Fundador: Luciano Ribeiro de Morais (1908-1966)
Ocupação: Médico e professor
Eleito: 11/06/1960
Posse: 30/09/1961
Saudação: Osias Nacre Gomes
LUCIANO RIBEIRO DE MORAIS: Nasceu no antigo Sítio Barreiras (atual município de Bayeux), Estado da Paraíba, no dia 24 de outubro de 1908, e faleceu na capital paraibana, João Pessoa, no dia 26 de fevereiro de 1966. Era filho de João Ribeiro de Morais e de D. Maria da Cruz Morais. Contraiu matrimônio, no ano de 1946, com a senhora Carmem Arcoverde de Morais, união da qual nasceram três filhos: Heloísa (que seguiu a carreira do magistério como professora de Língua Francesa), João Leonardo (médico psiquiatra) e João Luciano (advogado).
Iniciou seus estudos elementares em João Pessoa e transferiu-se posteriormente para o Rio de Janeiro (então capital federal) para dar continuidade à sua formação superior. Matriculou-se na histórica Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, sediada na Praia Vermelha, pela qual diplomou-se em Medicina no ano de 1933. Dedicou-se prontamente à especialização em Psiquiatria, conquistando precoce reconhecimento científico ao integrar, na capital fluminense, a celebrada equipe médica do renomado professor e cientista Henrique Roxo, um dos pioneiros da neuropsiquiatria no país.
No ano de 1936, optou por deixar o Rio de Janeiro e regressar à Paraíba. Atendendo a um pedido de seu irmão, Manuel Ribeiro de Morais, assumiu temporariamente a chefia do Executivo municipal como Prefeito de Araruna; contudo, abdicou do cargo político para fixar residência definitiva em João Pessoa, voltando-se inteiramente ao exercício de sua verdadeira vocação médica e humanitária. Na administração pública e na saúde mental do estado, desempenhou um papel reformador e de altíssima responsabilidade ao exercer as funções de Diretor da Colônia Juliano Moreira, Diretor do Departamento Hospitalar do Estado, Diretor do Manicômio Judiciário e Presidente do Conselho Penitenciário do Estado da Paraíba.
Sua contribuição para a ciência e para o ensino superior paraibano culminou em sua atuação como um dos professores-fundadores da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Na referida instituição, consagrou-se historicamente ao tornar-se o primeiro Professor Catedrático da disciplina de Psiquiatria, moldando as bases da formação médica de gerações no estado.
Homem de inteligência fina e sensibilidade multifacetada, o Dr. Luciano de Morais dividia com igual brilhantismo o rigor dos consultórios com o recolhimento do magistério e da pesquisa literária. Essa rica dualidade de seu perfil humanístico foi cirurgicamente capturada pelo ensaísta Juarez da Gama Batista, que sobre ele afirmou: “Era um homem interdito entre duas vocações: a do cientista e a do homem de letras”. Amante da prosa e do ensaísmo de fundo psicológico, colaborou com a imprensa escrita e com o meio cultural da época.
Em reconhecimento à sua imensurável folha de serviços prestados à medicina social, à ciência e ao enriquecimento intelectual da sociedade, foi eleito membro efetivo da Academia Paraibana de Letras (APL). Embora sua partida precoce tenha ocorrido no mesmo ano de sua eleição, seu nome permanece inscrito na Casa de Coriolano de Medeiros como uma das mais nobres expressões do humanismo paraibano, tendo seu elogio fúnebre e acadêmico sido proferido de forma magistral pelo citado crítico Juarez Batista.