1º Sucessor: Francisco Pereira da Nóbrega (1928-2007)
Ocupação: Cronista
Eleito: 06/05/1980
Posse: 24/04/1981
Saudação: José Rafael de Menezes
FRANCISCO PEREIRA DA NÓBREGA: Nasceu no município de Nazarezinho, Estado da Paraíba, no dia 24 de abril de 1928, e faleceu na capital paraibana, João Pessoa, no dia 20 de janeiro de 2010. Realizou seus estudos primários e as primeiras letras na cidade de Cajazeiras, ingressando posteriormente no Seminário Arquidiocesano da Paraíba, em João Pessoa, onde concluiu sua formação eclesiástica inicial e foi ordenado sacerdote.
Dono de uma sólida e internacional bagagem acadêmica, transferiu-se para a Europa a fim de aprofundar seus estudos superiores. Em Roma, na Pontifícia Universidade Gregoriana, obteve os títulos de Licenciado e Mestre em Teologia Dogmática. Na França, frequentou as salas de aula da prestigiada Universidade Católica de Paris (Sorbonne), pela qual realizou estudos de Literatura e conquistou o título de Doutor em Filosofia. Suas andanças intelectuais por diversos países do continente europeu permitiram-lhe absorver profundamente a cultura e os costumes locais. Poliglota de rara competência, dominava com fluência os idiomas Português, Francês, Italiano, Espanhol, Alemão, Sueco e Grego Clássico.
No ano de 1968, após madura reflexão, solicitou sua dispensa dos deveres clericais e deixou o exercício do sacerdócio. Integrou-se de forma plena ao contexto político e social como cidadão civil, engajando-se nas grandes questões de sua época sem jamais abdicar de seus sólidos princípios humanísticos e de sua formação essencialmente cristã. No ano de 1971, constituiu família ao casar-se com a senhora Lígia Aparecida Moura Pereira Nóbrega, união da qual nasceram três filhos: Melissa, Marama e Francisco.
Homem de extrema simplicidade, desprovido de vaidades intelectuais e zeloso de sua privacidade, levou uma existência discreta e operosa, dividida entre o trabalho, o aconchego familiar e o recolhimento dos estudos. No jornalismo e nas letras, consagrou-se como um cronista de refinado tirocínio e profunda sensibilidade social. Suas crônicas cotidianas traziam à tona uma constante e genuína preocupação com os menos favorecidos pela sorte e com as mazelas decorrentes da injustiça social. Analisando o cotidiano sob o prisma rigoroso da filosofia, Pereira da Nóbrega conduzia o leitor a reflexões agudas e desveladas sobre a realidade humana. Colaborou ativamente com importantes órgãos de imprensa no país, tendo sido redator dos periódicos A Notícia, A Imprensa, Correio Braziliense (em Brasília) e do tradicional Correio da Paraíba, veículo onde manteve por longos anos uma concorrida coluna diária.
Em reconhecimento ao seu indiscutível mérito humanístico, à sua erudição filosófica e ao valor imperecível de sua prosa jornalística, foi eleito membro efetivo da Academia Paraibana de Letras (APL) para ocupar a Cadeira de nº 13. Tomou posse solenemente no dia 24 de abril de 1981, data de seu quinquagésimo terceiro aniversário, ocasião em que o sodalício o acolheu por meio do memorável discurso de saudação proferido pelo ilustre acadêmico e educador José Rafael de Menezes.