Posse de João Batista é marcada por emoção na Academia Paraibana de Letras

Posse de João Batista é marcada por emoção na Academia Paraibana de Letras Bastante prestigiada, na noite dessa sexta-feira (25), a posse do mais novo membro da Academia Paraibana de Letras (APL), escritor João Batista de Brito. Amigos, admiradores, acadêmicos e familiares do novo sócio estiveram presentes nesse momento importante na vida do professor, escritor e crítico de cinema que assumiu a cadeira n° 03 na Casa de Coriolano de Medeiros. A saudação foi feita pelo acadêmico Hildeberto Barbosa Filho, que destacou a trajetória artística e intelectual de João Batista de Brito. (Fotos de Antônio David)
03 – João Batista de Brito

CADEIRA Nº 03 3º SUCESSOR: JOÃO BATISTA DE BRITO Patrono: Albino Gonçalves Meira (1850-1908) Fundador: Clóvis dos Santos Lima (1908-1974) 1º Sucessor: Luiz Augusto da Franca Crispim (1945-2008) 2º Sucessor: Eilzo Nogueira Matos (1934-2026) 3º Sucessor: João Batista de Brito 3º Sucessor: João Batista de Brito Ocupação: Professor Eleito: 07/08/2026 Posse: 25/09/2026 Saudação: Hildeberto Barbosa Filho BIOGRAFIA Hoje aposentado, João Batista de Brito foi professor de literatura anglo-americana no curso de graduação em Letras da Universidade Federal da Paraíba, e de teoria do texto poético na pós-graduação, onde desenvolveu linha de pesquisa sobre o estudo da poesia, e orientou dissertações e teses sobre temas afins. Tem mestrado em literatura inglesa (“Polifonia e carnavalização em Shakespeare”, 1979) e doutorado em literatura brasileira (“Signo e imagem em Castro Pinto”, 1995). Foi bolsista Fulbright na Universidade de Indiana, Estados Unidos, onde desenvolveu projeto de pesquisa sobre a poesia americana moderna, com concentração em E. E. Cummings.Como atividade paralela, sempre atuou como crítico cinematográfico nos jornais locais, O Norte, Correio da Paraíba, O Momento, e Contraponto. Desde 1980, é colunista no “Correio das Artes” onde mantém a coluna “Imagens Amadas”. A bibliografia de sua autoria reflete o diálogo – ou, se for o caso, a falta de diálogo – entre literatura e cinema. Entre outros, é autor dos seguintes livros: Poesia e leitura: os percursos do gozo (Funesc, 1989); Signo e imagem em Castro Pinto (Editora da UFPB, 1995); Imagens amadas (Ateliê Editorial, 1995); Passou no Bangüê: ensaios de cinema (Funesc, 1996); Leituras poéticas (Memorial da América Latina, 1997); Um beijo é só um beijo: minicontos para cinéfilos (Manufatura, 2002); Literatura no cinema (Unimarco, 2006); Hollywood em outras línguas – a tradução de títulos de filmes e seus problemas (Editora da UFPB, 2009); Traduzir-me (Ed. Ideia); Pão com sabor de poesia (Selinho Editorial, 2026).
Emprego do Ponto e vírgula
Emprego do Ponto e vírgula Vocês já devem ter percebido que o ponto e vírgula anda fora de moda. E o pior é que o leitor sofre pra danado ao ler a maioria dos escritos, uma vez que a falta do sinal aludido faz a gente ficar relendo o texto várias vezes, para entendê-lo; sobretudo os períodos longos, em que o excesso de vírgula confunde bastante. O ponto e vírgula é uma pausa um pouco longa (maior do que a da vírgula e menor do que a do ponto) e que representa continuidade de pensamento. Ou seja: você dá uma pausa um tanto longa, mas continua o mesmo pensamento, como no exemplo: Aqueles que não leem pagam caro, a certa altura da vida; infelizmente, só muito tarde é que vão perceber isso. Em verdade, usaremos o ponto e vírgula quando fizermos uma pausa longa, mas haja uma continuidade de pensamento. Se a pausa for rápida, usa-se a vírgula; se for longa e encerrar o pensamento, usa-se o ponto. O emprego do ponto e vírgula é mais estilístico do que gramatical e depende, substancialmente, do contexto, não havendo regras infalíveis para todos os casos. Na verdade, a única maneira de aprender a empregar tal sinal é ler muito; sobretudo em voz alta. É possível, no entanto, destacar algumas orientações. Usa-se o ponto e vírgula: 1.Para separar, num período, orações da mesma natureza, que tenham certa extensão: “Os dois primeiros alvitres foram desprezados por impraticáveis; Ernesto não tinha dinheiro nem crédito tão alto.” 2.Para separar partes de um período já dividido por vírgulas: “O incêndio é a mais impaciente das catástrofes; a explosão, a mais impulsiva e lacônica; o abalroamento, a mais colérica; a inundação, a mais feminina e majestosa.” 3.Para separar os diversos itens de enunciados enumerativos (em leis, decretos, regulamentos, portarias, etc.). Tomemos como exemplo o título I (Dos Princípios Fundamentais) da Constituição da República Federativa do Brasil: “Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e o Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I – a soberania; II – a cidadania; III – a dignidade da pessoa humana; IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V – o pluralismo político. (…).” Observações importantes 1.O ponto e vírgula divide períodos longos em partes menores, geralmente quando os elementos são simétricos, dando-se um ritmo encadeado ao período. Observem este exemplo de Ruy Barbosa, acerca de Machado de Assis, citado por Celso Cunha: “Modelo foi de pureza e correção, temperança e doçura; na família, que a unidade e devoção do seu amor converteu em santuário; na carreira pública, onde se extremou pela fidelidade e pela honra; no sentimento da língua pátria, em que prosava como Luís de Souza, e cantava como Luís de Camões; na convivência dos seus colegas, dos seus amigos, em que nunca deslizou da modéstia, do recato, da tolerância, da gentileza.” 2.Costuma-se empregar o ponto e vírgula em lugar da vírgula, antes das conjunções adversativas (mas, porém, contudo, todavia, no entanto, etc.) e das conclusivas (logo, portanto, por isso, etc.) colocadas no início de uma oração coordenada, para, com o alongamento da pausa, acentuar-se o sentido adversativo ou conclusivo das referidas conjunções, com nos períodos seguintes: “Desgostou-se, sofreu, mas não maldisse a Pátria.” “Desgostou-se, sofreu; mas não maldisse a Pátria.” Ele está doente, por isso não poderá vir às aulas. Ele está doente; por isso, não poderá vir às aulas. Em certos casos, o tom enfático aconselha mesmo o uso do ponto em tal posição, como no exemplo: Ele estava triste; resolveu, então, não sair de casa. Poder-se-ia muito bem escrever: Ele estava triste. Resolveu, então, não sair de casa. João Trindade.
O cajueiro, a lua e o sol
O cajueiro, a lua e o sol Nas manhãs com o sol rasgando as nuvens ou quando a lua grande vagava lentamente no céu como uma bola dourada, gostava de ficar no quintal de casa observando o sol ou a lua por entre as folhagens do cajueiro existente em minha rua.Aproveitava para lembrar de tempos passados quando, dissimulando a solidão que carregava nos gestos de camponês, olhava para os caminhos invisíveis que tentava identificar e, identificados, como me foi permitido, construí os caminhos que haveria de trilhar.De todas as árvores que povoaram minha infância, os pés de laranjas cravo e mino-do-céu, as mangueiras, as pitombeiras, araçás e jaqueiras foram os cajueiros que mais penetraram no meu sentimento de pertença.Quando há mais de quatro décadas quando passei a morar nesta casa, este cajueiro era meu lenitivo. Dava a impressão de que estava diante de uma pequena floresta, vendo nascentes entre os galhos a lua ou o sol. Mas cortaram o cajueiro que me dava uma visão deslumbrante da lua e do sol, e fazia me lembrar da minha terra e da paisagem que carrego comigo.Ouvindo os pássaros em sinfonia nos finais de tardes ou aos primeiros raios do sol pela manhã bem cedo, recordava de minha infância. Este cajueiro, mesmo sendo outro, o dono, me pertencia de visão. Quando poesia imaginei em as escrever olhando a lua por entre as folhas. Até tentei poetar uns versos que saíram à semelhança do que Bentinho de Dom Casmurro escreveu: “Oh! flor do céu! Oh! flor cândida e oura”! Quantas imagens guardo destes momentos. Uma vez na minha imaginação, lembrando a exuberante Beatriz de Dante, a poética luz da lua formou por entre os galhos a imagem de uma bela mulher. Foi algo impressionante. Nenhum escultor ou pintor seria capaz de modelar algo semelhante. Mas os pardais e as rolinhas, seus noturnos habitantes, ficaram atordoados sem espaços para seus repousos. Os pardais, mais atrevidos, sorrateiramente vêm pousar em uma pequena árvore do meu quintal, o que não deixa de ser agradável.Não há nada de ruim que aconteça que não traga algo de bom. Se perdemos a bonita visão de olhar a rua pelas folhas do cajueiro, o único que ainda existia na nossa rua, temos, agora, como olhar a Lua Cheia a descoberto.Este cajueiro do vizinho, que de minha casa admirava durante mais de quatro anos, era diferenciado. Produzia flores e pedúnculos cessar. Saborosos em forma de doces, passar ou consumido in natura. Bom para tira-gosto. Presenciava na calçada, uns pinguços degustando cachaça com talagada de caju melado com sal.Seus antigos donos relatavam que plantaram a árvores quando ali chegaram ao final do ano de 1979. Quando cheguei para residir neste bairro, o cajueiro já era imponente, as folhas passavam da casa. De longe avistávamos sua folhagem e, no tempo oportuno, davam muitos frutos. Mas cortaram o cajueiro. Fiquei sem a paisagem de sua copa, nem os raios da lua nem do sol que construí a poesia que fazia construir a poesia a qual somente a natureza possibilita surgir. Mas os pardais e as rolinhas, seus noturnos habitantes, ficaram atordoados sem espaços para seus repousos. Os pardais, mais atrevidos, sorrateiramente vêm pousar em uma pequena árvore do meu quintal, o que não deixa de ser agradável.Não há nada de ruim que aconteça que não traga algo de bom. Se perdemos a bonita visão de olhar a rua pelas folhas do cajueiro, o único que ainda existia na nossa rua, termos, agora, que olhar a Lua Cheia sem as folhas a lhe cobrir.Aquele cajueiro do vizinho, que de minha casa admirava durante mais de quatro anos, era diferenciado? Produzia flores e pedúnculos e cessam. Saborosos em forma de doces ou consumido in natura. Bom para tira-gosto. Presenciava na calçada, uns pinguços degustando cachaça com talagada de caju melado com sal.Seus antigos donos relatavam que plantaram a árvores quando ali chegaram no final do ano de 1979. Quando cheguei para residir neste bairro, o cajueiro já era imponente, as folhas passavam da casa. De longe avistávamos sua folhagem e, no tempo oportuno, dava muitos frutos. Mas cortaram o cajueiro. Fiquei sem a paisagem de sua copa, nem os raios da lua nem do sol que construíam a poesia que somente a natureza possibilita surgir. José Nunes.