1º Sucessor: Pedro Moreno Gondim (1914-2005)
Ocupação: Advogado, político (Deputado Estadual) e poeta
Eleito: 13/10/1979
Posse: 13/09/1984
Saudação: Luiz Augusto da Franca Crispim
PEDRO MORENO GONDIM: Nasceu no Engenho Capim Açu, município de Alagoa Nova, Estado da Paraíba, no dia 1º de maio de 1914, e faleceu na capital paraibana, João Pessoa, no dia 26 de julho de 2005. Era filho de Inácio Costa Gondim e de D. Eulina Moreno Gondim. Foi casado em primeiras núpcias com D. Ozanete Duarte Gondim, união da qual nasceram cinco filhos. Após enviuvar, contraiu segundas núpcias com D. Sílvia Marques Gondim, com quem teve dois filhos.
Realizou seus estudos primários em sua cidade natal, cursou o ginasial no tradicional Lyceu Paraibano, em João Pessoa, e concluiu o secundário no Colégio Carneiro Leão XIII, em Recife. Bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Recife no ano de 1938, dedicando-se inicialmente à advocacia privada com intensa atuação na Paraíba e em estados vizinhos.
Ingressou na vida pública e partidária figurando como um dos destacados fundadores do Partido Social Democrático (PSD) na Paraíba (e não PDS, como registrado por lapso na memória oral). Em 1946, elegeu-se Deputado Estadual para a Assembleia Legislativa. Conquistou a reeleição para um segundo mandato parlamentar, mas optou por não assumi-lo ao ser convidado pelo governador José Américo de Almeida para chefiar a importante pasta de Secretário da Agricultura, Viação e Obras Públicas. Posteriormente, elegeu-se Vice-Governador do Estado, oportunidade em que assumiu interinamente a Chefia do Poder Executivo em virtude do afastamento por motivos de saúde do governador Dr. Flávio Ribeiro Coutinho. Desincompatibilizou-se do cargo dentro dos prazos constitucionais para disputar a titularidade do Executivo nas eleições de 1960, consagrando-se Governador da Paraíba após obter uma histórica e expressiva vitória sobre o Dr. Janduhy Carneiro.
Sua gestão governamental (1961–1966) foi uma das mais marcantes e arrojadas da história paraibana, caracterizada por profundas transformações socioeconômicas e por um cenário de intensa ebulição política nacional. Pedro Gondim notabilizou-se pela mediação e condução diante das históricas lutas pela Reforma Agrária e a ascensão das Ligas Camponesas no estado. Na infraestrutura e no desenvolvimento, sua administração promoveu uma histórica expansão da Rede Estadual de Ensino, além de impulsionar a modernização da agricultura, o fomento à indústria e a pavimentação da malha rodoviária. Em 1966, ao término de seu mandato, elegeu-se Deputado Federal; contudo, teve seu mandato e seus direitos políticos arbitrariamente cassados pelo regime civil-militar de 1964, readquirindo as prerrogativas civis apenas anos mais tarde, com a abertura política e a anistia formalizada no governo do presidente João Figueiredo. Retornou à militância partidária filiando-se ao PMDB, legenda pela qual disputou o Senado Federal. Não tendo alcançado a vitória nas urnas, retirou-se de pleitos eletivos, mantendo-se na condição de conselheiro e colaborador.
Entre os anos de 1985 e 1990, exerceu com reconhecida competência técnica a Diretoria de Câmbio do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). Humanista e esteta de refinada sensibilidade, Pedro Gondim dedicou seus anos de recolhimento à paixão pela leitura e pela poesia. Traduzia suas vivências e lirismo em versos que publicava assiduamente nas páginas do Correio das Artes, prestigiado suplemento literário do jornal oficial A União, fazendo uso do sofisticado pseudônimo de Homero Morgon.
Em reconhecimento ao seu inestimável legado político, social e literário à história paraibana, foi eleito membro efetivo da Academia Paraibana de Letras (APL) para ocupar a Cadeira de nº 21. Tomou posse solenemente no dia 13 de setembro de 1984, ocasião em que a Casa de Coriolano de Medeiros o acolheu por meio do célebre discurso de recepção proferido pelo acadêmico e jornalista Luiz Augusto da Franca Crispim.