22 – Maciel Pinheiro

CADEIRA Nº 22 Maciel Pinheiro Patrono: Luís Ferreira Maciel Pinheiro (1839-1889) Fundador: Demócrito de Castro e Silva (1913-1996) 1º Sucessor: Jomar Morais Souto (atual ocupante) BIOGRAFIA Luís Ferreira MACIEL PINHEIRO: Nasceu em 11 de dezembro de 1839, na capital do Estado da Paraíba e faleceu em 09 de novembro de 1889, em Recife, capital do Estado de Pernambuco. Era filho de Braz Ferreira Maciel e D. Margarida Maciel Pinheiro; em 1879, casou-se com Isabela de Castro, tendo nascido da união os filhos : João, Tomaz e Luís. Fez os estudos primários , colegiais e humanidades na cidade natal, ingressando, a seguir, na Faculdade de Direito do Recife, Escola que, na época, abrigava a intelectualidade da região. Entre os contemporâneos de Maciel Pinheiro, encontramos nomes de expressão, como Castro Alves, Tobias Barreto, Martins Junior e Fagundes Varela que, inspirados nos princípios filosóficos de Victor Hugo, ansiavam por uma reforma política e social para o Brasil. Eram românticos e idealistas. Encontravam-se nessa expectativa, quando explodiu a guerra do Brasil com o Paraguai e, sem hesitar, Maciel pinheiro, num ato de bravura, interrompeu os estudos e inscreveu-se como voluntário para ir defender a Pátria Ao regressar sentia-se frágil, com a saúde ameaçada, mas a sua coragem ajudou-o a . restabelecer-se , retomando logo os estudos,graduando-se em 1887. Exerceu a Promotoria Pública de Santo Antônio da Patrulha , no Rio Grande do Sul; Juiz Substituto em Recife; Juiz em Imperatriz, Ceará. Retornando a Pernambuco, assumiu o cargo de Juiz em Taquaritinga , e em Timbaúba, transferindo-se, em seguida, como Juiz, para o interior do Pará. Maciel Pinheiro sobressaiu-se como jornalista. Ainda estudante fundou e dirigiu o jornal científico-literário O Futuro, uma espécie de porta-voz dos anseios da mocidade e que tinha como redatores Castro Alves e Martins Júnior; foi diretor de A Província, jornal abolicionista, sendo o seu maior colaborador Joaquim Nabuco. Em 1º de junho de 1889, juntamente com Martins Júnior, Maciel Pinheiro fundou O Norte, jornal que circulou até 12 de novembro desse ano, tornando-se o mais eficiente meio de divulgação da campanha republicana. Maciel Pinheiro, assim como os seus companheiros, sonhava com a República, lutou bravamente pela queda do regime imperial. Infelizmente, faleceu seis dias antes do ato histórico do Marechal Deodoro. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS : ALBUQUERQUE, Durwal. Discurso de recepção, In: Revista da APL, nº 05, 1949. MENEZES, José Rafael de. Paraibanos em distinções na faculdade de direito. João Pessoa: Universitária, 1977. SILVA, Demócrito de Castro e. Discurso de posse, In: Revista da APL, nº 05, 1949.
21 – Maximiano Machado

CADEIRA Nº 21 Maximiano Machado Patrono: Maximiano Lopes Machado (1821-1895) Fundador: José Lopes de Andrade (1914-1980) 1º Sucessor: Epitácio Soares (1915-1988) 2º Sucessor: Flávio Sátiro Fernandes (1942-2023) 3ª Sucessora: Neide Medeiros Santos (atual ocupante) BIOGRAFIA MAXIMIANO Lopes MACHADO : Nasceu no dia 07 de agosto de 1821, na capital do Estado da Paraíba e faleceu em Recife, a 11 de fevereiro de 1895; filho de Manuel Lopes Machado e D. Joaquina de Albuquerque Machado. Iniciou os estudos num convento do Recife , formando-se em Direito pela Faculdade de Olinda, exercendo, a seguir, a Promotoria Pública desta cidade. Em 1847, foi nomeado Juiz Municipal e Delegado da cidade de Areia; no ano seguinte, aderiu à Rebelião Praieira, movimento revolucionário liderado por Nunes Machado, que morreu em combate. Ferido, Maximiano refugiou-se no Engenho Pureza, onde foi preso e transportado para a cidade do Recife. Mais tarde, foi anistiado e mudou-se para Campina Grande, reiniciando as suas atividades. Exerceu a advocacia e ingressou na política, elegendo-se Deputado Provincial. Transferiu-se, depois, para Recife, dedicando-se ao magistério. Maximiano Lopes Machado foi professor, jornalista, político e advogado. Todavia, destacou-se como historiador. Coube a ele o mérito de escrever a primeira História da Província da Paraíba, fundamentada em documentos estudados e pesquisados criteriosamente e, inteligentemente interpretados, dando a sua obra um caráter científico, abrindo, assim, o caminho para novos pesquisadores. Durante o tempo em que esteve foragido, dedicou-se a novas pesquisas sobre a história da Paraíba e escreveu, também: A história da Revolução Praieira; A Paraíba e o Atlas do Dr. Cândido Mendes e Carta Geográfica da Paraíba. Maximiano Machado era membro do Instituto Arqueológico Pernambucano. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ANDRADE, José Lopes de. Discurso de posse, In: Revista da APL, nº 05, 1949. BITTENCOURT, Liberato. Homens do Brasil, vol. II Parahyba (Paraibanos ilustres); Rio de Janeiro: 1914.
28 – Pe. Lindolfo Correia

CADEIRA Nº 28 Pe. Lindolfo Correia Patrono: Pe. Lindolfo José Correia das Neves (1819-1884) Fundador: Apolônio Carneiro da Cunha Nóbrega (1909-1967) 1º Sucessor: Milton Ferreira Paiva (1923-2002) 2º Sucessor: Mons. Marcos Augusto Trindade (1928-2021) 3º Sucessor: Rui Cézar de Vasconcelos Leitão (atual ocupante) BIOGRAFIA LINDOLFO José CORREIA das Neves : Nasceu na capital do Estado da Paraíba, em 05 de agosto de 1819 e faleceu em 19 de maio de 1884; filho do major de infantaria José Maria Correia e D. Maria Rita de Lima. Aos cinco anos de idade foi morar em Portugal, fazendo , aí, os estudos fundamentais: Voltou ao Brasil e matriculou-se no seminário de Olinda, por influência da avó materna; foi ordenado padre em 10 de outubro de 1843. Sem muita vocação para o clero, decidiu-se pela carreira jurídica, bacharelando-se em Direito pela Faculdade de Direito de Olinda. Retornou à cidade natal, passando a exercer a advocacia e o jornalismo.Em 1862, fundou O Publicador, primeiro jornal que circulou diariamente, na Paraíba; caracterizou-se pelas polêmicas travadas entre os outros órgãos de imprensa e que eram rebatidas e ridicularizadas pelo Bossuet da Jacoca, de Cardoso Vieira; dirigiu O Polimático e foi redator de O Liberal, semanário editado em 1877. O Pe. Lindolfo foi Deputado Provincial e Deputado Geral em várias legislaturas, tornando-se conhecido pela eloqüência dos seus discursos, feitos de improviso, com senso jurídico e independente.. Exerceu as funções: Secretário de Governo, Procurador Geral da Tesouraria da Fazenda, professor de Filosofia e Álgebra do Lyceu Paraibano. Sócio fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Olinda, Membro da Sociedade Auxiliadora do Instituto Nacional; agraciado com a Comenda da Ordem Imperial da Rosa, em 21 de março de 1860. Escreveu: Jesus Cristo e os filósofos; A vida humana; O plágio e Ensaios filosóficos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: LIMA, Albertina Correia. Traços biográficos de Lindolfo Correia Neves. In: Revista do Inst. Hist. e Geográfico Paraibano, nº 12, 1953. NÓBREGA, Apolônio. Discurso de posse na APL. In: Revista da APL, nº 07, 1960.
27 – Pe. Azevedo Júnior

CADEIRA Nº 27 Pe. Azevedo Júnior Patrono: Pe. Francisco João de Azevedo Júnior(1814-1880) Fundador: Lauro Lyra Neiva (1904-1974) 1º Sucessor: Carlos Augusto Romero (1924-2019) 2º Sucessor: Roberto Cavalcanti Ribeiro (atual ocupante) BIOGRAFIA Francisco João de Azevedo Júnior (Pe. Azevedo) : Nasceu em 04 de março de 1814, na capital do Estado da Paraíba e faleceu na capital pernambucana, em 26 de julho de 1880; filho do português Francisco João de Azevedo e D. Ana Maria de Azevedo, brasileira. Aprendeu a arte tipográfica, ajudando seu pai que trabalhava numa máquina trazida da Inglaterra pelo Presidente do Estado, tomando interesse pela profissão. Com o falecimento do pai, atrasou um pouco os estudos, pois, precisava trabalhar para completar o orçamento da família. Quando o Imperador implantou um Curso Secundário, na Paraíba, permitindo que os jovens complementassem os estudos, é que Francisco Azevedo pôde concluir os estudos. Desse curso, mais, tarde, originou-se o Lyceu Paraibano. Em 1835, ingressou no Seminário de Olinda, através, de D. João da Purificação; foi ordenado padre, em 1838, tendo contado com a ajuda da maçonaria para esse fim. Celebrou a sua primeira missa em Olinda e, posteriormente, retornou à Paraíba. Em 1841, acusado de participar de uma conspiração contra o Presidente Rodrigues Alves, foi muito perseguido. Refugiou-se em Recife, tendo as suas ordens suspensas, pelo fato de ter recebido ajuda da Maçonaria quando estudante. Para sobreviver, dedicou-se ao magistério . Fundou uma escola, à Rua do Rosário, em Recife, depois, transferiu-se para a Praça das Cinco Pontas; lecionava do curso primário aos preparatórios, incluindo línguas estrangeiras e Geometria, mantendo, também, um internato para os alunos que viessem de outras localidades; fundou a Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais, com reconhecimento do Governo e aprovação do Império; foi professor de Música e de Composição Tipográfica, no Arsenal da Marinha, quando teve a oportunidade de desenvolver e aperfeiçoar-se nas artes mecânicas e gráficas e nas gravações de metais, no que era exímio. Foi quando projetou a sua máquina de escrever que foi exposta , em 1861, numa exposição realizada no Palácio do Governo de Pernambuco, onde foram apresentados trabalhos pelos representantes de Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. A invenção do Pe. Azevedo foi a que maior interesse despertou entre os visitantes. Infelizmente, por falta de recursos e de interesse pelas autoridades, a sua patente caiu em mãos estrangeiras. Além da máquina de escrever, Pe. Azevedo criou uma máquina taquigráfica, denominada por ele, como “a máquina de fazer discurso”. “Pobre, sem auxílio, batido por toda sorte de vicissitudes, foragido, hoje, sem ordens amanhã, passeou com o seu invento até à capital do país, mostrou-o a todo o mundo, alcançando unicamente uma medalha de ouro, concedida pelo Ministro do Estado, o Marquês de Olinda, tendo, antes, sem proveito, exposto a sua invenção no certame que se realizou em Pernambuco, em 1861, apesar do júri ter reconhecido Invento Superior”. (Coriolano de Medeiros). Trabalhos publicados: Esclarecimento sobre a máquina de escrever; Conferências públicas; Deus é pátria; Carta (sobre os inventos); A notícia; Trabalho e virtude. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: MARTINS, Eduardo. Padre Azevedo, sua vida, seus inventos. João Pessoa: 1983. NEIVA, Lauro Lyra. Discurso de posse. João Pessoa: 1972.
26 – Pe. Inácio Rolim

CADEIRA Nº 26 Pe. Inácio Rolim Patrono: Pe. Inácio de Souza Rolim (1800-1889) Fundador: Mathias da Silva Freire (1882-1947) 1º Sucessor: Mons. Pedro Anísio Bezerra Dantas (1883-1979) 2º Sucessor: Tarcísio de Miranda Burity (1938-2003) 3º Sucessor: Antônio Juarez Farias (1933-2021) 4º Sucessor: Manoel Hélder de Moura Dantas (atual ocupante) BIOGRAFIA INÁCIO de Souza ROLIM : Nasceu no dia 02 de agosto de 1800, no Sítio Serrote, município de Cajazeiras, Estado da Paraíba e faleceu em 16 de setembro do ano de 1889, também, em Cajazeiras; era filho do Coronel Vital Rolim e Ana de Albuquerque Rolim, conhecida por “mãe Aninha”. Inácio Rolim iniciou os estudos em Fortaleza, Ceará, no ano de 1817; ingressando no Seminário de Olinda, em 1822, e foi ordenado padre em outubro de 1825; no ano seguinte, já era Reitor deste Seminário. Lecionou Latim e Grego em escolas dos Estados de Pernambuco e Ceará; foi convidado pelo Imperador para lecionar no Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, porém, recusou o convite preferindo cuidar da educação dos jovens e carentes sertanejos. O padre Rolim era poliglota. Além das línguas neolatinas, ele dominava o sânscrito, o hebraico, o tupi-guarani, o inglês e o alemão. Era inteligente, liberal e criativo. Fundou um curso, em Cajazeiras, para ensinar línguas e Matemática, originando-se , daí, o Colégio Pe. Rolim, que ficou famoso em todo o Brasil, acorrendo para este educandário jovens que se tornaram celebridades em nossa história, entre estes, citamos: Pe. Cícero Romão, o conhecido “Padim Ciço”, D. Joaquim Arcoverde, primeiro Cardeal da América Latina; Paulo Primo, chefe do Partido Liberal durante a Monarquia; Dr. José Peregrino de Araújo, Presidente da Paraíba, no período de 1900 a 1904; Irineu Joffily e o historiador Capistrano de Abreu. A atuação do Pe. Rolim na Região Nordeste foi marcada por feitos notáveis, para a época. Qual um bandeirante, ele desbravou os sertões áridos, semeando cultura, alfabetizando, catequizando crianças e jovens, sendo comparado ao virtuoso Pe. Anchieta. Destacou-se na agricultura, realizando pesquisas, na busca de soluções alternativas de produção e irrigação, defendendo, ardorosamente, a ecologia. Era vegetariano. Foi condecorado com a Comenda da Rosa e a Comenda de Cristo. Escreveu uma Gramática Latina, editada em Paris, e um Tratado de Filosofia e Retórica. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BARBOSA, Co. Florentino. Relíquias do Pe. Rolim, pertencentes ao Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, In: Revista do IHGP, vol. 10, 1946.
25 – Peryllo de Oliveira

CADEIRA Nº 25 Peryllo de Oliveira Patrono: Severino Peryllo de Oliveira (1898-1930) Fundador: João Lelis de Luna Freire (1909-1954) 1º Sucessor: José Rafael de Menezes (1924-2009) 2º Sucessor: Astênio César Fernandes (atual ocupante) BIOGRAFIA Severino PERYLLO DE OLIVEIRA: Nasceu no dia 04 de dezembro de 1898, em Cacimba de Dentro, município de Araruna, Estado da Paraíba e faleceu na capital do Estado, em 26 de agosto de 1930; filho de Almeno Peryllo de Oliveira e D. Josefa Maria de Oliveira . Morreu solteiro. Nunca freqüentou escolas. Aprendeu as primeiras letras, enquanto trabalhava como caixeiro de uma mercearia, sozinho e sem nenhuma orientação, o que não o impediu de transformar-se, mais tarde, no grande jornalista, poeta e literato. Iniciou a vida como ator, carreira que seguiu por mera casualidade. Encontrava-se em Araruna um pequeno circo administrado pela atriz Irene Concepitini; Peryllo sentindo-se atraído pela atriz, integrou-se ao grupo e seguiu a caravana, Brasil afora. Apresentou-se como ator, nesta companhia, em quase todos os Estados do Brasil, tornando-se famoso e requisitado por outras produtoras. Na capital, em março de 1923, apresentou-se no teatro Santa Rosa, no papel principal da peça Água mole em pedra dura…, com muito sucesso. Deixando o palco, voltou ao seu Estado natal, instalando-se na capital, dedicando-se à literatura e ao jornalismo, tornando-se conhecido como um dos maiores incentivadores do movimento de renovação literária do Brasil Em 1952, exercia funções burocráticas na Secretaria Geral do Estado e,a convite do poeta Silvino Olavo, integrou-se à redação de O Jornal, órgão recém-criado. Colaborou, também, em A União e foi redator da Revista Era Nova, A sua produção literária é caracterizada pelo lirismo e por uma profunda melancolia.. Publicou: Desconhecida (novela), 1924; Canções que a vida me ensinou (livro de estréia), 1925; Caminho cheio de sol (poesia), 1928; A voz da terra (poema), 1930. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: CASTRO, Oscar de Oliveira. Vultos da Paraíba. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional,1955. MARTINS, Eduardo. Peryllo Doliveira – obra poética. João Pessoa: 1983. PINTO, Sérgio de Castro. Coletânea de autores paraibanos, João Pessoa: 1988.
24 – Pedro Américo

CADEIRA Nº 24 Pedro Américo Patrono: Pedro Américo Figueiredo Mello (1843-1905) Fundador: Horácio de Almeida (1896-1983) 1º Sucessor: José Jóffily Bezerra de Mello (1914-1994) 2º Sucessor: Evaldo Gonçalves de Queiroz (1933-2025) 3º Sucessor: Francisco das Chagas Gil Messias (atual ocupante) BIOGRAFIA PEDRO AMÉRICO Figueiredo Mello : Nasceu na cidade de Areia, Estado da Paraíba, em 29 de abril de 1843 e faleceu na cidade italiana de Florença, no dia 07 de outubro de 1905; foi sepultado em João Pessoa, em abril do ano seguinte. Era filho de Daniel Eduardo de Figueiredo Mello e D. Feliciana Cirne de Figueiredo; casado com D. Carlota , filha do pintor e poeta Manuel de Araújo Porto Alegre. Estudou em Areia, tendo sido aluno do latinista Joaquim da Silva. Originário de uma família de aristas, Pedro Américo herdou dos seus ascendentes o gosto pelas artes, sendo dotado de um extraordinário talento.; quando criança, estudou música com o avô, integrava o coral da igreja e já desenhava retratos e paisagens . A figura de um galo, desenhada na parede do estabelecimento do seu pai, despertou a curiosidade do desenhista alemão Bindsel, que visitava a cidade com um grupo de cientistas liderados pelo naturalista Jacques Brunet .O desenhista admirou-se com a firmeza dos traços e a riqueza de detalhes do desenho e, sabendo da situação financeira da criança, apelou às autoridades para que ajudassem àquela criança a desenvolver o seu talento, conseguindo meios , através do Governo Geral, para que ele pudesse freqüentar uma escola. No final de 1854, Pedro Américo seguiu para o Rio de Janeiro, protegido pelo Governo Imperial , a fim de matricular-se no Colégio D. Pedro II, onde fez os preparatórios e ingressou na Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro, sendo considerado pelo diretor “a glória da Academia”. Com o fim de aperfeiçoar-se, embarcou para a Europa. Em Paris, estudou na Academia de Belas Artes, no Instituto de Física de M. Ganot e na Sorbone.Conheceu os maiores centros culturais do mundo; na Europa, ele foi muito prestigiado, teve a sua arte reconhecida. Era doutor em Ciências Naturais pela Universidade de Bruxelas, tendo sido professor adjunto desta Universidade. . Antes de ir ao Velho Mundo, lecionou na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro e Deputado Geral pela Paraíba. Recebeu as honrarias de Grão Cavaleiro da Ordem Romana do Santo Sepulcro e Cavaleiro da Coroa da Alemanha ; pertencia a várias associações culturais. Além de pintor, foi romancista, poeta, orador, cultor da Filosofia e da Ciência, mas, consagrou-se como pintor. Seus quadros mais conhecidos: O grito do Ipiranga; A Batalha do Avaí; A Batalha de Campo Grande; O consertador de bandolim; A rabequista árabe; O passo da pátria; Tiradentes esquartejado; David e Absag; Judith e Holofernes; Jacob e Moisés; O voto de Heloísa; A primeira culpa; O noviciado; Mater dolorosa;; A mulher de Putifar; Joana D’Arc; Cristo menino; Cristo diante de Pilatos; Cristo morto; Cristo ressuscitado; Paz e concórdia; Honra e pátria; A noite com os gênios do amor e do estudo. Retratos: Araújo Porto Alegre; D. Carlota; Conde D’Eu; Inez de Castro; D. João VI; D. Pedro II e D. Pedro I. Paisagens: A cascata; Uma rua no Tânger; Paisagem árabe; Paisagem de aspecto africano. Romances: O holocausto; Na cidade eterna e O foragido. Literatura: La reforme de l’Academie de Beaux-Arts; La science et les systemes; Hypothese relativa à causa do phenomeno chamado luz zodiacal. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ALMEIDA, Horácio de. Pedro Américo-notícias bibliográficas, João Pessoa: 1982. BITTENCOURT, Liberato. Homens do Brasil, vol. II, Parahyba, Rio de Janeiro, 1914. RIBEIRO, Domingos. Pedro Américo e a música. João Pessoa: 1982. VASCONCELOS, Amaury. Pedro Américo-gênio não só na pintura. João Pessoa: 1982.
23 – Neves Júnior

CADEIRA Nº 23 Neves Júnior Patrono: Theodomiro Ferreira Neves Júnior (1875-1940) Fundador: Álvaro Pereira de Carvalho (1885-1952) 1º Sucessor: Aurélio Moreno de Albuquerque (1912-1981) 2º Sucessor: Abelardo de Araújo Jurema (1914-1999) 3ª Sucessora: Mariana Cantalice Soares (1947-2010) 4º Sucessor: Paulo de Tasso Benevides Gadelha (1942-2013) 5ª Sucessora: Maria de Fátima Moraes Bezerra Cavalcanti Maranhão (atual ocupante) BIOGRAFIA Theodomiro Ferreira NEVES JÚNIOR: Nasceu no dia 14 de agosto de 1875, na capital do Estado da Paraíba e faleceu em 30 de dezembro de 1940, no Rio de Janeiro. Fez os preparatórios na Paraíba, transferindo-se, a seguir, para o Recife com a intenção de freqüentar a Escola de Direito, por motivos desconhecidos não concluiu o curso, decidindo-se pelo magistério particular; para este fim, instalou uma escola em sua residência , à Rua Treze de Maio; mais tarde, optou pelo comércio e, ainda jovem, aprendeu o ofício de tipógrafo. Mesmo sendo um bom redator, não foi propriamente um jornalista, identificava-se mais com o sociológico e a poesia. Começou a publicar os seus poemas em A União Tipográfica e na Gazeta da Manhã. A poesia de Neves Junior, de acordo com a opinião de Álvaro de Carvalho “expressa sempre uma poesia íntima, comedida, desalentada, quase sempre triste, e por vezes, suavemente irônica, lembrando influências de Quental”. Em 1905, ao lado de Ascendino Cunha, Neves Junior fundou o Instituto Maciel Pinheiro mas, com o surgimento do Colégio pio X, o Maciel Pinheiro não sobreviveu, e o seu fundador foi trabalhar na firma Brito Lira e Cia;.em 1927, seguiu para o Rio de Janeiro, passando a exercer o magistério, investindo, também, numa indústria de produtos químicos. Dez anos mais tarde, sem família e doente, foi acolhido pelo amigo Agripino Nazareth até o seu falecimento. Publicou somente um livro: Arestas. Nesse livro ele reuniu os seus melhores poemas, sendo os mais conhecidos: Fugidia, Funda Mudez, Harmonias perdidas, Rimas Facetas, Canção e Retorno. Foi um poeta romântico, amargurado, introspectivo. Fala-se de um amor platônico que ele sentia por uma jovem loura, sua grande paixão fracassada, o que se faz sentir em suas poesias. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BITTENCOURT, Liberato. Homens do Brasil, vol. 02, PARAHYBA. Rio de Janeiro:1914. CARVALHO, Álvaro de. Neves Júnior, In: Revista da APL, nº03, João Pessoa: 1948.
37 – Allyrio Wanderley

CADEIRA Nº 37 Allyrio Wanderley Patrono: Allyrio Meira Wanderley (1906-1955) Fundador: Eduardo Martins da Silva (1918-1991) 1º Sucessor: Luiz Gonzaga Rodrigues (atual ocupante) BIOGRAFIA ALLYRIO Meira WANDERLEY: Nasceu em 22 de outubro de 1906, na Fazenda Campo Comprido, município de Patos, Estado da Paraíba; filho de Francisco Olido Monteiro Wanderley e D. Ignácia Maria Meira Wanderley. Faleceu em 15 de janeiro de 1955, nesta capital. Aos cinco anos de idade, Allyrio já estava quase alfabetizado, foi matriculado no Colégio João XXIII, de Patos, em 1912, onde concluiu o curso primário; veio para a capital do Estado como aluno interno do Colégio Pio X, deixando o internato antes da conclusão do curso por motivos de saúde. Apesar do pouco tempo que passou no Pio X, Allyrio deixou, ali, marcada a sua presença por desavenças e incidentes com os professores, causando-lhe profunda mágoa que ele desabafa num seu depoimento: “nesse colégio, conheci a vida em todos os seus aspectos. E data desse tempo o encontro com as minhas primeiras injustiças, a minha melancolia e o meu desengano, brotados para sempre aos treze anos”. Estas ocorrências contribuíram para estimular a sua carreira literária, por esse tempo, escreveu o livro de poemas Destinos. Instalou-se na capital pernambucana, onde concluiu o curso secundário; daí, foi para São Paulo e, depois, para o Rio de Janeiro. O acadêmico Eduardo Martins, em seu discurso de posse na APL, faz referências a algumas viagens feitas por Allyrio Wanderley à Europa e a um curso de Filosofia na Alemanha. No entanto, pessoas idôneas que o conheceram pessoalmente, afirmam desconhecer estes fatos e dizem que Allyrio foi um autodidata, homem muito inteligente e criativo. Contava histórias fabulosas vividas por ele, frutos, talvez, de um sonho irrealizado. Ele era jornalista, romancista, poeta, teatrólogo e deixou uma vasta e importante bibliografia; colaborou nos jornais do Sul do País, sendo os principais: A Razão, 1931; Correio de São Paulo; Correio Paulistano; O Dia; A Gazeta; A Platéia; Ação Livre e Revista de São Paulo, em São Paulo; No Rio de Janeiro, escreveu, em: O Radical, Don Casmurro; A Manhã; em Maceió: A Gazeta de Alagoas; em João Pessoa: O Estado da Paraíba; A União; O Norte PN-Publicidades e Negócios; Correio da Paraíba (1953) e Paraíba Agrícola. Além de artigos em jornais e conferências, publicou os livros: Sol criminoso (romance); Os brutos (romance); As bases do separatismo (sociologia); Bolsos vazios (romance) Os carneiros cinzentos (crítica): Inéditos: Janjão doutor (comédia); O lume no alcantil (drama); Cães sem dono (romance); Serões de uma traça (crítica); A seara do próximo (crítica); As formigas (romance); Espinho branco (romance) Uma lira também se quebra (farsa em três atos). REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: MARTINS, Eduardo. Allyrio Wanderley – cadeira 37. Discurso de posse. João Pessoa: 1971.
38 – Américo Falcão

CADEIRA Nº 38 Américo Falcão Patrono: Américo Augusto de Souza Falcão (1880-1942) Fundador: Nelson Lustoza Cabral (1900-1981) 1º Sucessor: José Cavalcanti (1918-1994) 2º Sucessor: Luiz Nunes Alves (atual ocupante) BIOGRAFIA AMÉRICO Augusto de Souza FALCÃO: Nasceu em 11 de fevereiro de 1880, à sombra dos coqueirais da belíssima praia de Lucena, no Estado da Paraíba; filho de Mariano de Souza Falcão e D. Deolinda Zeferina de Carvalho Falcão. Faleceu em João Pessoa, em 09 de abril de 1942. Casado, em primeiras núpcias, com D. Maria Eugênia de Alencar, tendo nascido dessa união uma filha que recebeu o nome de Marluce (nome inspirado no mar de Lucena: mar-luce). Ficando viúvo, em 1912, casou-se com D. Elvira Natália Fernandes, tendo nascido mais quatro filhos: João Leomax, Marlinda Augusta, Durvalina Lucemar e Maurisa. Américo Falcão fez o curso primário em Lucena e os preparatórios no Lyceu Paraibano, bacharelando-se em Direito pela Faculdade do Recife, em 1908. Exerceu a advocacia por algum tempo e, a seguir, ingressou no serviço público e no jornalismo; dirigiu a Biblioteca Pública e o Arquivo do Estado; colaborou nos jornais da época, ao lado de Arthur Achiles, Carlos Dias Fernandes, Mathias Freire, Coriolano de Medeiros Álvaro de Carvalho e vários outros nomes de igual relevo. Colaborava, também, no jornal Nonevar “’Órgão do Amor, da Graça e da Beleza”, primeiro jornal de festa editado na capital e que circulava durante a Festa de Nossa Senhora das Neves, padroeira da cidade. Américo Falcão era o responsável pela coluna Croquis, onde eram perfilados, jocosamete, jovens da sociedade pessoense Opinião do acadêmico Humberto Nóbrega sobre Américo Falcão: “Era um artista nato. Sua arte não emergia das lágrimas de outros poetas, mas promanava daquela romântica Lucena, cheia de sussurros e gemidos do velho mar, agitada pelo “leque de coqueiros” eternamente beijada pelos lampejos do luar”. Américo Falcão compunha quadrinhas, sendo a mais conhecida: “Não há tristeza no mundo Que se compare à tristeza Dos olhos de um moribundo Fitando uma vela acesa.” Obras publicadas: Náufrago, 1914; Visões de outrora, 1924; A rosa de alençon, 1928; Soluços de realejo, 1934; (dividido em três partes: Harmonias errantes, Visões praieiras e miragens idas). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ALMEIDA, Horácio de. Contribuição para uma bibliografia paraibana.Rio de Janeiro: 1972. LELIS, João. Américo Falcão, In: Revista da APL. João Pessoa, nº 03, João Pessoa: 1948- NÓBREGA, Humberto. Augusto dos Anjos e sua época. João Pessoa: 1962.