Fundador: Pe. Francisco Lima (1904-1972)
Ocupação: Professor e padre
Eleito: 06/06/1959
Posse: 30/08/1959
Saudação: Bôtto de Menezes
CÔNEGO FRANCISCO LIMA: Nasceu no município de Caiçara, Estado da Paraíba, em 20 de agosto de 1904, e faleceu na capital do Estado, João Pessoa, no dia 08 de junho de 1972. Iniciou seus estudos primários em sua terra natal sob a orientação do professor José Soares de Carvalho, transferindo-se posteriormente para a capital com o firme propósito de ingressar no Seminário Arquidiocesano. Concluiu o curso ginasial no tradicional Colégio Diocesano Pio X, instituição onde se destacou pelo brilho intelectual, sendo agraciado com Menção Honrosa e laureado por duas vezes com o Grande Prêmio de excelência estudantil.
No Seminário da Paraíba, realizou com invulgar brilhantismo os cursos superiores de Filosofia e Teologia. Homem de sólida formação humanística, bacharelou-se em Letras Clássicas pela Faculdade de Filosofia da Universidade Católica de Pernambuco (atual UNICAP, registrada na memória oral como Católica do Recife). Recebeu as ordens sacerdotais no dia 12 de março de 1932, pelas mãos do primeiro Arcebispo da Paraíba, Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques.
Paralelamente às suas obrigações eclesiásticas, construiu uma longa, respeitada e fecunda carreira no magistério e na gestão educacional e cultural do estado. Na Igreja, atuou como Coadjutor da Paróquia de Campina Grande e foi o zeloso Vigário das comarcas de Alagoa Grande e de Areia. Na administração pública e pedagógica, exerceu com reconhecida competência a Direção da Biblioteca Pública do Estado da Paraíba, além de ter dirigido o Colégio Pio XI (em Campina Grande) e o Colégio Diocesano Pio X (na capital).
Sua versatilidade intelectual permitiu-lhe reger cátedras das mais diversas disciplinas no ensino secundário e superior, lecionando Geografia, Corografia do Brasil, Língua Portuguesa, Latim, História da Civilização e Didática Especial em colégios de João Pessoa, Campina Grande e Areia. No Seminário da Paraíba, ministrou as disciplinas de Biologia, Apologética, Literatura Geral e História; regeu a cátedra de Português nas salas de aula do tradicional Lyceu Paraibano; e lecionou Língua e Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia da Paraíba e no Instituto Nossa Senhora de Lourdes.
Dotado de elevados predicados morais, o Cônego Francisco Lima era profundamente admirado por seu perfil singular. Figura folclórica e respeitada da intelectualidade paraibana, transitava pelos corredores do Lyceu vestindo sua tradicional batina preta, surrada pelo uso cotidiano, estampando um sorriso maroto que logo se desfazia ao cruzar o limiar da sala de aula. Ali, transformava-se no mestre austero, eloquente e imprevisível; desafiava o espírito criativo de seus alunos de Português ao propor temas de redação inusitados, como “um pingo d’água” ou “um canto de parede”. A docência universitária e o sacerdócio foram, segundo suas próprias palavras, as maiores glórias que alcançou em sua existência.
Consagrado pelos pares como um consciente e refinado intérprete dos fatos históricos regionais, integrou os quadros de sócios efetivos do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP). Em reconhecimento ao seu indiscutível mérito humanístico e literário, foi eleito membro efetivo da Academia Paraibana de Letras (APL). Tomou posse solenemente em sua Cadeira no dia 30 de agosto de 1959, ocasião em que a Casa de Coriolano de Medeiros o acolheu por meio do discurso de saudação proferido pelo ilustre acadêmico Geraldo Bôtto de Menezes.