II SEL Seminário de Estudos Literários

O estado da Paraíba tem se projetado no cenário nacional e internacional, por ser berço de grandes romancistas e poetas, entre os quais se destaca José Américo de Almeida: político e também um dos mais importantes escritores paraibanos e nacionais. Tem uma obra multifacetada que abrange do ensaio à poesia, do romance às memórias, dos discursos às crônicas. José Américo, em suas obras de ficção, usou a palavra de forma precisa e artística, nas suas variações regionais, populares e erudita, a partir do perfeito domínio da norma culta padrão. A Academia Paraibana de Letras realiza, neste 2017, a segunda edição do Seminário de Estudos Literários (SEL) a nível nacional, o que ocorre anualmente em João Pessoa, na sede da APL. Nada mais justo que se dedique sua programação em homenagem a José Américo de Almeida. O I SEL aconteceu em 2016, em homenagem a José Lins do Rego, e continuará com outros escritores nordestinos, com apresentações de Conferências, Mesas Redondas, além de Lançamento de Livros e Revistas e uma Programação Cultural. O SEMINÁRIO DE ESTUDOS LITERÁRIOS – II SEL: “FORÇA DO REGIONALISMO LITERÁRIO EM JOSÉ AMÉRICO DE ALMEIDA”, tem os seguintes objetivos: – Organizar uma programação que privilegie a discussão de temas relacionados à vida e obra de José Américo de Almeida e sua influência no mundo literário; – Propiciar, aos estudiosos da vida e obra de José Américo, a oportunidade de divulgarem e discutirem seus estudos e pesquisas. Confira a programação abaixo:
Cineclube Verbo & Imagem apresenta: A hora da estrela

A Academia Paraibana de Letras apresenta em sessão gratuita o cineclube Verbo e Imagem, que exibirá A hora da estrela com comentários de Carlos Aranha e Wills Leal. Direção: Suzana Amaral 30 de novembro (última quinta-feira do mês) às 18 horas.
As águas do rio Tahuá
Rodrigues de Carvalho nasceu em 18 de dezembro de 1867, num pequeno lugarejo chamado Tahuá, hoje Alagoinha, ambos povoados então pertencentes ao Município de Guarabira. Nascia esse notável paraibano, ilustre guarabirense, convivendo com as águas abrigadas pelo leito do rio Tauhá. O rio era o seu mundo: Sua escola, seu divertimento, seus encantos; servia-lhe de banho para escapar do tracejado quartinho de fundo de quintal, com água tirada de um tacho por uma cuia de cabaço. O sabão era o mesmo com que se lavava roupa numa das pedras, reunindo lavadeiras na margem esquerda do rio. Espumas enfeitavam a transparente correnteza sem poluí-la, como se fossem flocos cor de neve… Em semelhantes circunstâncias, exceto em relação ao tempo, também nasceu seu conterrâneo, o esclarecido José Fernandes, hoje juiz federal aposentado, amante daqueles sítios por onde, diz ele, ainda correm as águas do Rio Tahuá. Narrou-me, como se fosse um conto, sua visitação àquelas reminiscências tahuenses: “Tirei o paletó, em roupa de banho, mergulhei naquela água cristalina, fria , doce, de doces lembranças, como se estivesse sendo rebatizado”. Enquanto presidente do seu “Centro de Estudos Jurídicos e Sociais – CEJUS”, Zé Fernandes promoveu uma série de valiosas conferências comemorativas ao Sesquicentenário de José Rodrigues de Carvalho, durante este ano que se finda. Publicará, em livro, as palestras de vários membros da Academia Paraibana de Letras, onde Rodrigues de Carvalho é um dos patronos. Havia razões para o reencontro desses dois josés. Ambos, advogados, chamados de “zé”; banharam-se e brincaram nas águas do mesmo rio; aventuraram-se nos tempos de cheia, apostando proezas de menino, virando “bunda-canastra” ao saltarem da pedra mais alta. Tenho perguntado a guarabirenses da família se conhecem tal rio. Uns dizem que “sim “, outros, que “não”, ou que “não passa mais água, já deve estar seco”. Mas, José Fernandes, que me incentiva a admirar aquela natureza, reafirma que, ainda hoje, corre caudalosamente o emblemático rio Tahuá, descendo pelos contrafortes da Serra da Borborema, à procura do mar. Damião Ramos Cavalcanti
Nas escolas, tempo e cores
A criança perguntou à professora com qual cor deveria pintar o céu. Nas suas miúdas mãos, havia lápis de diversas cores; tantos amarelos que poderiam expandir o Sol em todo o firmamento. Sem resposta, sem hesitação, ela iniciou a pintura, começando por onde sabia; deixando algumas coisas pela metade para completá-las depois, mas já definindo o que queria pintar. Diferentemente dos adultos, as crianças não hesitam, riscam qualquer coisa ao seu gosto e por prazer, até em parede recém-pintada ou em carro novo, para depois esclarecer o que pretendeu pintar, dando uma ou várias explicações… Mas, nos contornos prontos, já tinha colocado na terra: árvores, flores, rios, bichos e, no sopé da montanha, uma casinha; tudo como se fosse o “dia da criação”. E voltou a insistir: – Com qual cor eu pinto o céu? A professora, cansada, com muitos alunos a orientar, respondeu-lhe o óbvio: – Com as cores do céu. As crianças de hoje imaginam coisas inimagináveis: misericordiamente, um céu sem cor, sem porta, como a imensa passagem fosse para entrada de todos. Também, na simplicidade, elas são mestras das definições circulares, repetindo o sujeito no predicado : o elefante é um elefante; uma girafa é uma girafa; não lhes agradando respostas redundantes ou complexas sobre o como ou o porquê das coisas. Espantou a professora, dizendo que o céu talvez não tivesse cor; e que o céu estaria tão longe, assim não se veria sua cor. Ou, na confusa visão, o céu só teria uma cor, mas não sabia qual cor seria. A professora lhe apontou: – Olhe aqui as nuvens, são brancas. Então, a criança justificou: – As nuvens são brancas porque ainda não foram pintadas. Prosseguia ela o desenho: por trás de uma verdejante montanha, havia um arco-íris, sortido de cores… Existem muitos desenhos em branco que saem da escola para casa e voltam de casa para escola não terminados, tendo os pais aos filhos, depois de uma árdua jornada de trabalho, apenas as maiores obrigações: carinho e sustento. E a casa, sem como ensinar esses “deveres de casa”, talvez também por falta de escolaridade dos pais, espera ansiosamente mais “escolas de tempo integral”, de “ensino em dois turnos”, para se evitarem reprovações, baixo índice no rendimento escolar, evasões , e sobretudo para que as crianças sofram exigências acima do que podem e tenham suas tarefas feitas por elas, na escola, com tempo para encontrarem ou não a cor com a qual pintará o seu céu. Alegra-nos o Governador Ricardo Coutinho com a notícia de que duplicará as escolas com “ensino integral” na Paraíba; sem essa providência, as crianças não aprenderão a fazer seus “deveres de casa”, não farão chover nos tempos de seca e terão nuvens vazias em céus incolores… Damião Ramos Cavalcanti
Coisas íntimas, coisas públicas
As luzes brilham também por causa da escuridão; quanto mais for sombria a noite, mais as luzes lhe trarão claridade. E quanto maior for a claridade, não adianta acender outra luz; com certeza o seu brilho se perderá entre os outros brilhos, não se percebendo que ela está acesa. Isso ocorre com a irracionalidade da lei que nos obriga a acender os faróis do carro, à luz do sol do meio dia, quando não há sombra, nem tampouco escuridão. Já preconizava Sócrates: devemos obedecer até leis injustas para que as justas sejam respeitadas. Contudo, nessa viagem, não convém que desejemos a escuridão da noite para que os faróis mostrem sua claridade; pouco importa a luz dos seus filamentos ou a causa da sua luminosidade. Transponho-me para uma choupana, num longínquo pé de serra, onde o tamanho do pavio sustenta a labareda de fogo, alimentada pelo querosene no candeeiro. E lembro-me o que o Mestre admoesta: “Ninguém acende uma lamparina para pô-la embaixo da mesa, mas em cima, para que ela alumie todos os que estão em casa”. A lei que necessita de muita explicação nos determina fazer, em fila, uma longa gambiarra acesa para iluminar a estrada , “tão clara como a luz solar”. Como as luzes precisam da escuridão para brilharem, as coisas íntimas necessitam de privacidade para terem o seu valor. E se sua intimidade se desgasta na boca das fofocas, das piadas e dos boatos, ela perde o brilho de ser íntima ou o seu substantivo: a intimidade; o aconchego dos seus segredos; a comodidade da sua confiança. Nesse sentido, as relações sexuais dos que sinceramente se amam perdem o brilho do seu valor, quando à luz do Sol, na praça pública, nos visíveis caminhos da vida, acontecem ao prazer de qualquer exibicionismo ou “voyeurismo”… Enfim, a intimidade é capaz de fundir duas almas e dois corações num só sentimento. Damião Ramos Cavalcanti
Fotos do lançamento do livro 100 sonetos de amor e sedução

Na última sexta-feira foi realizado o lançamento do livro: 100 sonetos de amor e sedução. Com autoria de Eric Dayan. Confira as fotos abaixo:
Homenagens aos finados
As homenagens aos vivos são mais corriqueiras; muito frequentes, sobretudo quando partem de quem é bajulador: são de instante em instante; bajulações elogiosas e menos sinceras. Porque, do morto, pouco se espera agradecimento ou recompensa, apenas a satisfação de se sentir grato, desde que quem elogia valorize a gratidão a um ente querido. A sabedoria popular distingue que elogiar quem já morreu é muito fácil; explica-se: o morto é falecido, já não se encontra mais no frêmito das concorrências, na disputa de trabalho, de cargos ou de funções; ou mesmo, apraz ao invejoso constatar que está com vida, talvez situação melhor do que a de quem já morreu; coisas do mundo da inveja: Eu sou e ele não é; eu tenho e ele não tem… Se tiver tido, antes de partir, nada levou consigo, aqui tudo deixou… E ainda, a partir de então, o invejoso supera facilmente o invejado falecido; pois depois que se morre, não se pode melhorar em qualquer sentido; em termos de ação, tudo está terminado… Reflito no meio da multidão entrando e saindo do cemitério no Dia de Finados. Se deveria ser um dia de tristeza, de recordação dos que definitivamente se foram, parece mais uma festa, uma quermesse, com pessoas comendo pipoca, cachorro quente ou chupando rolete; nesse dia, a administração da cidade dos mortos pinta de cal o meio fio que contorna as estreitas vielas e quelhas esburacadas. Aqui e acolá essas estreitas ruas são interrompidas, bem no meio, por um enorme túmulo. Quem estaciona carro no meio da rua pública leva consigo esse individualismo também para o cemitério. Fora do cemitério, há vendedores de flores gritando o menor preço; tais quais os vendedores de coentro, quiabos e alhos na feira do Mercado Central, de Oitizeiro ou de Jaguaribe. Com uma diferença: Logo depois vão buscar as flores vendidas, retirando-as do túmulo para revendê-las. Diferentemente dos vivos, os mortos nada têm, nem as flores que ganham, por alguns instantes. E a cada ano, comemora-se o Dia de Finados que, talvez, seja mais dos vivos do que dos mortos… Damião Ramos Cavalcanti
Lançamento do livro “100 sonetos de amor e sedução!

Eric Dayan, o Poeta a Sedução, convida Vossa Senhoria para o lançamento de seu tão aguardado livro: 100 sonetos de amor e sedução. Próxima sexta-feira 03, às 18h30, na Academia Paraibana de Letras.
Nojo de noticiário
Há quem manifeste não aguentar mais saber de tantas coisas absurdas, anteriormente inacreditáveis; pessoas instruídas, até bem informadas, mas que se negam a falar dos mais recentes acontecimentos: “Não sei, não tenho acompanhado”, ou “estou tendo nojo dos noticiários”. Seria repugnância ao noticiário, ao que é noticiado, aos protagonistas da notícia ou ao noticiador? Na verdade, o fato tal e qual deveria ser a notícia, de preferência inalterável: nem aumentado, nem diminuído; seria causa da notícia que se estende aos seus efeitos, às suas consequências. No entanto, quem opera o fato noticiado, tem a responsabilidade ética de se preservar isento e honesto sobre o fato que ele transmite aos leitores, ouvintes, telespectadores que se enfadam já por serem vítimas dessas aborrecedoras mensagens. Contudo, se tais fatos nos aborrecem, pior são suas narrações tendenciosas conforme os interesses e a ideologia do informante ou sobretudo com o cinismo desavergonhado dos que cometem tais fatos criminosos, provocando asco, tédio ou mesmo nojo. E tudo comandado pelo dinheiro corruptor e pelos seus “adoradores”… Li nesse Jornal que o “primeiro mandatário” prometeu: “após enterradas as denúncias, é hora de retomar a economia”. Resta-nos saber de qual economia nos fala; a de produção, distribuição e consumo de bens para o povo ou a de propinas, a de compras de voto dos nossos congressistas através de “vultuosas emendas parlamentares”, sem prestações de conta sob o controle sério e honesto? Há motivo de repulsão, quando o cidadão ou a cidadã consciente e honesta se sente impotente diante de tantos abusos. Que viva a notícia, e não tapemos os olhos para não ver; os ouvidos para não ouvir; e a boca para não falar. Já que vimos e ouvimos, falta-nos o voto soberano, não vendido, nem comprado, contra aquilo e aqueles que nos causam nojo. Damião Ramos Cavalcanti
Fotos do lançamento do livro Seis homenagens

Ontem foi realizado o lançamento do livro Seis homenagens na Academia Paraibana de Letras. Ao final da sessão aconteceu o descerramento da fotografia do Ex-Acadêmico Deusdedit de Vasconcelos Leitão. Confira as fotos abaixo: