CADEIRA Nº 35

1º SUCESSOR: ODILON RIBEIRO COUTINHO

1º Sucessor: Odilon Ribeiro Coutinho (1923-2000)

Ocupação: Político (Deputado Federal), escritor, empresário, sociólogo e crítico literário

Eleito: 17/05/1980

Posse: 22/07/1994

Saudação: Edilberto Coutinho

BIOGRAFIA

ODILON RIBEIRA COUTINHO: Nasceu no antigo Engenho Central (atual Usina São João), no município de Santa Rita, Estado da Paraíba, no dia 12 de julho de 1923, e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no exato dia de seu septuagésimo sétimo aniversário, em 12 de julho de 2000. Era filho do Dr. João Úrsulo Ribeiro Coutinho e de D. Helena Pessoa Ribeiro Coutinho, fundadores daquela que se consagrou como a primeira usina de cana-de-açúcar implantada na várzea do rio Paraíba, no ano de 1888 — complexo agroindustrial ao qual se somaria, posteriormente, a Usina Santa Helena (antigo Engenho Pau d’Arco). Foi casado com a senhora Solange Veloso Borges Ribeiro Coutinho, união da qual nasceram três filhos: Odilon Filho, Eduardo e Gilberto. Após o seu falecimento na capital fluminense, seu corpo foi trasladado para João Pessoa, onde foi sepultado no histórico Cemitério do Senhor da Boa Sentença.

Nascido e criado no coração do ecossistema canavieiro do Brejo e da várzea paraibana, Odilon Ribeiro Coutinho vivenciou intimamente o mesmo cenário telúrico que inspirou o poeta Augusto dos Anjos. Como herdeiro e proprietário daquelas terras ricas em memória literária, assumiu para si o compromisso cívico e estético de preservar a célebre árvore de tamarindo, imortalizada nos versos do “poeta do Absurdo”.

Iniciou sua formação intelectual frequentando as salas de aula do Colégio Diocesano Pio X, em João Pessoa, e do tradicional Ginásio de São Bento, na cidade de São Paulo. Concluídos os estudos secundários, ingressou nas lides jurídicas e bacharelou-se em Direito pela histórica Faculdade de Direito do Recife.

Homem público de marcante atuação política e empresarial, dividiu suas atividades entre a Paraíba e outros estados da federação. Afastando-se temporariamente de sua terra natal, inseriu-se na vida pública do Rio Grande do Norte, estado pelo qual conquistou representatividade política ao eleger-se Deputado Federal. De volta à Paraíba, manteve-se firme na militância partidária e candidatou-se novamente à Câmara dos Deputados, dessa vez sob a legenda do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), agremiação da qual foi presidente do diretório estadual e cujos princípios programáticos defendeu com altivez, mesmo quando não obteve o êxito nas urnas. Intelectual de convicções profundas e defensor entusiasmado do sistema parlamentarista de governo, via no modelo a única alternativa viável para o Brasil, definindo-o como o instrumento capaz de operar “o fim do feudalismo moderno imposto pela inércia do presidencialismo semiditatorial”.

Para além de sua faceta de líder empresarial e político, Odilon Coutinho sobressaiu-se como um humanista polivalente, atuando com raro brilhantismo como escritor, crítico literário, sociólogo e conferencista de refinada eloquência e cativante afetividade. Pesquisador obstinado, produzia seus ensaios e reflexões movido pelo puro prazer do intelecto, sem a urgência ou a pretensão de submetê-los à edição comercial, razão pela qual sua bibliografia permaneceu dispersa por longo tempo. Esse valioso legado ensaístico só veio a público graças ao minucioso esforço de resgate documental empreendido pela professora e pesquisadora Ângela Bezerra de Castro, que localizou, catalogou e divulgou a relação completa de seus escritos nas páginas da Revista da Academia Paraibana de Letras (nº 16).

Em reconhecimento ao seu notório saber humanístico, à sua verve oratória e à sua inestimável contribuição à salvaguarda da memória cultural do estado, foi eleito membro efetivo da Academia Paraibana de Letras (APL). Tomou posse solenemente em sua Cadeira no dia 22 de julho de 1994, ocasião em que o sodalício o acolheu por meio do memorável discurso de recepção e saudação proferido pelo ilustre acadêmico, ficcionista e seu primo Edilberto Coutinho.

PUBLICAÇÕES

  • Gilberto Freyre ou o Ideário brasileiro (póstumo)