1º Sucessor: Afonso Pereira da Silva (1917-2008)
Ocupação: Político (Deputado Estadual) e professor
Eleito: 24/04/1965
Posse: 21/06/1966
Saudação: Clóvis dos Santos Lima
AFONSO PEREIRA DA SILVA: Nasceu no município de Bonito de Santa Fé, Estado da Paraíba, em 30 de outubro de 1917, e faleceu em João Pessoa, no dia 21 de junho de 2008. Era filho de José Pereira da Silva e de D. Cherubina Pereira da Silva. Foi casado com a senhora Clemilde Torres Pereira da Silva. Oriundo de uma tradicional família católica, realizou seus estudos secundários no Seminário Apostólico São Pedro Gonçalves, na capital paraibana, e no Colégio Franciscano de Rio Negro, no Estado do Paraná, educandários onde adquiriu uma sólida e humanística base cultural alicerçada em princípios cristãos. Graduou-se em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) no ano de 1948, buscando continuamente o aperfeiçoamento por meio de extensões nas áreas jurídica e pedagógica.
Humanista e políglota de rara erudição, construiu uma das mais polivalentes e impressionantes trajetórias intelectuais e docentes do estado. No magistério, regeu cátedras de impressionante amplitude teórica e linguística, lecionando Alemão, Francês, Latim, Grego, Português, Geografia, Ciências Naturais, Direito Autoral, Direito Romano e Pesquisa Social. Atuou no tradicional Lyceu Paraibano e foi professor e diretor do Instituto de Educação da Paraíba (IEP). No ensino superior e na gestão acadêmica, exerceu as funções de Diretor da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais da Universidade Autônoma de João Pessoa (Unipê) e de Diretor Substituto da Faculdade de Direito da UFPB. No cenário político e jurídico, serviu à sociedade como Deputado Estadual na Assembleia Legislativa, atuou como Juiz Substituto do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PB) e foi Procurador da Santa Casa de Misericórdia da Paraíba.
Sua atuação como dinâmico empreendedor cultural e educacional moldou a identidade artística da Paraíba no século XX. No campo social e pedagógico, foi o introdutor e presidente da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (CNEC) no estado e instituiu e presidiu a Fundação Padre Ibiapina, responsável por implantar uma vasta rede de educandários nos três níveis de ensino, sobretudo nas regiões do Sertão paraibano e no Rio Grande do Norte. No universo das artes e das letras, imortalizou-se como fundador e presidente da Sociedade de Cultura Musical; fundador do Teatro do Estudante da Paraíba, do Conservatório Paraibano de Música e da Orquestra Sinfônica da Paraíba (OSPB); além de idealizador e primeiro presidente da Associação de Cultura Franco-Brasileira (Aliança Francesa de João Pessoa). Na imprensa local, atuou como redator dos Anais Científicos – Brasil Universitário (São Paulo), correspondente de revistas nacionais e teve a honra de ser o primeiro diretor do jornal Correio da Paraíba.
Sua projeção intelectual garantiu-lhe assento nas mais prestigiadas agremiações do país e do exterior, sendo membro do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP), da Academia de Letras Jurídicas, da Associação Paraibana de Imprensa (API), da Academia Internacional de Letras e sócio-honorário da Associação Norte-Riograndense de Astronomia (ANRA). Eleito membro efetivo da Academia Paraibana de Letras (APL), tomou posse solenemente em sua Cadeira no dia 21 de junho de 1966, ocasião em que foi recepcionado com o discurso de saudação do acadêmico Clóvis dos Santos Lima.
No dia 20 de maio de 1978, Afonso Pereira ascendeu à Presidência da APL, sendo sucessivamente reeleito por três vezes consecutivas, cumprindo um vitorioso e histórico mandato de seis anos (1978–1984). Sua gestão operou uma profunda reforma estrutural e institucional na Casa de Coriolano de Medeiros: promoveu a restauração física e a ampliação arquitetônica do prédio-sede, abriu a Biblioteca Oficial ao público externo, organizou metodicamente os arquivos documentais e preencheu o quadro de imortais até completar, pela primeira vez, o número regulamentar de 40 cadeiras. Foi também o responsável por introduzir a tradicional e perene liturgia do “Chá Acadêmico”. Em 1981, articulou junto ao governador Tarcísio Burity a doação do imóvel de nº 37, contíguo à sede, destinado à criação do Memorial Augusto dos Anjos, projeto estruturado em sua gestão e concretizado por seu sucessor direto, o acadêmico Luiz Augusto Crispim.