1º Sucessor: Carlos Augusto Romero (1924-2019)
Ocupação: Professor, juiz e jornalista
Eleito: 13/10/1979
Posse: 26/06/1981
Saudação: Higino da Costa Brito
CARLOS AUGUSTO ROMERO: Nasceu no município de Alagoa Nova, Estado da Paraíba, vindo a residir na capital paraibana logo na infância, aos quatro anos de idade, e faleceu em João Pessoa, no dia 21 de junho de 2012. Era filho de José Augusto Romero e de D. Pia de Luna Freire. Foi casado em primeiras núpcias com a senhora Carmem Coeli, união da qual nasceram dois filhos: Carlos Augusto Romero Filho (professor de Física da UFPB) e Germano Gouveia Romero (arquiteto e professor de música). Em segundas núpcias, casou-se com a senhora Alaurinda Padilha.
Iniciou seus estudos de humanidades no tradicional Lyceu Paraibano. Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, foi convocado pelo Exército Brasileiro, ficando na iminência de seguir para o front na Itália, o que o compeliu a interromper temporariamente sua formação, retomada apenas em 1945. Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e, posteriormente, consolidou sua formação na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) com especializações em diversos ramos do Direito. Especializou-se também em Relações Públicas e concluiu o Curso sobre Segurança Nacional e Desenvolvimento, promovido pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).
Na magistratura e no Ministério Público, ingressou por meio de concurso público como Juiz de Direito, tendo atuado anteriormente como Juiz Substituto na comarca de Santa Rita e como Promotor Público na comarca de Areia. Também por via de concurso público, ingressou no magistério superior como professor da Faculdade de Direito da UFPB. Na esfera administrativa do Estado, exerceu a Subchefia da Casa Civil no governo de Pedro Gondim, oportunidade em que coordenou as comemorações cívicas do centenário de nascimento do presidente Epitácio Pessoa.
Homem de refinada sensibilidade artística e profundo devoto da música erudita, integrou a Sociedade de Cultura Musical e imortalizou-se como um dos fundadores da Orquestra Sinfônica da Paraíba (OSPB). Manteve por longos anos programas de música clássica na Rádio Tabajara da Paraíba, emissora da qual foi diretor-presidente e principal crítico musical. Integrou os quadros da Ordem dos Advogados do Brasil (Seccional Paraíba), da ADESG e do Conselho Estadual de Cultura.
No jornalismo e nas letras, iniciou sua colaboração no jornal oficial A União em 1945. No referido órgão, dirigiu o prestigiado suplemento literário Correio das Artes e manteve a célebre coluna diária “Notas do entardecer”, além da página semanal “Letras”, consagrando-se como um dos maiores cronistas da história paraibana. Estreou na literatura com o livro A dança do tempo, coletânea de crônicas de forte acento lírico e familiar inspirada em sua primeira esposa, Carmem. A obra foi objeto de profundo estudo acadêmico na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), motivando o ensaio crítico “O olhar mágico do pássaro mar”, publicado pelo professor Dr. José Mário da Silva em setembro de 2001.
De sua vasta e polivalente bibliografia, destacam-se os livros: A outra face de Beethoven, O milagre de Anchieta, A falência e sua evolução no Direito Brasileiro, O papa e a mulher nua, além de seus discursos institucionais (como Um médico entre dois mundos, proferido em sua posse na APL, e a saudação de recepção à acadêmica Mariana Soares). No teatro, escreveu a peça inédita O bom assaltante, elogiada pelo teatrólogo Raimundo Nonato Batista. Colaborador assíduo das revistas da APL, dedicou-se também à escrita de obras voltadas ao desenvolvimento humano e autoajuda.
Em reconhecimento à sua imorredoura contribuição à cultura do estado, foi eleito membro efetivo da Academia Paraibana de Letras (APL) para ocupar a Cadeira de nº 27. Tomou posse solenemente no dia 26 de junho de 1961, ocasião em que foi recepcionado com o discurso de saudação do acadêmico Higino da Costa Brito.