Maria das Graças Madruga Paiva Santiago

Maria das Graças Madruga Paiva Santiago, natural de João Pessoa – Paraíba. FORMAÇÃO ACADÊMICA: Licenciatura em Historia. Universidade Federal da Paraíba. Curso de Especialização em Cultura Brasileira em nível de Pós – Graduação. Curso de Mestrado em Educação da Universidade Federal da Paraíba. Concluído em dezembro de 1981. EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL Professora do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal da Paraíba. Anos 1975, 1976, 1977. João Pessoa. Coordenadora do Curso de Educação Artística do Departamento de Artes e Comunicação da UFPB. Chefe do Departamento de Artes e Comunicação (DAC) da UFPB. Membro Titular do Conselho Estadual de Entorpecentes da Paraíba (CONENPB). Membro da Academia Paraibana de Filosofia. Membro da Academia de Letras e Artes do Nordeste – ALANE-PB. Membro da União Brasileira de Escritores – UBEPB. PUBLICAÇÕES: Alcoolismo Por que tanto Silêncio? João Pessoa: A União, 1985. Luzia Simões Bartolini.João Pessoa: União, 2000. O Problema da Descriminação das Drogas no Brasil. Revistas de Ciências da Saúde Nova Esperança, 2003, Paginas 113 a 140. Numa noite de Luar ( Conto).Revista Letras. Coletânea Literária publicada pela Universidade Federal da Bahia, 1979. ASSOCIAÇÕES DE QUE PARTICIPA Academia Paraibana de Letras Academia de Letras e Artes do Nordeste – ALANE-PB Academia de Filosofia da Paraíba União Brasileira de escritores – UBE-PB Marcos di Aurélio Gomes de Carvalho –Cadeira 25 – João Lelis

Nº 30 – (2º SUCESSOR) SITÔNIO PINTO

CADEIRA Nº 30 2º SUCESSOR: OTÁVIO SITÔNIO PINTO Patrono: Santo Estanislau Pessoa de Vasconcelos (1860-1933) Fundador: Francisco Barbosa Coutinho Filho (1898-1976) 1º Sucessor: Pedro Moreno Gondim (1914-2005) 2º Sucessor: Otávio Sitônio Pinto Pereira (1945-2022) 3º Sucessor: José Nunes da Costa (atual ocupante) 2º Sucessor: Otávio Sitônio Pinto Pereira (1945-2022) Ocupação: Publicitário Eleito: 09/02/2005 Posse: 09/08/2006 Saudação: Luiz Augusto Crispim Saudação: Osias Nacre Gomes BIOGRAFIA Otávio Augusto Pereira Sitônio Pinto nasceu em Princesa Isabel, em 6 de maio de 1945, filho de Otávio Sitônio da Silva, oriundo da família Genipapo de Misericórdia, do Vale do Piancó, e de Carmélia Pereira Sitônio Pinto. Sua mãe, Carmélia Pereira Sitônio Pinto, era sobrinha do deputado e coronel José Pereira Lima, que proclamou o Território de Princesa, estopim do movimento de 1930. Além disso, era neto de Joana Pereira Lima Sitônio, irmã de José Pereira Lima, comandante da famigerada Guerra de Princesa, deflagrada no contexto da Revolução de 1930. Sitônio Pinto veio, quando criança, para a capital, onde iniciou seus estudos no Grupo Escolar Epitácio Pessoa, com as mestras Adamantina Neves e Lourdes Carvalho. Nessa escola, tornou-se colega de Sônia Lúcia Ramalho de Farias e de Luiz Augusto da Franca Crispim. Continuou seus primeiros estudos no Colégio Santa Rosália, de Adamantina Neves, na Rua 13 de Maio. Já o secundário foi feito em diversos colégios: no Pio X, no Lyceu Paraibano e no Ginásio Sólon de Lucena, na antiga Rua das Trincheiras. No colegial, estudou no Lyceu Paraibano, onde teve aulas com o mestre e poeta Vanildo Brito, e na Escola Técnica de Comércio Epitácio Pessoa, concluindo-o com o supletivo, em Campina Grande, no Colégio Estadual da Prata. Sua cidade natal, terra da família materna, está situada no alto sertão e se declarou, por decreto, Território Livre de Princesa, em 1930, pelo coronel José Pereira Lima, líder político da região e seu tio. Otávio iniciou o trabalho ainda menor, como gráfico, na Flamunorte, de seu primo Hélio Sitônio Borges, e também na Dante Gráfica, como gráfico e publicitário. Como redator, trabalhou em Brasília nas agências Nova Dimensão Propaganda, Senna Publicidade, Pol Propaganda, Ampla Propaganda, Gruponove Assessoria de Marketing e Comunicação, Ítalo Bianchi Publicitários Associados e Fregapane Publicitários Reunidos. Na capital pernambucana, foi um dos fundadores e o primeiro presidente do Clube de Criação do Recife, que deu origem ao Sindicato dos Publicitários de Pernambuco. Como publicitário, criou os célebres dizeres “Onde o Sol nasce primeiro” (marca da Paraíba) e “Lula-lá”, publicado em 26 de novembro de 1988, no jornal A União, e creditado, em 1989, ao publicitário Carlito Maia. Transformou o Prêmio Destaque Volkswagen, diploma concedido às dez melhores revendas da marca, no troféu Virabrequim de Ouro, adotado pela montadora para todo o Brasil. Também destacou-se nacionalmente com o filme institucional do Projeto Mutirão, da Companhia Estadual de Habitação Popular. Por fim, voltou à Paraíba, sendo aprovado em concurso para auditor fiscal da Secretaria de Finanças do Estado, o que o fez abandonar a carreira publicitária. Depois de aposentado, passou a se dedicar às atividades de ruralista e garimpeiro. Autodidata e rebelde, o princesense militou na imprensa local, onde foi redator e colunista de A União, escrevendo sempre às terças, quintas e sábados. Também foi articulista dos jornais O Norte e Correio da Paraíba, ora com sua crônica lírica, ora com duros artigos de crítica e denúncia. Foi membro da junta tríplice que dirigiu o Sindicato dos Jornalistas da Paraíba. A experiência adquirida no cargo de assessor de planejamento do Instituto de Terras da Paraíba (INTERPA-PB) foi importante para a concepção de seu livro Dom Sertão, Dona Seca. A obra baseia-se em dois livros importantes de Guimarães Duque, cujos títulos são Solo e água no Polígono das Secas (1949) e O Nordeste e as lavouras xerófilas, publicado no início da década de 1950. “Foram fundamentais para a minha obra”, disse ele, acrescentando ainda ter pesquisado o tratado denominado Agricultura na batéia, da era pré-cristã, e Ibn Khaldun, do ano 1300. Sitônio entrou onze vezes na universidade, matriculando-se em Sociologia e Política, curso extinto depois do Golpe de 1964, na Universidade Regional do Nordeste; em Administração Pública, em Ciências Contábeis e em Filosofia, na UFPB; e, por seis vezes, em Direito, duas na UFPB, uma na ASPER e três no UNIPÊ, conseguindo nessa última o bacharel. Foi sócio efetivo da Academia de Letras e Artes do Nordeste Brasileiro e Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP), ingressando também00 na Academia Paraibana de Letras em 9 de agosto de 2006. Faleceu no dia 21 de junho de 2022, deixando seus vários livros premiados como legado de sua passagem pelo universo literário. Otávio Sitônio publicou os livros: Elogio de Eros; Collor, a Raposa do Planalto, publicado em 1992; Caminhos de Toboso, em 1999; Sessão das Bruxas, em 2001; Deliciosos, prêmio de Melhor Livro de Crônicas em 2002 pela Academia Paraibana de Letras; Dom Sertão, Dona Seca, publicado em 2002, tendo ganhado três prêmios em concursos promovidos pela APL em 2001; e Dança do Urubu, que mereceu a Menção Honrosa da Associação Nacional de Escritores, em Brasília, em 2002. PUBLICAÇÕES Caminhos de toboso  Deliciosos – crônicas   Dom sertão, dona seca 

Sérgio Martinho Aquino de Castro Pinto

SÉRGIO Martinho Aquino DE CASTRO PINTO: Nasceu em João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, em 25 de abril de 1947; filho do casal Petrônio de Castro Pinto e D.Mercedes Aquino de Castro Pinto, é casado com a professora Alda Lúcia de Castro Pinto e tem três filhos: Maria Cecília, Maria Carolina e Sérgio Rodrigo. Sérgio é formado em Direito pela Universidade Federal da Paraíba, com Mestrado e Doutorado em Literatura Brasileira, defendeu tese sobre Manuel Bandeira e Mário Quintana; é professor universitário, escritor e poeta. Colabora nos jornais da capital; exerceu as funções: editor do Correio das Artes, suplemento literário do Jornal A União; Coordenador do Departamento de Literatura da extinta Secretaria de Cultura; Subsecretário de Cultura do Estado da Paraíba.; Membro do Conselho Estadual de Cultura. Participou de várias antologias, destacando-se: Sincretismo: a poesia da geração 60, organizada por Pedro Lyra, Rio de Janeiro: 1995; Receitas de criar e cozinhar, organizada por Patrícia Bins &Dileta Silveira Martins, Rio de Janeiro: Bertrand, 1998; As árvores e seus cantores, organizada por Sérgio Faraco e Maria do Carmo Conceição Sanchotene e Antologia de poetas brasileiros, organizada por Mariazinha Congilio. Recebeu os Prêmios: 1ª lugar do Concurso de Contos Seráphico da Nóbrega, promovido pelo Diretório Acadêmico da Faculdade de Direto da UFPB, em 1967; 2ª lugar do Concurso Nacional de Contos (categoria estreante), promovido pelo Governo do Estado do Paraná, 1972; 1ª lugar do Concurso Mensal de Poesia, promovido pela Revista Escrita, São Paulo, 1973; 1ª lugar do II Festival de Poesia Falada de Campos de Goytacazes, Rio de Janeiro, 2000. Assumiu a sua Cadeira na APL, em 05 de julho de 1996, recepcionado pelo acadêmico Wellington Aguiar. Em 1989, o poeta, crítico literário e professor Hildeberto Barbosa Filho publicou pelas Edições FUNESC o livro Sanhauá: uma Ponte para a Modernidade, originariamente tese de mestrado sobre o Grupo Sanhauá, movimento literário paraibano do qual Sérgio de Castro Pinto fez parte. Foi sobre sua poesia a primeira tese de doutoramento defendida no Curso de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal da Paraíba, sob o título Signo e Imagem em Castro Pinto, orientado pelo professor João Batista de Brito. Detentor de vários prêmios de âmbito nacional, o mais recente deles, o Guilherme de Almeida, promovido pela União Brasileira de Escritores, cuja comissão julgadora considerou Zôo Imaginário o melhor livro de poesia lançado no ano de 2005. Ele também é um dos finalistas do Concurso Casa de Las Américas, em 1990, no gênero de poesia, patrocinado pelo governo cubano. Bibliografia: Gestos lúcidos, edições Sanhauá, 1967; A ilha na ostra, edições Sanhauá, 1970; Domicílio em trânsito, Civilização Brasileira, 1983; O cerco da memória, UFPB, 1993; A quatro mãos, 1996 (poesias, com ilustração de Flávio Tavares); Longe daqui, aqui mesmo (tese de doutorado –Mário Quintana); Os paralelos insólitos, discurso de posse na APL; Zôo imaginário (2005); O cristal dos verões : poemas escolhidos : 40 anos de poesia (1967-2007) (2007); A flor do gol (2014); O leitor que eu sou (2015); Folha corrida (2017).

Nº 32 – (1º SUCESSOR) WILLS LEAL

CADEIRA Nº 32 1º SUCESSOR: WILLS LEAL Patrono: Carlos Augusto Furtado de Mendonça Dias Fernandes (1874-1942) Fundador: Ernani Ayres Sátyro e Souza (1911-1986) 1º Sucessor: Wills Leal (1936-2020) 2º Sucessor: Eitel Santiago de Brito Pereira (atual ocupante) 1º Sucessor: Wills Leal (1936-2020) Ocupação: Professor, escritor e jornalista Eleito: 19/02/1987 Posse: 29/05/1992 Saudação: José Octávio de Arruda Mello BIOGRAFIA WILLS LEAL: Nasceu na cidade de Alagoa Nova, Estado da Paraíba, no dia 18 de setembro de 1936, e faleceu em João Pessoa, capital do Estado, no dia 17 de outubro de 2023. Era filho de Antônio Leal Ramos e de D. Ana Meira Leal Ramos. Teve os primeiros passos de sua instrução conduzidos em ambiente familiar, sendo alfabetizado por seu pai, e concluiu o curso primário frequentando os bancos escolares do Grupo Escolar de Alagoa Nova. Transferiu-se para a capital paraibana para dar continuidade à sua formação, estudando no tradicional Lyceu Paraibano e na Academia de Comércio Epitácio Pessoa. No ensino superior, graduou-se nos cursos de Filosofia e de Línguas Neolatinas pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), especializando-se posteriormente em Língua e Literatura Francesa. Homem de vasta cultura e poliglota, construiu uma carreira multifacetada como professor, escritor, ensaísta e jornalista de grande projeção. No magistério, atuou como professor do Estado, lecionando Língua e Literatura Francesa no Conservatório Antenor Navarro e na Escola de Formação de Professores. No jornalismo, tornou-se uma das assinaturas mais respeitadas da imprensa paraibana, notabilizando-se pioneiramente como um dos principais críticos cinematográficos do estado. Seus ensaios, colunas e textos críticos sobre a sétima arte foram largamente divulgados nos jornais locais, em revistas especializadas e em periódicos de circulação internacional. Paralelamente à crítica de cinema, Wills Leal foi um dos grandes teóricos, defensores e impulsionadores do turismo e da difusão cultural na Paraíba. Ao longo de mais de duas décadas, dedicou sua competência administrativa à Empresa Paraibana de Turismo (PBTur, registrada historicamente como Empetur), onde exerceu o cargo de Diretor de Eventos e Operações. Sua destacada atuação e trânsito internacional no setor — que o levaram a viajar e conhecer quase todos os países do globo — conduziram-no à Presidência da Associação Brasileira de Jornalistas e Escritores de Turismo (ABRAJET). Na crônica social e no entretenimento da capital, coordenou e promoveu com sucesso e reconhecimento nacional, durante três anos, o Concurso Miss Paraíba. Figura carismática e de refinado convívio, liderou na efervescente década de 1960 a fundação do célebre Clube dos Solteiros, sediado na histórica Boate Maravilha, na praia de Tambaú, sendo carinhosamente recordado nas rodas intelectuais como “o último dos solteiros” daquele grupo de amigos. Legou uma expressiva produção bibliográfica voltada ao registro histórico, ao turismo e ao cinema paraibano, com destaque para obras como O Nordeste no Cinema, Cinema Paraibano: 20 Anos de História, A Paraíba Turística e O Filme Paraibano na Mesa do Bar. Sua incansável dedicação à salvaguarda da memória cinematográfica local culminou na idealização e fundação da Academia Paraibana de Cinema (APC), instituição da qual foi o principal patrono e presidente. Em reconhecimento ao seu inestimável contributo às letras, ao jornalismo e à cultura do estado, foi eleito membro efetivo da Academia Paraibana de Letras (APL) para ocupar a Cadeira de nº 02. Tomou posse solenemente no dia 29 de maio de 1992, ocasião em que o sodalício o acolheu por meio do memorável discurso de saudação e recepção proferido pelo ilustre historiador e acadêmico José Octávio de Arruda Mello.   PUBLICAÇÕES Cinema & Província Escritores Brasileiros no Cinema O Nordeste no Cinema A Aventura do Amor Atonal ou a Síndrome Genitálica O Discurso cinematográfico dos paraibanos Memorial da Festa das Neves O Iate Clube nos seus Trinta Anos No tempo do lança-perfume A saga de um grande clube Iate nos seus 25 anos Era feliz e não sabia No Tempo do Lança-Perfume O real e virtual no turismo da Paraíba Fragmentos Etílicos e Gastronômicos: a história do comer e do beber na Paraíba Elas só Citavam O Pequeno Príncipe: a história dos concursos de miss Brasil e de miss Paraíba Jamais Deletado Primeiro de Abril, antes e depois de 1964

Nº 29 – (2º SUCESSOR) CARLOS ANTÔNIO ARANHA DE MACÊDO

CADEIRA Nº 29 2º SUCESSOR: CARLOS ANTÔNIO ARANHA DE MACÊDO Patrono: José Rodrigues de Carvalho (1867-1935) Fundador: Manuel Otaviano de Moura Lima (1880-1960) 1º Sucessor: Afonso Pereira da Silva (1917-2008) 2º Sucessor: Carlos Antônio Aranha de Macêdo (1946-2024) 3º Sucessor: Renato César Carneiro (atual ocupante) 2º Sucessor: Carlos Antônio Aranha de Macêdo (1946-2024) Ocupação: Compositor e escritor Eleito: 07/12/2008 Posse: 02/03/2009 Saudação: Antônio Juarez Farias BIOGRAFIA CARLOS ANTÔNIO ARANHA DE MACÊDO: Nasceu na cidade de João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, em 18 de março de 1946, e faleceu nesta mesma cidade, no dia 11 de novembro de 2024. Era filho de Sebastião Ferreira de Macedo e de Antonieta Aranha de Macedo. Foi casado com a professora universitária Cléa de Macedo, união da qual nasceu a filha Alessandra, atuante na área de Nutrição. Espírito indomável e multiartista de vanguarda, iniciou os cursos superiores de Psicologia e de Direito na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), mas optou por não os concluir, encontrando sua verdadeira formação na vivência prática das artes e na intensa militância cultural que o consagraram como uma das maiores referências intelectuais de seu estado. Durante os anos de chumbo da ditadura militar no Brasil, atuou nos movimentos estudantis de contestação ao regime autoritário e, devido à perseguição política, foi compelido a viver na clandestinidade. Na maturidade, presidiu a Associação Paraibana de Imprensa (API) — gestão na qual coordenou localmente o histórico Movimento das Diretas Já — e exerceu o papel de editor de cultura em influentes periódicos, como O Momento, O Norte, Correio da Paraíba (onde também integrou o Conselho Editorial) e o oficial A União, veículo no qual esteve à frente do renomado suplemento Caderno das Artes. Nas artes cênicas, destacou-se como ator e encenador de raro tirocínio. Conquistou o prêmio de Melhor Espetáculo na Semana de Teatro da Paraíba de 1967 ao dirigir a peça Despertar do Medo, de Marcos Tavares, e o de Melhor Direção no ano seguinte, com a montagem de Diário de um Louco, do autor russo Nikolai Gógol. Ainda em 1968, fundou o vanguardista Grupo de Teatro Bigorna, em histórica parceria com Fernando Teixeira e Jurandir Moura. No cinema, imprimiu sua marca autoral ao dirigir o curta-metragem de ficção Libertação e integrou os quadros da Associação dos Críticos Cinematográficos da Paraíba e da Academia Paraibana de Cinema. Na cena musical, Carlos Aranha assumiu uma posição de pioneirismo ao figurar como um dos articuladores da Tropicália na Paraíba. Ao lado do cantor potiguar Gustavo Magno, compôs e lançou o icônico disco Sociedade dos Poetas Putos (em alusão ao filme de Peter Weir), que imortalizou canções como “Voltaire, Voltarei”, “Barcelona, Borborema” (baseada na obra de José Nêumanne Pinto) e “Versos Íntimos” (releitura do célebre poema de Augusto dos Anjos). À frente das produtoras Safira e Jaguaribe Produções, impulsionou a carreira de grandes nomes da música nordestina. Foi também um dos subscritores do histórico manifesto Inventário do Feudalismo Cultural Nordestino, dividindo a autoria com intelectuais e artistas do porte de Jomard Muniz de Britto, Marcus Vinícius de Andrade, Raul Córdula, Dailor Varela, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Sua trajetória nos festivais de música da década de 1960 é lendária por sua irreverência e ousadia performática. No II Festival Paraibano de MPB (1968), conquistou o segundo lugar sob intensas vaias do público — que exigia sua vitória — ao defender as canções “Canção do Ter” (de José Nêumanne Pinto) e “Giramulher” (parceria com seu irmão, o pianista Fernando Aranha), esta última executada ao lado do grupo Os Quatro Loucos, que contava com Zé Ramalho, Golinha e Floriano Miranda introduzindo o som inovador das guitarras elétricas no festival. No ano seguinte, protagonizou a performance mais emblemática da história do evento ao cantar “Ivone Pelo Telefone” trajando um bustiê roxo, calça de veludo verde, colar hippie e maquiagem com batom, atitude contestadora que chocou o corpo de jurados e o posicionou em décimo lugar. Em 1970, obteve a quarta colocação no IV Festival com “Objeto de Utilidade Pública” e, em 1971, no Festival Campinense da Canção, arrebatou os prêmios de Melhor Letra por “Caminheiro” (com Gilvan de Brito) e Melhor Intérprete por “Por Qualquer Cem Mil Réis” (com Cleodato Porto). Escritor de pena visceral e rigoroso com a própria produção, produziu cerca de dez livros de variados gêneros, mas optou por publicar em vida uma única e densa obra: Nós – An Insight, lançada em 2011. O volume, concebido como um diálogo expressionista e uma extensão poética do universo de Augusto dos Anjos, une a linguagem clássica à moderna para traçar uma viagem mística e crítica pelos sobreviventes dos anos 1960 em pleno século XXI, tencionando temas como a repressão política, a afetividade sexual, o amor por João Pessoa e homenagens a amigos fraternos, como Cátia de França e José Nêumanne Pinto. Em reconhecimento ao seu inestimável protagonismo e à sua disruptiva contribuição às artes paraibanas, foi eleito membro efetivo da Academia Paraibana de Letras (APL). Sua posse solene ocorreu no ano de 2009, nos palcos do histórico Teatro Santa Roza, em João Pessoa, ocasião em que o jornalista e confrade José Nêumanne Pinto celebrou sua trajetória ao declarar que Carlos Aranha era o intelectual que mais havia contribuído para a cultura paraibana e que, ao ingressar no sodalício, passava finalmente a ocupar o lugar que lhe era devidamente de direito. PUBLICAÇÕES Nós-Na-insight