2º Sucessor: Otávio Sitônio Pinto Pereira (1945-2022)
Ocupação: Publicitário
Eleito: 09/02/2005
Posse: 09/08/2006
Saudação: Luiz Augusto Crispim
Saudação: Osias Nacre Gomes
Otávio Augusto Pereira Sitônio Pinto nasceu em Princesa Isabel, em 6 de maio de 1945, filho de Otávio Sitônio da Silva, oriundo da família Genipapo de Misericórdia, do Vale do Piancó, e de Carmélia Pereira Sitônio Pinto. Sua mãe, Carmélia Pereira Sitônio Pinto, era sobrinha do deputado e coronel José Pereira Lima, que proclamou o Território de Princesa, estopim do movimento de 1930. Além disso, era neto de Joana Pereira Lima Sitônio, irmã de José Pereira Lima, comandante da famigerada Guerra de Princesa, deflagrada no contexto da Revolução de 1930.
Sitônio Pinto veio, quando criança, para a capital, onde iniciou seus estudos no Grupo Escolar Epitácio Pessoa, com as mestras Adamantina Neves e Lourdes Carvalho. Nessa escola, tornou-se colega de Sônia Lúcia Ramalho de Farias e de Luiz Augusto da Franca Crispim. Continuou seus primeiros estudos no Colégio Santa Rosália, de Adamantina Neves, na Rua 13 de Maio. Já o secundário foi feito em diversos colégios: no Pio X, no Lyceu Paraibano e no Ginásio Sólon de Lucena, na antiga Rua das Trincheiras. No colegial, estudou no Lyceu Paraibano, onde teve aulas com o mestre e poeta Vanildo Brito, e na Escola Técnica de Comércio Epitácio Pessoa, concluindo-o com o supletivo, em Campina Grande, no Colégio Estadual da Prata.
Sua cidade natal, terra da família materna, está situada no alto sertão e se declarou, por decreto, Território Livre de Princesa, em 1930, pelo coronel José Pereira Lima, líder político da região e seu tio. Otávio iniciou o trabalho ainda menor, como gráfico, na Flamunorte, de seu primo Hélio Sitônio Borges, e também na Dante Gráfica, como gráfico e publicitário. Como redator, trabalhou em Brasília nas agências Nova Dimensão Propaganda, Senna Publicidade, Pol Propaganda, Ampla Propaganda, Gruponove Assessoria de Marketing e Comunicação, Ítalo Bianchi Publicitários Associados e Fregapane Publicitários Reunidos.
Na capital pernambucana, foi um dos fundadores e o primeiro presidente do Clube de Criação do Recife, que deu origem ao Sindicato dos Publicitários de Pernambuco.
Como publicitário, criou os célebres dizeres “Onde o Sol nasce primeiro” (marca da Paraíba) e “Lula-lá”, publicado em 26 de novembro de 1988, no jornal A União, e creditado, em 1989, ao publicitário Carlito Maia. Transformou o Prêmio Destaque Volkswagen, diploma concedido às dez melhores revendas da marca, no troféu Virabrequim de Ouro, adotado pela montadora para todo o Brasil. Também destacou-se nacionalmente com o filme institucional do Projeto Mutirão, da Companhia Estadual de Habitação Popular.
Por fim, voltou à Paraíba, sendo aprovado em concurso para auditor fiscal da Secretaria de Finanças do Estado, o que o fez abandonar a carreira publicitária. Depois de aposentado, passou a se dedicar às atividades de ruralista e garimpeiro.
Autodidata e rebelde, o princesense militou na imprensa local, onde foi redator e colunista de A União, escrevendo sempre às terças, quintas e sábados. Também foi articulista dos jornais O Norte e Correio da Paraíba, ora com sua crônica lírica, ora com duros artigos de crítica e denúncia. Foi membro da junta tríplice que dirigiu o Sindicato dos Jornalistas da Paraíba.
A experiência adquirida no cargo de assessor de planejamento do Instituto de Terras da Paraíba (INTERPA-PB) foi importante para a concepção de seu livro Dom Sertão, Dona Seca. A obra baseia-se em dois livros importantes de Guimarães Duque, cujos títulos são Solo e água no Polígono das Secas (1949) e O Nordeste e as lavouras xerófilas, publicado no início da década de 1950. “Foram fundamentais para a minha obra”, disse ele, acrescentando ainda ter pesquisado o tratado denominado Agricultura na batéia, da era pré-cristã, e Ibn Khaldun, do ano 1300.
Sitônio entrou onze vezes na universidade, matriculando-se em Sociologia e Política, curso extinto depois do Golpe de 1964, na Universidade Regional do Nordeste; em Administração Pública, em Ciências Contábeis e em Filosofia, na UFPB; e, por seis vezes, em Direito, duas na UFPB, uma na ASPER e três no UNIPÊ, conseguindo nessa última o bacharel.
Foi sócio efetivo da Academia de Letras e Artes do Nordeste Brasileiro e Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP), ingressando também00 na Academia Paraibana de Letras em 9 de agosto de 2006. Faleceu no dia 21 de junho de 2022, deixando seus vários livros premiados como legado de sua passagem pelo universo literário.
Otávio Sitônio publicou os livros: Elogio de Eros; Collor, a Raposa do Planalto, publicado em 1992; Caminhos de Toboso, em 1999; Sessão das Bruxas, em 2001; Deliciosos, prêmio de Melhor Livro de Crônicas em 2002 pela Academia Paraibana de Letras; Dom Sertão, Dona Seca, publicado em 2002, tendo ganhado três prêmios em concursos promovidos pela APL em 2001; e Dança do Urubu, que mereceu a Menção Honrosa da Associação Nacional de Escritores, em Brasília, em 2002.