Nº 39 – (3° SUCESSOR) SÉRGIO MARTINHO DE CASTRO PINTO

SÉRGIO Martinho Aquino DE CASTRO PINTO: Nasceu em João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, em 25 de abril de 1947; filho do casal Petrônio de Castro Pinto e D.Mercedes Aquino de Castro Pinto, é casado com a professora Alda Lúcia de Castro Pinto e tem três filhos: Maria Cecília, Maria Carolina e Sérgio Rodrigo. Sérgio é formado em Direito pela Universidade Federal da Paraíba, com Mestrado e Doutorado em Literatura Brasileira, defendeu tese sobre Manuel Bandeira e Mário Quintana; é professor universitário, escritor e poeta. Colabora nos jornais da capital; exerceu as funções: editor do Correio das Artes, suplemento literário do Jornal A União; Coordenador do Departamento de Literatura da extinta Secretaria de Cultura; Subsecretário de Cultura do Estado da Paraíba.; Membro do Conselho Estadual de Cultura. Participou de várias antologias, destacando-se: Sincretismo: a poesia da geração 60, organizada por Pedro Lyra, Rio de Janeiro: 1995; Receitas de criar e cozinhar, organizada por Patrícia Bins &Dileta Silveira Martins, Rio de Janeiro: Bertrand, 1998; As árvores e seus cantores, organizada por Sérgio Faraco e Maria do Carmo Conceição Sanchotene e Antologia de poetas brasileiros, organizada por Mariazinha Congilio. Recebeu os Prêmios: 1ª lugar do Concurso de Contos Seráphico da Nóbrega, promovido pelo Diretório Acadêmico da Faculdade de Direto da UFPB, em 1967; 2ª lugar do Concurso Nacional de Contos (categoria estreante), promovido pelo Governo do Estado do Paraná, 1972; 1ª lugar do Concurso Mensal de Poesia, promovido pela Revista Escrita, São Paulo, 1973; 1ª lugar do II Festival de Poesia Falada de Campos de Goytacazes, Rio de Janeiro, 2000. Assumiu a sua Cadeira na APL, em 05 de julho de 1996, recepcionado pelo acadêmico Wellington Aguiar. Em 1989, o poeta, crítico literário e professor Hildeberto Barbosa Filho publicou pelas Edições FUNESC o livro Sanhauá: uma Ponte para a Modernidade, originariamente tese de mestrado sobre o Grupo Sanhauá, movimento literário paraibano do qual Sérgio de Castro Pinto fez parte. Foi sobre sua poesia a primeira tese de doutoramento defendida no Curso de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal da Paraíba, sob o título Signo e Imagem em Castro Pinto, orientado pelo professor João Batista de Brito. Detentor de vários prêmios de âmbito nacional, o mais recente deles, o Guilherme de Almeida, promovido pela União Brasileira de Escritores, cuja comissão julgadora considerou Zôo Imaginário o melhor livro de poesia lançado no ano de 2005. Ele também é um dos finalistas do Concurso Casa de Las Américas, em 1990, no gênero de poesia, patrocinado pelo governo cubano. Bibliografia: Gestos lúcidos, edições Sanhauá, 1967; A ilha na ostra, edições Sanhauá, 1970; Domicílio em trânsito, Civilização Brasileira, 1983; O cerco da memória, UFPB, 1993; A quatro mãos, 1996 (poesias, com ilustração de Flávio Tavares); Longe daqui, aqui mesmo (tese de doutorado –Mário Quintana); Os paralelos insólitos, discurso de posse na APL; Zôo imaginário (2005); O cristal dos verões : poemas escolhidos : 40 anos de poesia (1967-2007) (2007); A flor do gol (2014); O leitor que eu sou (2015); Folha corrida (2017).

Nº 38 – (2° SUCESSOR) LUIZ NUNES ALVES

LUIZ NUNES Alves: Nasceu no município de Água Branca, em 16 de abril de 1934, filho de Antônio Alves da Silva e D. Marta Nunes de Souza; casado com D. Maria Bernadeth Baptista Alves e tem três filhas: Ana Márcia, Mércia Neves e Marta Bernadeth.Fez o curso primário no Grupo Escolar José Nominando, na sua terra natal, o Ginasial, Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, em Princesa Isabel, e o secundário. No Liceu Paraibano. Bacharelo-se em Direito pela Universidade Federal da Paraíba. Tem curso de aperfeiçoamento em Agente de Crédito Cooperativo, em 1960, em Fortaleza (CE), e curso de assistente Jurídico, em 1969, também em Fortaleza, promovidos pelo Banco do Nordeste do Brasil.Funcionário da Receita Federal; exerceu o cargo de Coletor Federal, em Princesa Isabel, de maio de 1960 a fevereiro de 1962, quando passou a prestar serviços no Banco do Nordeste, em João Pessoa. Ingressou no serviço público estadual, como Caixa de Crédito Imobiliário da Paraíba(1957/60), foi diretor do Departamento de Crédito Cooperativo (1967/68); Secretário do Planejamento (1970/71). Em 11º de março de 1971, foi empossado no cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, período 1973/75, chegando à Vice-Presidência, no período seguinte, tendo sido eleito Presidente, exercendo a função por mais duas vezes.Participou de Congressos de Tribunais de Contas do Brasil, realizados a partir de 1973, tendo a oportunidade de presidir o 7º Congresso realizado em João Pessoa, no ano de 1975. É professor de Ciências das Finanças e de Direito Financeiro da UFPB. E da UNIPÊ. Eventualmente, ministra aulas na Escola Superior de Magistratura. Amante das letras, escolheu a literatura de cordel como área de estudo, à qual dedica o seu tempo, pesquisando e produzindo trabalhos com muita criatividade e segurança, usando sempre o pseudônimo de Severino Sertanejo. Seus livros têm grande aceitação entre os apreciadores e estudiosos do cordel, tendo recebido elogios de personalidades consagradas no meio intelectual nacional, a exemplo de José Américo de Almeida, Orígenes Lessa, Carlos Drumond de Andrade, Câmara Cascudo, D. José Maria Pires e o jurista Limongi França, de São Paulo, entre outros nomes. É sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, foi agraciado com a Comenda do Mérito Cultural José Maria dos Santos, instituída pela entidade; sócio do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica; membro efetivo do Colégio Brasileiro de das Faculdades de Direito; 2º Vice-Presidente da Fundação Rui Barbosa(São Paulo); membro efetivo das Academias Municipais do Brasil, com sede em São Paulo; assumiu a sua Cadeira na Academia Paraibana de Letras, em 20 de julho de 1975, recepcionado pelo acadêmico Flávio Sátiro. Bibliografia: História da Paraíba em verso, prefácio do professor Pedro Nicodemus, editada dentro das comemorações do IV Centenário da Fundação da Paraíba; A vida de Delmiro Gouveia em verso, prefácio do professor Átila de Almeida; Inácio da Catingueira, o gênio escravo, prefácio do médico e poeta Firmino Leite; Copa 94, IPÊ; Coisas da minha sala. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Memorial do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, João Pessoa: 1995. Revista da Academia Paraibana de Letras, nº 12: 1997.

Nº 35 – (2° SUCESSOR) ARIANO VILLAR SUASSUNA

CADEIRA Nº 35 2º SUCESSOR: ARIANO VILLAR SUASSUNA Patrono: Raul Campelo Machado (1891-1954) Fundador: José Américo de Almeida (1887-1980) 1º Sucessor: Odilon Ribeiro Coutinho (1923-2000) 2º Sucessor: Ariano Villar Suassuna (1927-2014) 3º Sucessor: José Mário da Silva Branco (atual ocupante) 2º Sucessor: Ariano Villar Suassuna (1927-2014) Ocupação: Professor, escritor, teatrólogo e advogado Posse: 09/10/2000 Saudação: Joacil Brito Pereira BIOGRAFIA ARIANO VILLAR SUASSUNA: Nasceu no Palácio da Redenção, na cidade de João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, no dia 16 de junho de 1927, e faleceu na cidade do Recife, Estado de Pernambuco, no dia 23 de julho de 2014. Era filho do Dr. João Urbano Pessoa de Vasconcelos Suassuna, então Governador do Estado da Paraíba, e de D. Rita de Cássia Vilar Suassuna. No dia 19 de janeiro de 1957, contraiu matrimônio com a senhora Zélia de Andrade Lima, uma união exemplar e indissolúvel da qual nasceram seis filhos: Joaquim, Maria, Manuel, Isabel, Mariana e Ana. Após o trágico assassinato de seu pai na esteira dos acontecimentos políticos de 1930, sua família fixou residência no Sertão paraibano, onde Ariano realizou seus estudos primários no município de Taperoá, cenário telúrico que moldaria indelevelmente seu universo imaginário, estético e criativo. Transferiu-se posteriormente para o Recife, onde concluiu o curso secundário no tradicional Colégio Osvaldo Cruz. Ingressou nas lides jurídicas e bacharelou-se em Direito pela histórica Faculdade de Direito do Recife no ano de 1950, dedicando-se inicialmente à advocacia, sem jamais afastar-se de sua verdadeira vocação artística. Pensador de vanguarda e defensor intransigente da identidade cultural brasileira, Ariano Suassuna consagrou-se internacionalmente como um dos maiores dramaturgos, romancistas, poetas, ensaístas e professores universitários do país. Na docência superior, lecionou Estética e História da Cultura na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), instituição onde também exerceu o cargo de Diretor do Departamento de Extensão Cultural. Na gestão pública, colocou sua erudição a serviço da sociedade ao assumir a Secretaria de Educação e Cultura da cidade do Recife e, anos mais tarde, a Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco. Sua capacidade de articulação institucional levou-o a figurar, em 1967, como membro fundador do Conselho Federal de Cultura e, em 1968, do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco. No ano de 1970, Ariano Suassuna lançou as bases do histórico Movimento Armorial, iniciativa estético-cultural que propunha a criação de uma arte erudita brasileira a partir das ricas raízes populares do cancioneiro, do romanceiro, da literatura de cordel, da xilogravura e das festas tradicionais do Nordeste. Sua vasta e premiada produção literária revolucionou as letras e o teatro nacional, tornando-se objeto de estudo em inúmeras teses de mestrado e doutorado em universidades do Brasil e do exterior, além de ter sido traduzida para idiomas como o inglês, o francês, o alemão e o espanhol. Nas artes cênicas, sua obra-prima O Auto da Compadecida (1955) converteu-se no texto dramático mais encenado e célebre do país, sendo agraciado com a Medalha de Ouro da Associação de Críticos Teatrais, láurea também concedida à brilhante comédia O Santo e a Porca. Aclamada pelo público e pela crítica, a saga de João Grilo e Chicó transcendeu os palcos e foi adaptada com estrondoso sucesso para o cinema em produções de longa-metragem. Conquistou ainda o Prêmio Vânia Souto de Carvalho com a peça O Casamento Suspeitoso. Na prosa ficcional, imortalizou-se com o monumental Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971), laureado com o Prêmio Nacional de Ficção do Ministério da Educação e Cultura, e com o aclamado História d’O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão: Ao Sol da Onça Caetana (1977), agraciado com o Prêmio José Conde. Sua consagração definitiva no panteão das letras nacionais deu-se em 1989, quando foi eleito membro efetivo da prestigiada Academia Brasileira de Letras (ABL), passando a ocupar a Cadeira de nº 32, cujo patrono é Manuel Antônio de Almeida. Integrou também com igual destaque a Academia Pernambucana de Letras. Em sua terra natal, teve seu indiscutível mérito humanístico celebrado ao ser eleito para a Academia Paraibana de Letras (APL), onde tomou posse solenemente na Cadeira de nº 35 no dia 09 de outubro de 2000, ocasião em que a Casa de Coriolano de Medeiros o acolheu por meio do memorável discurso de recepção proferido pelo ilustre jurista, escritor e confrade Joacil de Brito Pereira. Ainda em reconhecimento ao seu imensurável legado à cultura regional, no ano de 2002, o artista foi outorgado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em solene e concorrida cerimônia realizada nos palcos do histórico Teatro Santa Roza, em João Pessoa. PUBLICAÇÕES Uma mulher vestida de sol Os homens de barro Auto de João da Cruz Torturas de um coração ou Em boca fechada não entra mosquito O arco desolado O castigo da soberba O rico avarento O auto da compadecida O casamento suspeitoso O santo e a porca O homem da vaca e o poder da fortuna A pena e a lei A farsa daboa preguiça A caseira e a Catarina A Pedra do Reino  Príncipe de sangue do vai-e-volta É de tororó  Ode Coletânea da poesia popular nordestina Iniciação à estética O movimento armorial Seleta em prosa e verso  Organização, estudo e notas do prof. Silviano Santiago

Nº 05 – (2° SUCESSOR) OSWALDO TRIGUEIRO DO VALLE

CADEIRA Nº 05 2º SUCESSOR: OSWALDO TRIGUEIRO DO VALLE Patrono: João Alcides Bezerra Cavalcanti (1891-1938) Fundador: Osias Nacre Gomes (1903-1994) 1º Sucessor: Sindulfo Guedes Santiago (1933-2005) 2º Sucessor: Oswaldo Trigueiro do Valle (1935-2022) 3º Sucessor: Tarcísio de Sousa Pereira (atual ocupante) 2º Sucessor: Oswaldo Trigueiro do Valle (1935-2022) Ocupação: Professor universitário e político Eleito: 02/09/2005 Posse: 17/02/2006 Saudação: Antônio Juarez Farias BIOGRAFIA Oswaldo Trigueiro do Valle nasceu no dia 10 de outubro de 1935, no município de Cruz do Espírito Santo, na Paraíba, filho de Demétrio Bezerra do Valle e Anna Trigueiro do Valle, tendo falecido no dia 21 de dezembro de 2022. Foi casado com Lia Trindade do Valle, com quem teve três filhos: Anna Margarida, Mônica e Oswaldo Filho. Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais e, posteriormente, obteve o título de Mestre em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 1967. Sua sólida formação acadêmica inclui ainda os cursos de Microeconomia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), em 1968, e de Ciências Políticas também pela Fundação Getúlio Vargas (RJ), em 1980. Homem público de destaque, construiu uma sólida carreira administrativa e política, tendo exercido o cargo de Prefeito de João Pessoa. No âmbito estadual, atuou como Secretário de Administração e Secretário substituto do Planejamento e Coordenação Geral do Estado da Paraíba. Presidiu o Instituto de Previdência do Estado (IPEP), onde também liderou o seu Conselho Deliberativo, e integrou o Conselho Superior de Informática do Estado da Paraíba (CONSIPI/CODATA). Em nível nacional, atuou como Superintendente da Caixa de Crédito da Pesca, em 1957, assessor especial da Fundação Getúlio Vargas e pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq). Na docência superior e na gestão acadêmica, teve uma atuação profícua em diferentes instituições do Nordeste. Foi professor de Teoria da Administração na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), professor de Administração no curso de Mestrado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e na Fundação Regional do Nordeste (FURNE), em Campina Grande. Na capital paraibana, consolidou sua trajetória na educação superior como professor e diretor da Faculdade de Direito do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ).

Nº 29 – (2º SUCESSOR) CARLOS ANTÔNIO ARANHA DE MACÊDO

CADEIRA Nº 29 2º SUCESSOR: CARLOS ANTÔNIO ARANHA DE MACÊDO Patrono: José Rodrigues de Carvalho (1867-1935) Fundador: Manuel Otaviano de Moura Lima (1880-1960) 1º Sucessor: Afonso Pereira da Silva (1917-2008) 2º Sucessor: Carlos Antônio Aranha de Macêdo (1946-2024) 3º Sucessor: Renato César Carneiro (atual ocupante) 2º Sucessor: Carlos Antônio Aranha de Macêdo (1946-2024) Ocupação: Compositor e escritor Eleito: 07/12/2008 Posse: 02/03/2009 Saudação: Antônio Juarez Farias BIOGRAFIA CARLOS ANTÔNIO ARANHA DE MACÊDO: Nasceu na cidade de João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, em 18 de março de 1946, e faleceu nesta mesma cidade, no dia 11 de novembro de 2024. Era filho de Sebastião Ferreira de Macedo e de Antonieta Aranha de Macedo. Foi casado com a professora universitária Cléa de Macedo, união da qual nasceu a filha Alessandra, atuante na área de Nutrição. Espírito indomável e multiartista de vanguarda, iniciou os cursos superiores de Psicologia e de Direito na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), mas optou por não os concluir, encontrando sua verdadeira formação na vivência prática das artes e na intensa militância cultural que o consagraram como uma das maiores referências intelectuais de seu estado. Durante os anos de chumbo da ditadura militar no Brasil, atuou nos movimentos estudantis de contestação ao regime autoritário e, devido à perseguição política, foi compelido a viver na clandestinidade. Na maturidade, presidiu a Associação Paraibana de Imprensa (API) — gestão na qual coordenou localmente o histórico Movimento das Diretas Já — e exerceu o papel de editor de cultura em influentes periódicos, como O Momento, O Norte, Correio da Paraíba (onde também integrou o Conselho Editorial) e o oficial A União, veículo no qual esteve à frente do renomado suplemento Caderno das Artes. Nas artes cênicas, destacou-se como ator e encenador de raro tirocínio. Conquistou o prêmio de Melhor Espetáculo na Semana de Teatro da Paraíba de 1967 ao dirigir a peça Despertar do Medo, de Marcos Tavares, e o de Melhor Direção no ano seguinte, com a montagem de Diário de um Louco, do autor russo Nikolai Gógol. Ainda em 1968, fundou o vanguardista Grupo de Teatro Bigorna, em histórica parceria com Fernando Teixeira e Jurandir Moura. No cinema, imprimiu sua marca autoral ao dirigir o curta-metragem de ficção Libertação e integrou os quadros da Associação dos Críticos Cinematográficos da Paraíba e da Academia Paraibana de Cinema. Na cena musical, Carlos Aranha assumiu uma posição de pioneirismo ao figurar como um dos articuladores da Tropicália na Paraíba. Ao lado do cantor potiguar Gustavo Magno, compôs e lançou o icônico disco Sociedade dos Poetas Putos (em alusão ao filme de Peter Weir), que imortalizou canções como “Voltaire, Voltarei”, “Barcelona, Borborema” (baseada na obra de José Nêumanne Pinto) e “Versos Íntimos” (releitura do célebre poema de Augusto dos Anjos). À frente das produtoras Safira e Jaguaribe Produções, impulsionou a carreira de grandes nomes da música nordestina. Foi também um dos subscritores do histórico manifesto Inventário do Feudalismo Cultural Nordestino, dividindo a autoria com intelectuais e artistas do porte de Jomard Muniz de Britto, Marcus Vinícius de Andrade, Raul Córdula, Dailor Varela, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Sua trajetória nos festivais de música da década de 1960 é lendária por sua irreverência e ousadia performática. No II Festival Paraibano de MPB (1968), conquistou o segundo lugar sob intensas vaias do público — que exigia sua vitória — ao defender as canções “Canção do Ter” (de José Nêumanne Pinto) e “Giramulher” (parceria com seu irmão, o pianista Fernando Aranha), esta última executada ao lado do grupo Os Quatro Loucos, que contava com Zé Ramalho, Golinha e Floriano Miranda introduzindo o som inovador das guitarras elétricas no festival. No ano seguinte, protagonizou a performance mais emblemática da história do evento ao cantar “Ivone Pelo Telefone” trajando um bustiê roxo, calça de veludo verde, colar hippie e maquiagem com batom, atitude contestadora que chocou o corpo de jurados e o posicionou em décimo lugar. Em 1970, obteve a quarta colocação no IV Festival com “Objeto de Utilidade Pública” e, em 1971, no Festival Campinense da Canção, arrebatou os prêmios de Melhor Letra por “Caminheiro” (com Gilvan de Brito) e Melhor Intérprete por “Por Qualquer Cem Mil Réis” (com Cleodato Porto). Escritor de pena visceral e rigoroso com a própria produção, produziu cerca de dez livros de variados gêneros, mas optou por publicar em vida uma única e densa obra: Nós – An Insight, lançada em 2011. O volume, concebido como um diálogo expressionista e uma extensão poética do universo de Augusto dos Anjos, une a linguagem clássica à moderna para traçar uma viagem mística e crítica pelos sobreviventes dos anos 1960 em pleno século XXI, tencionando temas como a repressão política, a afetividade sexual, o amor por João Pessoa e homenagens a amigos fraternos, como Cátia de França e José Nêumanne Pinto. Em reconhecimento ao seu inestimável protagonismo e à sua disruptiva contribuição às artes paraibanas, foi eleito membro efetivo da Academia Paraibana de Letras (APL). Sua posse solene ocorreu no ano de 2009, nos palcos do histórico Teatro Santa Roza, em João Pessoa, ocasião em que o jornalista e confrade José Nêumanne Pinto celebrou sua trajetória ao declarar que Carlos Aranha era o intelectual que mais havia contribuído para a cultura paraibana e que, ao ingressar no sodalício, passava finalmente a ocupar o lugar que lhe era devidamente de direito. PUBLICAÇÕES Nós-Na-insight

Nº 15 – (3º SUCESSOR) FRANCISCO PEREIRA DA SILVA JÚNIOR

CADEIRA Nº 15 3º SUCESSOR: CHICO PEREIRA Patrono: Eugênio Toscano de Brito (1850-1903) Fundador: Celso Marques Mariz (1885-1982) 1º Sucessor: Jansen Filho (1925-1994) 2º Sucessor: Paulo Gustavo Galvão (1936-2015) 3º Sucessor: Francisco Pereira da Silva Junior 4º Sucessor: Mário Hélio Gomes de Lima (atual ocupante) 3º Sucessor: Francisco Pereira da Silva Junior (1944-2025) Ocupação: Artista Plástico Eleito: 08/07/2016 Posse: 16/08/2016 Saudação: José Octávio de Arruda Mello BIOGRAFIA FRANCISCO PEREIRA DA SILVA JÚNIOR: Natural da cidade de Campina Grande, Estado da Paraíba, nasceu em 22 de dezembro de 1944 e faleceu em João Pessoa, no dia 25 de dezembro de 2025. Destacou-se como artista plástico, designer gráfico e pesquisador de arte, história da arte e cultura popular. Ao longo de sua trajetória, integrou importantes instituições nacionais e internacionais de arte e museologia, entre as quais a Associação Internacional de Artes Plásticas (AIAP/Unesco), o Conselho Internacional de Museus (ICOM/Unesco) e a Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), além de ser membro-fundador da Associação Brasileira de Educação Através da Arte (Sobread) e sócio-correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiana (PE). No campo da gestão museológica e cultural, foi diretor do Museu de Arte Assis Chateaubriand (MAAC), em Campina Grande, no período de 1969 a 1974. Na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), atuou como assessor especial na gestão do reitor Lynaldo Cavalcanti, ocasião em que participou ativamente da criação do Núcleo de Arte Contemporânea (NAC), setor do qual foi coordenador. Na mesma universidade, exerceu ainda as funções de coordenador de extensão cultural e de pró-reitor adjunto de assuntos comunitários, tendo sido também professor e decano do Departamento de Artes Visuais, instituição pela qual se aposentou. Sua relevante atuação na administração pública incluiu dois mandatos como vice-presidente executivo do Conselho Estadual de Cultura da Paraíba e o cargo de subsecretário de Cultura do Estado durante o governo de José Maranhão. Posteriormente, vinculou-se à Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), onde exerceu o cargo de Pró-Reitor de Cultura e, consecutivamente, a função de Pró-Reitor Adjunto, além de assumir a direção do Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP/UEPB) — conhecido como o Museu dos Três Pandeiros. Participou ativamente de fóruns, diretorias, assessorias e congressos de relevância nacional e internacional na área cultural. Como autor, publicou diversos livros, plaquetes, ensaios e artigos especializados, destacando-se a sua obra primordial Paraíba: Memória Cultural, livro que descreve detalhadamente a evolução histórico-cultural do território paraibano desde os seus primórdios até a contemporaneidade. Paralelamente às suas funções acadêmicas e administrativas, consolidou uma sólida carreira nas artes plásticas a partir da década de 1960, participando de inúmeras exposições individuais e coletivas, tanto no Brasil quanto no exterior. PUBLICAÇÕES Feira Livre de Campina Grande – Um Museu Vivo de Cultura Popular Os Anos 60 – Revisão das Artes Plásticas na Paraíba Paraíba – Memória Cultural

Nº 03 – (2º SUCESSOR) EILZO NOGUEIRA MATOS

CADEIRA Nº 03 2º SUCESSOR: EILZO NOGUEIRA MATOS Patrono: Albino Gonçalves Meira (1850-1908) Fundador: Clóvis dos Santos Lima (1908-1974) 1º Sucessor: Luiz Augusto da Franca Crispim (1945-2008) 2º Sucessor: Eilzo Nogueira Matos (1934-2026) 2º Sucessor: Eilzo Nogueira Matos (1934-2026) Ocupação: Político (Deputado) Eleito: 18/06/2009 Posse: 14/10/2009 Saudação: José Otávio de Arruda Melo BIOGRAFIA Eilzo Nogueira Matos nasceu no sítio Gato Preto, nos arredores do município de Sousa, Paraíba, em 23 de junho de 1934, filho de Tiburtino Leite Matos Rolim e Natércia Nogueira Matos, e faleceu em 29 de março de 2026. Teve cinco filhos do primeiro matrimônio — Sandra, Sônia, Ênio, Francisco Carlos e José Fábio — e mais três do segundo — Edna, Érica e Tiburtino. Realizou os estudos primários e secundários em Sousa, Patos, Mossoró e Campina Grande. Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Recife, iniciando sua carreira como advogado de ofício de Terceira Entrância, entre outras funções jurídicas. Na área cultural, foi presidente da Fundação Cultural do Estado da Paraíba, membro do Conselho Estadual de Cultura e do Conselho do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Paraíba, além de diretor da Rádio Tabajara. Enquanto dirigia a emissora oficial, presidiu o programa Partners of the Americas na Paraíba, elaborando, com o escritor e jornalista Evandro Nóbrega, uma série de programas sobre a cultura paraibana transmitidos pela rádio latino-americana de Connecticut. Na política, foi deputado estadual em duas legislaturas, eleitas em 1971 e 1979, tendo exercido também os cargos de Secretário de Segurança Pública (1976) e Secretário do Interior e Justiça do Estado da Paraíba (1978). Entre os feitos mais relevantes de sua vida pública destaca-se a criação da Faculdade de Direito de Sousa, desde a idealização até a instalação. Também foi o idealizador do Festival de Inverno de Areia, que reuniu intelectuais de diversas áreas para o debate dos problemas culturais do país. Membro da Academia Paraibana de Letras, afastou-se posteriormente da militância político-partidária, recolhendo-se à fazenda Lagoa de Baixo, de sua propriedade, no município de Pombal. PUBLICAÇÕES Prosa Caótica A Face do Tempo  Salviano Leite História da Faculdade de Direito de Sousa  A Invasão das Cobras Viajantes do Purgatório As Horas Trágicas A Super Quadra Antonio Mariz – Paraíba, Nomes do Século Faculdade de Direito de Sousa  Dr. Firmino Leite, Médico e Humanista  Salviano Leite (2ª edição) Letras do Sertão Política Sousense: Novos Tempos, Velhos Costumes Traição, Ética e Trabalho; e Piancó, Breves Traços Biográficos Fundação Salviano Leite

Nº 25 – (2° SUCESSOR) ASTENIO FERNANDES

    Astenio Cesar Fernandes  Médico, escritor e pesquisador, Astenio Cesar Fernandes foi eleito para a Academia Paraibana de Letras em 25 de fevereiro de 2010, ocupando a cadeira 25, vaga com o passamento do Acadêmico José Rafael de Menezes. Saudado pelo acadêmico José Loureiro Lopes, tomou posse no dia 07 de maio de 2010 em solenidade realizada no auditório do Espaço Cultural do UNIPÊ.           Nascido em Campina Grande/Paraíba, em 20 de dezembro de 1947, Astenio é filho de Antonio Fernandes de Medeiros e Anna de Almeida Cesar Fernandes. É casado com a médica oftalmologista, e professora, Yone Maria Rocha Cesar Fernandes. Pai de Mariana Rocha Fernandes de Carvalho, Arthur Rocha Cesar Fernandes e Bruno Rocha Cesar Fernandes, é avô de Lara Fernandes de Carvalho e Lucas Fernandes de Carvalho.           Sua formação, Astenio Fernandes contempla estudos secundários no Colégio Estadual Liceu do Ceará em Fortaleza; graduação em Medicina na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa/PB; residência médica e especialização (em oftalmologia) no Hospital São Geraldo – Serviço do professor Hilton Rocha – em Belo Horizonte/MG. Na Universidade Federal de Minas Gerais concluiu também tese de doutorado em Medicina, aprovada com nota máxima, em 1980. No hospital Hôtel-Dieu de Paris da Université Pierre et Marie Curie de Paris realizou pós-doutorado – sob orientação do professor Yves Pouliquen – no período de 1990 a 1991. Coordenando o Programa de Intercâmbio Internacional Brasil/França, celebrado pelo MEC e envolvendo o Hospital Lauro Wanderley (Brasil) e o Centro Hospitalar Universitário de Nice (França), estagiou no Hôpital Pasteur da Université Sophia Antipolis, em Nice/França, em 1998.           Na Universidade Federal da Paraíba foi professor da disciplina oftalmologia, no Centro de Ciências da Saúde (CCS), em Cursos de graduação e residência médica credenciada pelo MEC. No Centro de Ciências da Saúde foi fundador, coordenador adjunto e professor de didática, do Programa de Doutorado em Ciências da Saúde. Durante a atividade docente, idealizou e criou o Centro de Referência Oftalmológica (CEROF) e o Programa de Residência Médica, sendo coordenador de ambos, de 2002 a 2005. Na UFPB desempenhou outras atividades: membro do Comitê Local do PIBIC-CNPq, de 1998 a 1999; presidente do Conselho Curador da Fundação José Américo (por três períodos administrativos) e membro titular do Conselho Superior Universitário (CONSUNI) de 1999 a 2001; Diretor de Ensino Pesquisa e Extensão do Hospital Lauro Wanderley de 1996 a 2005.           Docente, participou de bancas examinadoras de monografias de mestrado e teses de doutorado e orientou monografias de mestrado e outras pesquisas acadêmicas, nas Universidades Federais da Paraíba e Minas Gerais, nas áreas de Medicina, Engenharia de Produção e Enfermagem. Foi ainda palestrante, coordenador e debatedor, em mais de noventa Cursos, Seminários e Congressos, no Brasil e no exterior e membro e presidente de Comissões de Concurso Público para seleções de docentes e de médicos oftalmologistas de Hospitais Universitários.           José Rafael de Menezes, prefaciando o seu livro inaugural em poesia (“Âkâsha – poemas”), afirmou: “Hoje, o convite de Astenio Cesar Fernandes me distingue e reconfirma as afinidades que cultivo com esse magnânimo poeta, cuja familiaridade com meu amigo José Américo de Almeida vem selar ainda mais a admiração que nutro pela sua pessoa (…). Astenio apresenta-nos versos livres, mas também ousa com sucesso a difícil técnica do soneto (…). Outra vertente por onde percorre o poeta Astenio é a liberdade. Foi assim que eu li Âkâsha. É isso que penso sobre sua significante obra”.  Acerca deste livro, disse ainda, em “TESSITURAS”, a crítica literária e professora, Elizabeth Marinheiro: “Sou mesmo fissurada em livros. Daí porque recomendo a leitura de Âkâsha da autoria de Astenio Fernandes”.             Em sua trajetória cultural, Astenio Fernandes apresenta outros títulos: membro honorário do Instituto Histórico e Geográfico do Estado do Rio Grande do Norte; membro efetivo da Academia Paraibana de Filosofia; presidente do Comitê Diretor da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade – CNEC – Estado da Paraíba, de 1988 a 1989; presidente do Comitê Diretor da Associação de Cultura Franco-Brasileira, Aliança Francesa de João Pessoa, de 1996 a 1999; vice-presidente da União Brasileira de Escritores, Seccional/Paraíba, em 2007.    OBRAS  CIENTÍFICAS ·         “Ceratoplastia perfurante – a quente – pós queimadura química” (tese, doutorado, Universidade Federal de Minas Gerais, 1980). ·          “Le devenir de greffons transfixiants silicodesséchés dans la perfurations cornéenne (memoire, pós-doutorado, Université Pierre et Marie Curie de Paris 1991). ·               “Retinoblastoma trilateral”, tipo especial de retinoblastoma – tumor maligno originário de células da retina – publicado no J Fr Ophtalmol. 1994; 17 (11): 674-8; publicação que o incluiu no ranking dos cientistas mais consultados do mundo – IRC 2005, Centro de Ciências da Saúde da UFPB baseado no Institute of Science Information, Thomson, EUA. ·         “Transplante de Córnea Opção Terapêutica na Reabilitação Visual”; Revista Unidade Médica 1985. ·         “Aspectos da Problemática da Cegueira em Nosso Meio”; Revista Unidade Médica, 1985. ·         “Carcinoma Basocelular Metastático com infiltração Perineural”; Revista Brasileira de Cirurgia 1985. ·         “Drusas de nervo óptico associadas à membrana vascular coroideana macular”; Revista Brasileira de Oftalmologia, dezembro de 1996. ·         “Evaluation of environmental work conditions of video display terminals Workstation”; ANAIS The 4th Pan Pacific Conference on Occupational Ergonomics, 1996. ·         “Profilaxia da endoftalmite em cirurgia de catarata”; Oftalmologia em Foco 1998. ·         Noções Básicas de Oftalmologia, livro (SEDEC MGACUNHA), 1992.. ·   Comportamento dos Transplantes Penetrantes Sílico-Desidratados na Perfuração de Córnea – Estudo Histológico e Ultraestrutural. Série Teatro dos Olhos. Edição bilíngue CRM/PB, Editora Idéia, 2014.                   LITERÁRIAS          Livros     ·         Em tarde de autógrafos – discursos (Ed. Idéia), 1996.     ·         Discurso Memorial – pegadas acadêmicas e outros rastos (F&A), 2005.     ·         Âkâsha – poemas (UNIPÊ Editora), 2007.     ·         Memorial da palavra – Discursos, apresentações & Crônicas (UNIPÊ Editora), 2007.     ·         Imortalidade é liberdade – Discursos (Ed. Idéia), 2010.     ·         Poesia do Brasil, vol. 11. ANTOLOGIA POÉTICA (Grafite Edit), 2010.      ·         Poesia do Brasil, vol. 13. ANTOLOGIA POÉTICA (Grafite Edit), 2012.     ·         “Augusto dos Anjos: Além da Linguagem”, em AUGUSTO DOS ANJOS A HETEROGENEIDADE DO EU SINGULAR – colaborador, (Mídia Gráfica  Edit), 2012.                             DISCURSOS ·         ·    Representando (por concurso)

Nº 40 – (FUNDADOR) LAURO PIRES XAVIER

CADEIRA Nº 40 FUNDADOR: LAURO PIRES XAVIER Patrono: Cândido Firmino de Mello Leitão (1886-1948) Fundador: Lauro Pires Xavier (1905-1991) 1º Sucessor: Antônio de Souza Sobrinho (1939-2019) 2º Sucessor: Milton Marques Júnior (atual ocupante) Fundador: Lauro Pires Xavier (1905-1991) Ocupação: Professor Eleito: 08/05/1971 Posse: 06/05/1972 Saudação: Osias Nacre Gomes BIOGRAFIA LAURO PIRES XAVIER: Nasceu no município de Areia, Estado da Paraíba, no dia 03 de novembro de 1905, e faleceu na capital paraibana, João Pessoa, no dia 27 de outubro de 1991. Era filho de Lindolfo Xavier Camelo e de D. Ana Pires Xavier. Foi casado com a senhora Maria Borges Xavier, união da qual nasceram dois filhos: Vera Maria e Lauro Xavier Filho. Iniciou suas primeiras letras em sua terra natal sob a orientação pedagógica da renomada professora Júlia Verônica dos Santos Leal. Transferiu-se temporariamente para a capital do Estado, onde frequentou as salas de aula do Grupo Escolar Thomaz Mindello, retornando posteriormente a Areia para concluir os estudos primários e secundários. No ano de 1925, ingressou na Faculdade de Direito do Recife; contudo, percebendo sua verdadeira inclinação pelas ciências exatas e da natureza, desligou-se do curso e fixou residência em São Paulo, onde frequentou as aulas de Pré-Engenharia no prestigiado Instituto Mackenzie. Consolidou sua vocação científica ao diplomar-se em Agronomia pela Escola Superior de Agronomia e Medicina Veterinária do Ministério da Agricultura, sediada na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, oportunidade ímpar em que foi discípulo do eminente professor, cientista e zoólogo paraibano Cândido de Mello Leitão. Sua trajetória profissional teve início ainda jovem quando, em 1924, foi nomeado Observador Meteorológico de 3ª classe, sendo logo transferido para a Capital Federal. Cientista de vanguarda e homem de profunda consciência telúrica, Lauro Pires Xavier converteu-se em um dos maiores nomes da história ambiental do Nordeste. Em justa definição cunhada pelo escritor Osias Gomes, ele soube atuar de forma plural: “Naturalista, botânico, ecologista, professor emérito, urbanista, técnico de planejamento, pioneiro de agricultura e criação, ele vem multiplicando sem fadiga nem esmorecimento em todas essas modalidades, a fim de que a coletividade possa tirar o máximo proveito do seu sólido conhecimento dos complexos problemas condicionantes da produção”. Destacou-se pioneiramente na defesa intransigente do meio ambiente e na preservação dos ecossistemas paraibanos; em João Pessoa, figurou como um dos grandes pilares e fundadores da Associação Paraibana de Amigos da Natureza (APAN), atuando com coragem e altivez cívica para barrar crimes ecológicos e evitar a destruição de reservas florestais urbanas por parte de interesses imobiliários e autoridades locais. No magistério superior, construiu uma sólida e brilhante carreira na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), instituição onde exerceu a chefia do Departamento de Ecologia e regeu, com raro brilho, as cátedras de Biogeografia e Climatologia, Introdução à Cultura Brasileira, Botânica Aplicada à Farmácia e Química de Extensão à Geografia. Sua erudição garantiu-lhe trânsito nas mais respeitadas corporações científicas e culturais: integrou os quadros da Bromeliad Society (na Flórida, Estados Unidos) e figurou como sócio-fundador da Sociedade de História Natural da Paraíba, do Clube de Engenharia da Paraíba e da Sociedade de Agronomia da Paraíba. No campo das letras e da salvaguarda da memória, foi membro efetivo e Presidente do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP). Por sua incansável dedicação à pesquisa, foi outorgado com o Diploma de “Personalidade do Ano em Ciências”, conferido pelo Centro de Relações Públicas da Paraíba. Deixou uma vasta, doutrinária e monumental bibliografia, colaborando assiduamente com mais de 300 artigos e ensaios publicados em periódicos e revistas especializadas de João Pessoa, Recife e São Paulo, versando sobre as complexidades da agricultura sertaneja, os equilíbrios ecológicos e os rumos da educação nacional. Homem de hábitos profundamente modestos, sua neta Ângela capturou com rara sensibilidade a essência de seu perfil humanístico em um depoimento afetivo antes de sua partida: “Meu avô é um homem feliz porque é uma pessoa muito simples, sem nenhuma vaidade. As pessoas simples não são invejadas, por isso ele é feliz. Lembro-me da visita que ele recebeu do arquiteto Sérgio Bernardes. Não gosto de vê-lo sofrendo tanto”. Em reconhecimento ao seu indiscutível mérito literário e à sua monumental folha de serviços prestados à ciência e à dignidade ambiental do estado, foi eleito membro efetivo da Academia Paraibana de Letras (APL). Ingressou solenemente no sodalício no dia 06 de maio de 1972, ocasião em que a Casa de Coriolano de Medeiros o acolheu por meio do memorável discurso de recepção proferido pelo ilustre acadêmico, jurista e seu conterrâneo Osias Gomes. PUBLICAÇÕES A genética das plantas têxteis Hugo de Uries Poloplodia natural e artificial Têxteis liberianos A botânica na corografia de Beaurepaire Rohan O caroá – história, cultura e distribuição geográfica Mapa ecológico da Paraíba Fisiografia da Paraíba

Nº 40 – (PATRONO) CÂNDIDO FIRMINO MELLO LEITÃO

Cândido Firmino MELLO LEITÃO: Nasceu em 17 de julho de 1886, na cidade de Campina Grande, Estado da Paraíba e faleceu em 15 de dezembro de 1948; filho do Coronel Cândido Firmino de Mello Leitão e D. Jacunda de Mello Leitão. Iniciou os estudos em Campina Grande, no Grêmio de Instrução Campinagrandense, tendo sido um dos oradores desse Grêmio, em sua inauguração. Formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do rio de Janeiro, defendendo tese de doutorado com o trabalho intitulado Da polistease visceral. Formado, continuou no Rio de Janeiro, colaborando, como interno, na Clínica Propedêutica da Faculdade de Medicina, integrando a equipe do Dr. Miguel Couto; em 1919, assumiu a função de Inspetor Sanitário da Diretoria Geral da Saúde Pública, passando a dedicar-se à Pediatria, iniciou, então, a publicação de vários trabalhos sobre as doenças infantis. Interessou-se pela Zoologia, Ciência pela qual dedicou-se integralmente; através de concurso público ingressou, como professor, na Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária; lecionou, também, na Escola Normal de Niterói e na Escola Normal do Rio de Janeiro. Era membro da Academia Brasileira de Ciências, da Sociedade Entomalógica do Brasil e da Entomalógica da França; participou, como representante do Brasil, nos Congressos de Ornitologia de Copenhague, 1926; Congresso Internacional de Entomalogia, em Madri, 1935; Congresso Internacional de Zoologia, em Lisboa, 1935; Congresso de Ciências Naturais, na Argentina, 1937. Classificou os Aracnídeos dos museus da Basiléia, Suíça, Barcelona, Espanha; Buenos Aires e La Plata; classificou, também, os Proscopidas dos museus de Santiago; La Plata e Buenos Aires. Em revistas americanas e em Broteria, de Portugal, publicou os estudos: A mortalidade infantil no Rio de Janeiro, 1912; Pressão arterial dainfância. ; Escreveu, em colaboração com A.J. Sampaio, professor de Botânica do Museu Nacional, Hortos didáticos e sua organização. Em 1924, editou um Compêndio de Botânica. Mello Leitão era professor, Polígrafo, Geógrafo, Biogeógrafo, Ecologista, Zoogeógrafo, Sistemata, Botânico, Sociólogo, Conferencista, cultor das belas artes e poeta.Além dos trabalhos já citados, publicou: A vida maravilhosa dos animais; A vida na selva; Noções de Biologia Geral; O Brasil visto pelos ingleses; Zoo-Geografia do Brasil; Dicionário de Biologia; Esboço crítico das classificações zoológicas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ALMEIDA. Horácio de.Contribuição para uma bibliografia paraibana. Rio: 1972. Revista da Academia Paraibana de Letras, vol. 05, João Pessoa: 1949. XAVIER, Lauro Pires. Discurso de Posse, João Pessoa: 1972.