Fundador: Maurício de Medeiros Furtado (1893-1965)
Ocupação: Professor, juiz e advogado
Eleito: 23/05/1959
Posse: 05/03/1960
Saudação: Seráphico da Nóbrega
MAURÍCIO DE MEDEIROS FURTADO: Nasceu na cidade de João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, em 27 de novembro de 1893, e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 22 de março de 1965. Era filho de João Antônio da Gama Furtado e de D. Ernestina de Medeiros Furtado. Foi casado com a senhora Maria Alice de Medeiros Furtado, com quem partilhou uma vida de mútua dedicação.
Iniciou sua formação elementar no recesso do lar, sendo alfabetizado por seu próprio pai. Posteriormente, frequentou o Colégio São Severino, no município de Itabaiana, e, de volta à capital, deu continuidade aos estudos secundários no tradicional Colégio Diocesano Pio X e no Lyceu Paraibano. Voltou-se para a carreira jurídica e bacharelou-se em Direito pela histórica Faculdade de Direito do Recife.
Antes de consolidar sua trajetória pública, trabalhou na juventude como caixeiro na fábrica de cigarros de propriedade do industrial Peixoto, experiência marcada pelo temperamento petulante do patrão e pela completa ausência de vocação do jovem para a atividade comercial. Desligando-se do emprego, abraçou o magistério por indicação de Frei Martinho, passando a lecionar na escola primária instituída por Dom Ulrico, contígua à histórica Igreja de São Francisco. Sob o governo de João de Castro Pinto, ingressou no serviço público ao ser nomeado funcionário do Fisco Estadual, prestando relevantes serviços pelas coletorias do interior paraibano durante longos anos. Em 1924, assumiu a Secretaria da Escola Normal de João Pessoa, instituição na qual ascendeu pouco tempo depois ao cargo de professor titular. Afastado do funcionalismo público sob a justificativa de “motivo de economia” pelo presidente João Pessoa, viajou ao Rio de Janeiro, retornando seis meses mais tarde para ser nomeado, pelo próprio chefe do Executivo, Juiz Substituto da comarca da capital.
Sua magistratura e maturidade jurídica foram pautadas pela retidão e pelo profundo saber. Exerceu as funções de Juiz de Direito da comarca de Mamanguape, Procurador-Geral do Estado e Presidente do Montepio dos Servidores do Estado (atual IPEP). No ápice de sua carreira togada, ascendeu ao cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça da Paraíba, atuando na corte de 1934 a 1941, ano em que se aposentou. Visando complementar os proventos de sua aposentadoria, fixou residência no Rio de Janeiro, onde passou a exercer com distinção a advocacia privada.
Oriundo de uma tradicional estirpe de artistas, Maurício Furtado exercia as funções burocráticas com zelo, mas encontrava seu verdadeiro refúgio na sensibilidade estética. Seu pai era poeta, sua mãe possuía refinada inclinação para a música e cada um de seus irmãos dominava um instrumento musical; ele próprio imortalizou-se na crônica afetiva da capital como um exímio e apaixonado seresteiro. Sua produção literária e ensaística permaneceu por décadas dispersa nas páginas de jornais e revistas da época. Após o seu falecimento, sua viúva, D. Maria Alice, recolheu com paciência e afeto seus escritos e notas remanescentes, reunindo-os no livro póstumo Coisas do Passado, uma delicada antologia enriquecida com o prefácio de seu amigo fraterno, o historiador Horácio de Almeida.
Por sua sólida bagagem intelectual e compromisso com a memória regional, integrou os quadros de sócios efetivos do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP) e do Instituto Histórico do Ceará. Em justo reconhecimento ao seu relevo cultural e humanístico, foi eleito membro efetivo da Academia Paraibana de Letras (APL). Tomou posse solenemente em sua Cadeira no dia 05 de março de 1960, ocasião em que a Casa de Coriolano de Medeiros o acolheu por meio do elegante discurso de recepção proferido pelo ilustre monsenhor e acadêmico Seráfico da Nóbrega.