CADEIRA Nº 35

2º SUCESSOR: ARIANO VILLAR SUASSUNA

BIOGRAFIA

ARIANO VILLAR SUASSUNA: Nasceu no Palácio da Redenção, na cidade de João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, no dia 16 de junho de 1927, e faleceu na cidade do Recife, Estado de Pernambuco, no dia 23 de julho de 2014. Era filho do Dr. João Urbano Pessoa de Vasconcelos Suassuna, então Governador do Estado da Paraíba, e de D. Rita de Cássia Vilar Suassuna. No dia 19 de janeiro de 1957, contraiu matrimônio com a senhora Zélia de Andrade Lima, uma união exemplar e indissolúvel da qual nasceram seis filhos: Joaquim, Maria, Manuel, Isabel, Mariana e Ana.

Após o trágico assassinato de seu pai na esteira dos acontecimentos políticos de 1930, sua família fixou residência no Sertão paraibano, onde Ariano realizou seus estudos primários no município de Taperoá, cenário telúrico que moldaria indelevelmente seu universo imaginário, estético e criativo. Transferiu-se posteriormente para o Recife, onde concluiu o curso secundário no tradicional Colégio Osvaldo Cruz. Ingressou nas lides jurídicas e bacharelou-se em Direito pela histórica Faculdade de Direito do Recife no ano de 1950, dedicando-se inicialmente à advocacia, sem jamais afastar-se de sua verdadeira vocação artística.

Pensador de vanguarda e defensor intransigente da identidade cultural brasileira, Ariano Suassuna consagrou-se internacionalmente como um dos maiores dramaturgos, romancistas, poetas, ensaístas e professores universitários do país. Na docência superior, lecionou Estética e História da Cultura na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), instituição onde também exerceu o cargo de Diretor do Departamento de Extensão Cultural. Na gestão pública, colocou sua erudição a serviço da sociedade ao assumir a Secretaria de Educação e Cultura da cidade do Recife e, anos mais tarde, a Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco. Sua capacidade de articulação institucional levou-o a figurar, em 1967, como membro fundador do Conselho Federal de Cultura e, em 1968, do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco.

No ano de 1970, Ariano Suassuna lançou as bases do histórico Movimento Armorial, iniciativa estético-cultural que propunha a criação de uma arte erudita brasileira a partir das ricas raízes populares do cancioneiro, do romanceiro, da literatura de cordel, da xilogravura e das festas tradicionais do Nordeste. Sua vasta e premiada produção literária revolucionou as letras e o teatro nacional, tornando-se objeto de estudo em inúmeras teses de mestrado e doutorado em universidades do Brasil e do exterior, além de ter sido traduzida para idiomas como o inglês, o francês, o alemão e o espanhol.

Nas artes cênicas, sua obra-prima O Auto da Compadecida (1955) converteu-se no texto dramático mais encenado e célebre do país, sendo agraciado com a Medalha de Ouro da Associação de Críticos Teatrais, láurea também concedida à brilhante comédia O Santo e a Porca. Aclamada pelo público e pela crítica, a saga de João Grilo e Chicó transcendeu os palcos e foi adaptada com estrondoso sucesso para o cinema em produções de longa-metragem. Conquistou ainda o Prêmio Vânia Souto de Carvalho com a peça O Casamento Suspeitoso. Na prosa ficcional, imortalizou-se com o monumental Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971), laureado com o Prêmio Nacional de Ficção do Ministério da Educação e Cultura, e com o aclamado História d’O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão: Ao Sol da Onça Caetana (1977), agraciado com o Prêmio José Conde.

Sua consagração definitiva no panteão das letras nacionais deu-se em 1989, quando foi eleito membro efetivo da prestigiada Academia Brasileira de Letras (ABL), passando a ocupar a Cadeira de nº 32, cujo patrono é Manuel Antônio de Almeida. Integrou também com igual destaque a Academia Pernambucana de Letras. Em sua terra natal, teve seu indiscutível mérito humanístico celebrado ao ser eleito para a Academia Paraibana de Letras (APL), onde tomou posse solenemente na Cadeira de nº 35 no dia 09 de outubro de 2000, ocasião em que a Casa de Coriolano de Medeiros o acolheu por meio do memorável discurso de recepção proferido pelo ilustre jurista, escritor e confrade Joacil de Brito Pereira. Ainda em reconhecimento ao seu imensurável legado à cultura regional, no ano de 2002, o artista foi outorgado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em solene e concorrida cerimônia realizada nos palcos do histórico Teatro Santa Roza, em João Pessoa.

PUBLICAÇÕES

  • Uma mulher vestida de sol
  • Os homens de barro
  • Auto de João da Cruz
  • Torturas de um coração ou Em boca fechada não entra mosquito
  • O arco desolado
  • O castigo da soberba
  • O rico avarento
  • O auto da compadecida
  • O casamento suspeitoso
  • O santo e a porca
  • O homem da vaca e o poder da fortuna
  • A pena e a lei
  • A farsa daboa preguiça
  • A caseira e a Catarina
  • A Pedra do Reino 
  • Príncipe de sangue do vai-e-volta
  • É de tororó 
  • Ode
  • Coletânea da poesia popular nordestina
  • Iniciação à estética
  • O movimento armorial
  • Seleta em prosa e verso 
  • Organização, estudo e notas do prof. Silviano Santiago