APL na Imprensa

APL completa 75 anos
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APL cria programa de estudo de semiárido.
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História da APL-PB é contada em livro.
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Fátima Bezerra toma posse em setembro.
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A APL recorda Jurema.
Confundem-se independência e dependência
As primeiras escolas me faziam estar bem fardado e cantar os hinos da pátria: Nacional, da Independência e da Bandeira. Foi assim quando se iniciou em mim a ideia do que fosse o “sete de setembro” da independência do Brasil; mas também não esqueço a algazarra quando éramos liberados das aulas para a instrução do Cabo Totô do Tiro de Guerra, amante da farda, da corneta e dos seus toques, complementados pelo seu grito: “Atenção! Sentido!”, pondo ordem na meninada. Sabia como ninguém organizar desfile para ganhar, do jurado das autoridades: Juiz, Vigário, Sargento que comandava o Tiro de Guerra e Delegado, o primeiro lugar no Dia da Independência, premio entregue pelo Prefeito da cidade. Nos ensaios, as alunas mais altas se empinavam à escolha do porta-bandeira, e as mais roliças rebolavam para ser baliza, demonstrando gingado e saltos ornamentais. O Colégio N.S. da Conceição não possuía banda, mas rapazolas da Escola de Samba de Zé Dudu emprestavam à Madre Freitas instrumentos e habilidades do último carnaval; todos na tropa do Cabo Totô, obedecendo sua regência e seu comando. Tais ensaios aumentavam a expectativa do Sete de Setembro que trazia à Itabaiana matutos e visitantes das pequenas cidades. Contudo, pouco se aprendia sobre a festejada independência… Aos onze anos de idade, já no internato, na Capital, comecei a escutar que nossa “independência” teria sido conquistada sem luta, sem esforço; fora histórias jocosas, contava-se que “bastou parar os cavalos às margens do Ipiranga e jogar fora uns laços com cores de Portugal”. Também se refletia que nem sempre o esforço empreende o bem, há quem, nas caladas da noite, sob perigos, arrombe um cofre com maçarico, ou quem, sem qualquer esforço, em pleno dia, furte o dinheiro público e o esconda em malas, à vista da TV, sem constranger eleitores, prontos para o reelegerem à continuação dessa censurável proeza. Em Portugal também “setembrinos” comemoram a revolução de setembro de 1836 contra a então “Carta Constitucional”… Avisam que já somos independentes de Portugal. E aqui e agora? Necessitamos de independência para escolher melhores homens públicos, sérios governantes e um Brasil bom de viver, com povo independente dos que querem comprar voto; dos enganadores e maus políticos, dos cabos eleitorais negociantes, traficantes e vendedores do voto em lote; também liberto da troca do bem coletivo por apenas efêmeros e insignificantes favores pessoais. Quando, livres desses laços, às margens dos negócios, o voto independente será o grito dessa desejável independência. Damião Ramos Cavalcanti
Dom José beija nossa terra
Conhecido como Dom Pelé, por ser um dos poucos bispos negros no Brasil, também assim apelidado por Dom Távora por ser um “goleador” de excelentes ideias na CNBB, o Arcebispo Emérito da Paraíba, José Maria Pires nunca sentou no banco de reservas do time da Igreja, parecia, segundo o saber da petrologia, um mineral imprescindível à grande pedra, enquanto resistente rocha dita por Jesus (Mt 16, 18 – 19) : “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja…”; como se fosse um vidro vulcânico, transparente e melhor do que todos os cristais… Com jeito de matuto, chegou a João Pessoa, em março de 1966, da Diocese de Araçuaí, do interior das Minas Gerais, fazendo o belo gesto iniciado pelo Papa Paulo VI, então cardeal Montini às portas de Milano; o novo Arcebispo, na entrada da cidade, à vista dos moradores de Oitizeiro, o que foi repetido, anos depois, pelo Papa João Paulo II, ao viajar a outros países em visitas apostólicas, beijou a terra que o recebia e disse: “Faço como o Profeta, bato as sandálias, retiro o pó de outros caminhos e beijo esta terra santa antes de pisá-la. Sagrada é esta terra pelas crianças, mulheres e homens paraibanos. A Paraíba é santa porque é exemplo ao país de sagrada cidadania”. Beijou o chão no qual, para ele e por justiça, sempre haveria um pedaço àqueles que quisessem cultivá-lo. E assim, simbolicamente, deu sinal de ser diferente “príncipe da Igreja” e de que dedicar-se-ia à causa dos menos favorecidos; contudo, quanto à pastoral, os pés do bispo Pelé, esquerdo e direito, ambos chutando com muita força, sempre o mantinham em equilíbrio. Aqui permaneceu até dezembro de 1995, quando, sentindo que lhe diminuíam as forças para essa luta, pediu a Deus para entregar seu cajado a outro pastor. Identificou-se como um homem simples, culto e sábio. E nessa simplicidade, a convite de amigos, retornava sempre a João Pessoa para festejar seus aniversários de nascimento, de sacerdócio ou novas conquistas do seu rebanho. Agora retornou pela última vez… Estive ao seu lado também na inauguração do Memorial Padre Comblin, em Santa Fé, em Arara, onde moraram e estão sepultados seu amigo filósofo e teólogo Joseph Comblin e o Padre Ibiapina. Em João Pessoa, houve comemorações marcantes dos seus setenta anos de sacerdócio e Dom José concelebrou Ação de Graças na Catedral Basílica de N. S. das Neves que, hoje, também lhe serve de sepulcro. Assim, foram quase cem, noventa e oito anos vocacionados à vida de pastor, dedicados às ovelhas do povo eleito de Deus. Sua voz corajosa de profeta nunca abandonou uma só ovelha ou o rebanho no vale das injustiças e assim continua ecoando; pobre como São Francisco, ao contrário dos mercenários que pregam mais o dízimo do que a Boa Nova, não acompanhava suas ovelhas para retirar-lhes lã, leite ou carne, mas para protegê-las com altiva coragem, quando ameaçadas pelos “lobos vorazes vestidos” de poderosos. Por isso, amado, reconhecido à distância pela sua voz, será lembrado pelas palavras evangélicas que sempre anunciarão amor e justiça; Dom José Maria Pires doou sua vida a serviço do povo de Deus e sempre será visto e ouvido por estes prados: Seu espírito, rondando estradas e caminhos, chamar-nos-á aos campos de verde relva, especialmente, as ovelhas famintas de justiça que amam e conhecem o bom pastor, e que, alegres e reconfortadas, sempre farão sua imortal longevidade. A elas e a ele que se igualou a todos nós ovelhas, promete-nos o Salmo 23: “Nada lhes haverá de faltar”… Damião Ramos Cavalcanti
Septuagésimo Sexto Aniversário da APL

A Academia Paraibana de Letras convida Vossa Excelência e família para a Sessão Solene do seu Septuagésimo Sexto Aniversário, na qual haverá o lançamento do livro Gente do Taipu, do Dr. Carlos Francisco Bandeira Lins, intelectual paraibano de reconhecida militância jurídica e literária na cidade de São Paulo. O autor, ao agradecer sua dileta presença, abordará o tema “José Lins do Rego, nos arredores de Taipu”. Damião Ramos Cavalcanti Presidente Data: 14 de setembro de 2017 Hora: 18:00 Local: Academia Paraibana de Letras
Um Ministro suspeito e as águas em Boqueirão
Um, não. Dois: Um em dois tribunais… Até a Alta Corte sabe disso e de que perseguir ou proteger não é próprio de quem julga… Juiz deve não ser amigo do réu, nem tampouco inimigo. Com tais parcialidades, torna-se o juiz também réu: Sendo jogador de “cartas marcadas”; manipulando baralho fora das regras e da Lei; direcionando poder tendencioso para vencer, acusar, condenar ou talvez inocentar… Ao juiz cabe tão somente buscar a evidência demonstrada nos autos; e, tomado de sagrada imparcialidade, sem “amizades” ou “inimizades”, apenas emitir juízo. Pode ele ter amigo ou indesejadamente inimigo? Pode, desde que seus amigos ou seus inimigos não sejam julgados por ele. O Processo Civil trata da imparcialidade para quem julga, impondo radical princípio ético: Que o próprio suspeito devolva o Processo para outro julgador. Lembro-me dos termos em latim, no Curso de Direito: Que se declare incompetente “ratione personae” o juiz ao ter, com réu ou requerente, relação de parentesco, de simpatia ou de antipatia; devendo, de sã consciência, como magistrado, evitar qualquer desconfiança de que esteja favorecendo pretensões de alguém ou dele próprio. Contudo ele não alegue impedimento apenas para mascarar omissão. O juiz, ao pressentir motivação religiosa, ideológica, política, partidária ou societária, obriga-se a pedir nova distribuição do Processo. Verificam-se, na midia, determinados magistrados, cinicamente, declarando-se simpatizantes, antecipando-se à conclusão do Processo ou até manifestando-se antes da confirmação das alegadas provas. Se a Justiça veda os olhos para não sentir qualquer motivação, então é absurdo jurídico julgar segundo seu interesse, sua ideologia, seus gostos partidários, já ab initio, aprontando tendenciosamente o que lhe dará proveitos… Enfim, julgar é sentenciar objetivamente o justo; jamais, subjetivamente, aprovar o que desejam, como querem “judicialmente” retardar a chegada à Campina Grande das águas do São Francisco … Damião Ramos Cavalcanti
Cineclube Verbo & Imagem apresenta: A grande Beleza
A Academia Paraibana de Letras apresenta em sessão gratuita o cineclube Verbo e Imagem, que exibirá A Grande Beleza com comentários de Renato Félix. Direção: Paolo Sorrentino 31 de agosto (última quinta-feira do mês) às 18 horas.