2º Sucessor: José Edilberto Coutinho (1938-1995)
Ocupação: Professor, jornalista e escritor
Eleito: 05/06/1981
Posse: 28/05/1982
Saudação: Elizabeth Marinheiro
JOSÉ EDILBERTO COUTINHO: Nasceu no município de Bananeiras, Estado da Paraíba, no dia 28 de setembro de 1938, e faleceu na cidade do Recife, Estado de Pernambuco, no ano de 1995. Era filho do Dr. Francisco Coutinho Filho e de D. Otília Cirne Coutinho. Em razão dos deveres profissionais de seu pai — que, na condição de funcionário federal, era constantemente designado para prestar serviços em diferentes regiões do país —, vivenciou uma infância e juventude marcadas por sucessivas mudanças, residindo longos períodos nos estados de Pernambuco e do Paraná.
Orientou sua formação inicial para as ciências jurídicas e bacharelou-se em Direito pela histórica Faculdade de Direito do Recife; contudo, jamais exerceu a advocacia privada ou carreiras correlatas. Sua verdadeira e precoce vocação repousava no universo das letras, nutrindo especial fascínio pelo folclore e pelas tradições populares do Nordeste, inclinação herdada diretamente de seu pai, que era um folclorista de renome e costumava alimentar o imaginário do jovem com as ricas narrativas do cotidiano sertanejo.
Consagrou-se como um dos jornalistas mais brilhantes e cosmopolitas de sua geração. Diplomou-se pelo prestigiado World Press Institute (Instituto Mundial de Imprensa), nos Estados Unidos, e imprimiu sua assinatura nas páginas dos principais jornais e revistas de circulação nacional. Dotado de trânsito internacional, atuou na Europa como correspondente estrangeiro do Jornal do Brasil e da revista Manchete, exercendo igual função nos Estados Unidos para os Diários Associados (notadamente no periódico O Jornal e na emblemática revista O Cruzeiro). No ano de 1970, fixou residência definitiva na cidade do Rio de Janeiro, efervescente cenário onde consolidou sua carreira como escritor, crítico e professor universitário.
Sua refinada produção literária e ensaística foi celebrada pela crítica especializada e angariou dezenas de prêmios de prestígio no Brasil e no exterior. Entre suas láureas mais expressivas, destacam-se: o prêmio de Ensaios de Jornalismo Literário e de Ficção, outorgado pela Academia Brasileira de Letras (ABL); o prêmio de Crítica Literária, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA); o prêmio de Estudos Brasileiros de Ficção, da Fundação Cultural de Brasília e do Conselho Federal de Cultura; e o prêmio de Ensaio Biográfico, conferido pela Associação Brasileira de Crítica Literária. No plano internacional, sua ficção foi laureada pela Casa de las Américas, em Havana, Cuba; e sua consagrada obra sobre a temática futebolística, Maracanã, Adeus, ao ser traduzida para o francês por Jacques Theriot sob o título Onze au Maracanã, conquistou o Grand Prix Culturel Latin na cidade de Paris, em 1986.
Personalidade de relevo na inteligência brasileira, Edilberto Coutinho foi autor de contos, romances e ensaios fundamentais, além de ter integrado os quadros da Academia Brasileira de Literatura. Vinculado afetivamente às suas raízes, manteve estreita colaboração com a salvaguarda da memória regional como sócio-correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP).
Em justo reconhecimento ao seu indiscutível mérito literário e à projeção internacional de sua obra, foi eleito membro efetivo da Academia Paraibana de Letras (APL). Tomou posse solenemente em sua Cadeira no dia 28 de maio de 1982, ocasião em que a Casa de Coriolano de Medeiros o acolheu por meio do memorável e caloroso discurso de recepção e saudação proferido pela ilustre escritora, ensaísta e confreira Elizabeth Marinheiro.