Visita à Escola Municipal de Ensino Fundamental Índio Piragibe (EMIP)

No dia 11 de outubro, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Índio Piragibe (EMIP) recebeu, honrada, a visita do jornalista e artista plástico Flávio Tavares. O artista foi convidado pelos professores Adalberto Pereira (Matemática) e Ana Bernadete (Geografia) para ministrar palestra ao 7o ano B – do qual são padrinhos -, o que acabou se tornando uma oficina, onde o artista demonstrou um pouco de suas técnicas ao realizar seus trabalhos. O convite foi feito motivado por haver, na Academia Paraibana de Letras (APL), uma tela – “O eclipse do eu” – produzida por Flávio Tavares, em homenagem ao centenário do patrono da APL, Augusto dos Anjos. O artista traria informações sobre esse projeto, sua inspiração e técnicas na composição da tela. Ressaltamos que a ida à APL e o posterior convite ao artista plástico compõe o projeto “A Sala dos Imortais: seus significados para a produção literária paraibana”, definido como o projeto do 7o ano B para a Feira do Conhecimento deste ano. É de suma importância que se destaque a disposição do artista Flávio Tavares, que com muita sensibilidade atendeu às demandas trazidas pelos alunos quanto à arte, movimentos artísticos, formação do artista e, muito mais, quanto às suas técnicas. Sua produção durante o encontro resultou em uma exposição dos trabalhos que na escola compôs. Aos alunos e professores responsáveis pela vinda do artista cabem uma memorável lembrança de um artista acessível e maravilhoso, que a todos encantou.

Cineclube Verbo & Imagem apresenta: A balada do soldado

A Academia Paraibana de Letras apresenta em sessão gratuita o cineclube Verbo e Imagem, que exibirá A balada do soldado com comentários de Wills Leal. Direção: Grigori Chukhrai 26 de outubro (última quinta-feira do mês) às 18 horas.

Sessão Comemorativa do Bicentenário da Revolução de 1817

A Academia Paraibana de Letras, o Centro de Estudos Jurídicos e Sociais e o Grupo José Honório Rodrigues convidam Vossa Excelência e família para a Sessão Comemorativa do Bicentenário da Revolução de 1817. Na ocasião falarão os acadêmicos José Octávio de Arruda Mello sobre “A Revolução de 1817: velhas e novas interpretações” e Hildeberto Barbosa Filho, sobre “A Revolução de 1817 na Literatura”. O jornalista Adelson Barbosa dos Santos participará na qualidade de debatedor dos temas apresentados. Damião Ramos Cavalcanti Data: 31/10/2017 (terça-feira) Hora: 17:00 Local: Auditório Celso Furtado da Academia Paraibana de Letras Rua Duque de Caxias, 25/37 — Centro CEP 58.010-820 — João Pessoa — Paraíba Confirmar Presença (83) 3221 8741 E-mail: academiadeletraspb@gmail.com

Pátria estuprada

O filme “A Fonte da Donzela”, de Ingmar Bergman, retrata, com algumas diferenças, o que acontece na nossa terra, nossa pátria: Os ladrões, demonstrando desvairado cinismo, mesmo agradados pela inocente bondade da mulher moça, sentem, contudo, vergonha na hora do estupro: escondem-se por trás das moitas e, a cada instante, esguelham desconfiados olhares para reparar se existiria alguém espiando. Consumado coletivamente o ato, matam a mulher, roubam-lhe as joias, as vestes, a branca túnica e até as velas que ela candidamente levava consigo como promessa à Virgem Maria. Mas, aqueles larápios sentiam estar agindo errado… Ao contrário, na nossa casa, repetitivamente pela mídia, os ladrões, escolhidos para honestamente nos representar ou nos dirigir, sem qualquer pudor, acham que não erraram: ostensivamente furtam ou roubam nosso erário; violam nossa honra diante das outras nações; abusam da pátria, como diz Rui Barbosa, nossa “família amplificada”; e com descarada concupiscência, estupram, violam, em todos os sentidos, a consciência do país; zombam da nossa inteligência com voz de inocência, rindo de todos nós; citam garantias de “disposições legais”, defendendo uns aos outros; e negam os fatos vistos e ouvidos, reafirmando, como se fosse uma mantra, que nada aconteceu. Chamam de bandidos seus delatores, justamente aqueles capangas a que eles, enquanto mandantes, “encomendaram” assaltos aos cofres públicos… Assim, e continuam livres e no poder; impunes sob o manto da “imunidade”, do “foro privilegiado” e do “segredo de justiça” que serve para justificar omissão, conivência e complacência da justiça. Por que complacência? Não! Chicotadas como as de Jesus nos vendilhões do templo; ou qualquer sinônimo de punição a esses corrutos, como a do pai da “virgem”, no filme sueco. Toda essa desejada punição poderá se materializar no nosso voto, sem retrato falado desses candidatos, expurgando as cínicas caras que se reapresentarão em eleições vindouras. É indecente continuarem confortavelmente pagos para ofender a pátria, já tanto por eles vilipendiada. Alguns deles não precisam mais pregar a tortura, já a sofremos, suportando-os… Damião Ramos Cavalcanti

Lançamento do livro Seis homenagens

O Conselho Diretor e os sócios efetivos da Academia Paraibana de Letras convidam V. Exa. e família para o lançamento do livro Seis homenagens, um agradecimento em memória dos escritores, artistas e jornalista, Antônio Cândido, Eduardo Portella, José Henrique, Antônio Carlos ‘Belchior’, Cristovam Tadeu e Ivonaldo Correia. Com textos dos acadêmicos: Hildeberto Barbosa Filho, José Mário da Silva Branco, Damião Ramos Cavalcanti, Abelardo de Araújo Jurema, Carlos Aranha e José Octávio de Arruda Mello. Ao final da sessão será realizado o descerramento da fotografia do Ex-Acadêmico Deusdedit de Vasconcelos Leitão. Damião Ramos Cavalcanti Data : 26 de outubro de 2017 Hora : 16:30 Local : Academia Paraibana de Letras Rua Duque de Caxias, 25/37 – Centro CEP 58.010 – 820 – João Pessoa – PB

Armadas e armados desarmados

Dizem “os tempos mudam”, mas estou convencido de que somos nós que mudamos no tempo; ele continua tal e qual como o das nossas lembranças. Lembro-me que, aos cinco anos, para dormir, meu pai fazia eu repetir palavra por palavra do Pai Nosso; depois do “amém”, pedia-lhe a bênção e ele solenemente respondia-me: “Deus te abençoe , meu filho”; o que revivo, com o neto Lucas , com dois anos de idade, pedindo essa graça quando encontra o avô. Logo após abençoar-me, meu pai me embrulhava no lençol, dos pés à cabeça. Confesso que não acreditava muito na proteção daquela benção: Tinha medo que o ladrão destelhasse o quarto, exatamente no pequeno buraco por onde passava a luz da Lua, e pulasse no chão. Naqueles tempos, ladrão só entrava nas casas por dois lugares: Ou pelo telhado, ou arrombando a porta da cozinha. Por isso, ainda hoje, Josimar escora as portas da APL com cadeiras e caçarolas, na esperança de que eventual malfeitor, ao tentar roubar nosso modesto patrimônio, acorde o mole e indefeso vigilante. Também, ao acordá-lo, daria no mesmo… Durante minha infância, os ladrões eram temidos e não usavam revólver; de quem roubar a arma, antes do crime? Nem existia, de brinquedo, a máuser, como a inventada pelos alemães, para simular ameaça. Também sucedia, como a rica tia de Zelma, Dona Mosa: Tinha um trinta-e-oito em cima do guarda-roupa e as balas, perdidas, talvez numa das panelas de barro, guardadas na despensa. Era armada desarmada… Melhor fazia seu Olimpio de Itabaiana: Armava-se com bombas chilenas, sobras das festas juninas, para espantar possíveis gatunos nas escuras madrugadas. Há o macho: “Armado desarmado” que defende a industrialização, o livre comércio e o uso de arma de fogo, enchendo a boca:”como nos Estados Unidos”; mas, lento e frouxo, na hora ‘h’, no momento de agir, “bate catulé” como bala de fabricação caseira; e termina com o cano do revólver do rápido e corajoso ladrão no ouvido, gritando: “Vai! Ou dá ou morre”… Damião Ramos Cavalcanti

Arma contra arma

O maior ataque a tiros da história dos Estados Unidos, que matou por matar tantas vidas, tem sido noticiário maior do que as costumeiras notícias das trágicas violências quotidianas, no nosso mundo. Ora, os violentos gostam de arma e de seu uso… As notícias se restringem ao como ocorreu: “Barbaridade”, “terrorismo”, muitas descrições et coetera. Mas, muito pouco ou nada falam sobre o porquê do acontecido com tantas armas. Não esquecem quem doou sangue ou orou pelas vítimas: O Papa, Obama, e centenas de autoridades, como as do atual Governo que já devem ter muito rezado pelos brasileiros que morrem, a cada três segundos, nas nossas casas, ruas, campos e favelas: Os que escapam foram ameaçados por arma de brinquedo; todas as armas serão de brinquedo e sem ameaças, quando não houver armas de fogo… Mas mister Trump, desejando que se produza e se venda maior quantidade de armas, proibiu analisar a causa do fenômeno, fale-se apenas do efeito, não do “controle”: “Não é hora para isso, o momento é de dor e para orar, cuidar das vítimas do tresloucado…” É, louco sem pedras não atira pedras. E ficam a perguntar: O que teria motivado o “pacato” Stephen Paddock a matar tanta gente sorrindo e cantando? A resposta está nas tragédias anteriores e que são muitas. O site Gun Violence registrou, neste ano, o total de “272 grandes tiroteios nos Estados Unidos”; no Brasil, ele teria se perdido na conta… O ditador norte-coreano Jong segue a diatribe: Quanto mais armas para se defender, melhor! Discordo do “si vis pacem, para bellum” (se queres a paz, prepara a guerra). Se desejamos paz, não tenhamos armas; sem arma não haverá agressor, tampouco quem se defenda. Enquanto isso, com ou sem revólver, somos passíveis de “balas perdidas”, porém certeiras… Damião Ramos Cavalcanti

No deserto, desejos, amor e sofrimento

Por falta de distribuição ao lado mais ocidental, pouco usufruímos da importante beleza que o cinema russo produz; houve bloqueio como se fosse consequência do macarthismo ou resultado da “guerra fria”: “Tudo que vem de lá é nocivo”… Enfim, temor que o cinema se tornasse canal de transmissão ideológica; ora, os filmes, na sua grande maioria, são roteiros também baseados em obras literárias e em temas dos tempos do czarismo… Contudo, ao passar do tempo, também tendo isso como desaparecido, o Cineclube homem de areia nos dá, como em todas as primeiras quartas do mês, nessa quarta-feira vindoura, às 19:30 horas, na Fundação Casa de José Américo, a oportunidade de ver o espetacular filme, de Grigori Chukhrai, O Quadragésimo Primeiro (1956), também conhecido como a “A Guerrilheira”. Outra obra do mesmo diretor e com as mesmas características é a excelente película A balada do soldado (1959). Em O Quadragésimo Primeiro, destaque-se o desempenho dos protagonistas nos papéis de Ansenti Yevsykov, de Vadim Nikolayevich Govokha e da radical Filatovna, severa em cumprir ditames ideológicos, mas apenas invejosa enquanto repara a cor dos belos olhos da moderada Govorkha. Esses personagens, numa heróica demonstração de obstinação, enfrentam o frio e a fome, aventurando-se num mundo desconhecido, simplesmente em prol dos seus ideais. Cenas das agruras de guerra marcam seus passos nas areias do Deserto de Karakum: o caminho; em direção ao Mar de Aral: o destino. Nessas circunstâncias, o silêncio muito lhes fala. Silencioso, como o mar, o deserto não só causa sede, mas também os concentra numa meditativa e contemplativa solidão, inspirando-lhes um mundo imaginário que se vislumbra além do interminável horizonte, sem fim, desértico, siberiano; quanto mais caminham, mais distante é a chegada; mira-se o horizonte, escondido apenas pelas cortinas de poeira estendidas pelo vento, ao soprar a fina areia. Seguindo admirável roteiro, a simplicidade rege a arte desse imperdível filme. Ver-se-á que Filatovna nada perde de vista, nem mesmo quando mira, com o fusil, seu quadragésimo inimigo… Damião Ramos Cavalcanti

Walter Correia Brito

Logo no limiar da vida, Walter Brito foi levado, por seus pais Arthur Correia de Brito e Maria Augusta de Lucena Brito, de Itabaiana, sua terra natal, à Campina Grande, cidade em que morou toda a vida, e lugar onde agora é sepultado definitivamente no alto da Serra da Borborema. Seu pai Arthur, desde sua infância, demonstrou-lhe ser um homem de ação: Fazia e consertava motores de energia, instalando rede elétrica pelo interior, antes da chegada da “luz de Paulo Afonso”, gerada pela queda das águas do rio São Francisco, águas que, hoje, chegam à Serra da Borborema graças à Transposição do São Francisco. Walter, como uma espécie de gratidão, costumava contar: “Meu pai iluminou muitas cidades por esse mundo afora”. Desde jovem, Walter carregava consigo corpo e alma de um incansável, dinâmico e alegre trabalhador. Juntou dinheiros, aplicando-os na compra de veículo ao transporte público; historicamente foi um dos principais pioneiros em transportar viajantes entre as cidades de Campina Grande, Itabaiana, Pilar e João Pessoa. Ainda hoje se destaca sua empresa Real. Quando eu morava em Pilar, eu o vi acomodando passageiros numa marinete bela e bege, circundada por longas peças de madeira. Destinava-se ao Café do Vento, onde apanhava passageiros para a Capital. Foi numa dessas viagens, ao esperar fregueses no Ponto de Cem Reis, quando conheceu Cleonice; e desse casal nasceram quatro filhos e quatro filhas. Já quando residia em Itabaiana, tinha-se como atração seus ônibus fazendo a linha Campina Grande – Recife – Campina Grande; empresa de transporte abençoada pelo desenho de um livro branco e nas suas duas únicas páginas uma admoestação ou um conselho: “Leia a Bíblia”. Considerava, como explicação do seu sucesso, ser Campina Grande a capital do empreendedorismo. Sua alegria era nos mostrar como Campina, tornava-se, a cada dia, ainda maior. Lembro-me do seu orgulho ao narrar que os primeiros carros franceses, chegados à Paraíba, foram para Campina, onde recebia os competentes cuidados de Zé Citröen. Foram 87 anos felizes fazendo que os outros também assim o fossem; registre-se que no seu velório havia inúmeros formados, alguns desses, pastores, que, quando estudantes, eram devedores das suas mensalidades escolares; então Walter Brito ia às suas escolas e indistintamente pagava essas dívidas. Do bom se extrai apenas o bom; por isso Walter falava uma expressão que lhe era peculiar: “É gente boa”. Sobre tais qualidades avaliava num piscar de olhos. Orgulhoso fiquei quando me distinguiu como sendo “gente muito boa”. Sua paixão por moto e carro fazia das várias marcas seu assunto predileto; ao ponto, de comparar gente de carne e osso com automóvel, daí seguiam as analogias: Se alguém lhe confidenciasse problemas de saúde, logo receitaria uma “revisão”; se um dos seus filhos ou netos estivesse a namorar quem não do seu agrado, logo se manifestaria: “Esse aí está a pé”. Morreu o bem sucedido empresário, piloto do seu avião e motorista dos nossos transportes, mas não o amigo Walter; ele continuará a viver, descendo e subindo entre as nuvens do céu para nos rever em Campina Grande, e de galáxia à galáxia, viajando na nossa memória. Damião Ramos Cavalcanti