1º Sucessor: João Lyra Filho (1906-1988)
Ocupação: Professor, sociólogo, historiador, orador, escritor, poeta, conferencista, ensaísta, jornalista, memorialista, jurista, financista, economista e desportista
Eleito: 02/10/1972
Posse: 04/05/1977
Saudação: Juarez Batista
JOÃO LYRA FILHO: Nasceu na cidade de João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, no dia 24 de abril de 1906, e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 29 de novembro de 1988. Era filho do ilustre economista e político João Lyra Tavares e de D. Rosa Amélia de Lyra Tavares. Foi casado com a senhora Maria Isabel de Lyra Tavares, união da qual nasceu o filho João Lyra Neto, que seguiu a carreira jurídica.
Iniciou seus estudos primeiras letras na capital paraibana, frequentando as salas de aula do Colégio Diocesano Pio X. Em 1918, aos doze anos de idade, acompanhou seus familiares na mudança para o Rio de Janeiro — então Distrito Federal —, ingressando inicialmente no Aldridge College. Por contingências econômicas, transferiu-se para o Colégio Santa Rosa, em Niterói, e, no ano seguinte, matriculou-se no Colégio Diocesano São José. Posteriormente, por recomendação médica que indicava a necessidade de uma mudança de clima por razões de saúde, foi internado no Colégio Leopoldinense, na cidade de Leopoldina, em Minas Gerais. Foi nesse período mineiro que travou enriquecedor contato com a professora Ester Fialho, viúva do poeta Augusto dos Anjos, convivência esta que despertou sua profunda admiração pela obra do “poeta do Absurdo” e marcou o início de sua própria vida literária, destacando-se desde jovem pela improvisação de discursos e colaboração em periódicos.
Bacharelou-se em Direito pela histórica Faculdade de Direito do Rio de Janeiro (atual UFRJ). No ambiente acadêmico, revelou sua verve jornalística e liderança ao fundar o semanário O Inocente, exercer a direção da Revista Acadêmica — órgão oficial de representação das escolas superiores — e atuar como redator literário de A Época, prestigiada revista dos estudantes de Direito. Construiu uma sólida carreira no magistério superior, lecionando em renomadas instituições como o Instituto Lafayette, a Escola Técnica Comercial do Instituto Brasileiro de Contabilidade e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (núcleo formador da atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ), instituição pela qual se aposentou com honras na cátedra.
Personalidade de uma versatilidade intelectual raramente igualada, João Lyra Filho consagrou-se como jurista, economista, sociólogo, historiador, financista, orador, memorialista, jornalista e ensaísta de vasto prestígio nacional, além de ter sido um dos pioneiros na teorização e estruturação do Direito Desportivo no país. Exerceu elevados cargos na administração pública, na assessoria técnica e financeira da República e na organização de grandes corporações nacionais, postos galgados invariavelmente por seu rigor técnico e mérito pessoal.
Por sua monumental folha de serviços prestados à cultura e às ciências humanas no país, recebeu inúmeras láureas e condecorações de Estados e nações estrangeiras. Foi outorgado com os títulos de Cidadão Carioca, Cidadão Honorário de Juiz de Fora e Cidadão Benemérito do Estado da Guanabara. No plano internacional, o governo de Portugal conferiu-lhe o Grau de Comendador da Ordem do Infante Dom Henrique, sua mais alta honraria. Recebeu ainda a Ordem do Mérito Estácio de Sá e as prestigiadas medalhas de mérito Rio Branco (Itamaraty), Roquette-Pinto, Anchieta e Sílvio Romero. Em sua terra natal, teve o mérito reconhecido ao ser agraciado com o título de Professor Honoris Causa da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e eleito Sócio-Honorário do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP). Integrou também os quadros da Academia Carioca de Letras.
Legou uma extensa e erudita produção bibliográfica que transita entre a poesia, a memória, a economia e o direito, com destaque para a publicação de sua detalhada e clássica biografia e análise crítica A Vida de Augusto dos Anjos.
Em reconhecimento ao seu indiscutível relevo na inteligência nacional, foi eleito membro efetivo da Academia Paraibana de Letras (APL). Ingressou solenemente no sodalício no dia 04 de maio de 1977, ocasião em que a Casa de Coriolano de Medeiros o acolheu por meio do memorável discurso de recepção e saudação proferido pelo ilustre acadêmico e crítico Juarez Batista e Silva.