CADEIRA Nº 26

FUNDADOR: MATHIAS DA SILVA FREIRE

Fundador: Mathias da Silva Freire (1882-1947)

Ocupação: Professor, padre, jornalista e poeta.

Fundador da APL: 14/09/1941

BIOGRAFIA

CÔNEGO MATHIAS DA SILVA FREIRE: Nasceu na Praia de Ponta de Campina, localidade pertencente à época ao município de Mamanguape, Estado da Paraíba, em 21 de agosto de 1882, e faleceu na capital do Estado, João Pessoa, no dia 30 de março de 1947. Contava com 65 anos de idade e 47 de uma profícua vida sacerdotal. Era filho de Flávio da Silva Freire e de D. Ana Leal Freire, sendo neto paterno do ilustre Barão de Mamanguape.

Realizou sua formação eclesiástica no Seminário Diocesano da Paraíba e foi ordenado sacerdote na Capela do Palácio Arquiepiscopal do Recife, no dia 24 de fevereiro de 1905, pelas mãos do então Bispo da Paraíba, Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques. Homem de vasta erudição e poliglota, dedicou-se intensamente ao magistério, lecionando a disciplina de Geografia em tradicionais instituições da capital, como o Colégio Diocesano Pio X, o Lyceu Paraibano e a Escola Normal Oficial do Estado, de onde também exerceu o cargo de Diretor.

Jornalista por profunda vocação, o Cônego Mathias Freire notabilizou-se na imprensa paraibana por seu estilo polêmico, combativo e radical, pautado sempre pelo extremo rigor e pureza da Língua Portuguesa. Atuou como diretor do Correio da Manhã e foi redator de importantes periódicos, tais como o oficial A União, A Imprensa e o Diário do Estado. Para esquivar-se das amarras institucionais e dar livre vazão à sua verve literária e crítica, fazia uso frequente de pseudônimos, destacando-se Mário Silva, Dasilva Campos e Gil Mac Dadá.

Paralelamente às missões pastorais e docentes, construiu uma expressiva carreira na administração e na política paraibana. Exerceu as funções de Diretor do Montepio dos Funcionários Públicos do Estado (antigo IPEP). Na esfera parlamentar, elegeu-se Deputado Estadual, ascendeu à Presidência da Assembleia Legislativa da Paraíba e representou o estado como Deputado Federal na Câmara dos Deputados, no Rio de Janeiro. Era membro ativo da Associação Paraibana de Imprensa (API), do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP) e sócio-correspondente da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro.

De temperamento alegre, espírito liberal e hábitos modernos para o seu tempo, o clérigo frequentemente desafiava o conservadorismo da sociedade de sua época: fumava publicamente e, em sua produção poética, exaltava sem pudores o amor humano, o belo e os cenários da natureza. Essa postura vanguardista, contudo, jamais o afastou de seus deveres eclesiásticos, sendo visto religiosamente todas as manhãs na Catedral Metropolitana conduzindo os sagrados ofícios do altar.

Embora não tenha reunido sua produção poética e ensaística em volumes individuais, legou uma vasta e valiosa obra literária dispersa nas páginas dos jornais de sua época e nas revistas oficiais da APL. O Cônego Mathias Freire imortalizou-se na história da cultura paraibana como um dos dez sócios-fundadores da Academia Paraibana de Letras (APL), participando ativamente da sessão solene de instalação da casa no dia 14 de setembro de 1941, instituição da qual exercia a Vice-Presidência ao tempo de seu falecimento.