciado, a fim de que outro ocupasse, também interinamente, a sua vaga. Sem compreender isso, Augusto dos Anjos insistiu. O governante reiterou as mesmas razões. Mas o poeta, insistindo ainda uma vez, disse que, com um pouco de boa vontade, seria dado um jeito. Ante essa insistência, impacientou-se o Dr. João Machado. E acabou por dizer, num rompante: “Sabe de uma coisa, Seu Augusto? Não me amole mais!”. O poeta, indignado, teria retrucado no mesmo tom, abrindo mão do cargo. (R. Magalhães Júnior: Poesia e Vida de Augusto dos Anjos. 2ª edição, pág. 229, Editora Civilização Brasileira/MEC, 1978). Já é hora de vermos as coisas com critério, rigor histórico e sem paixões exacerbadas! João Trindade.