Cineclube Verbo & Imagem
A Academia Paraibana de Letras convida Vossa Senhoria e Família para inauguração do seu Cineclube Verbo & Imagem que dedicará à exibição de filmes, cujos roteiros sejam baseados em obras literárias. A película a ser apresentada será Psicose, de Alfred Hitchcock, extraído do romance/ novela Psicose (1959), de Robert Block, publicado já na sua seta edição. O público presente contará, em debate, com os comentários dos acadêmicos e críticos Wills Leal, Hildeberto Barbosa e João Batista de Brito. Título : Psicose (Psvcho) Direção: Alfred Hitchock Ano: 1960 Gênero: Suspense Elenco: Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles, John Gavin, Martin Balsam Duração: 109 min País: Estados Unidos Roteiro: Joseph Stefano Música: Bernard Herrmann Classificação: 14 anos Data: 15 de dezembro de 2016 (Quinta-feira) Hora: 18:00 Sessão única – Entrada gratuita Local: Academia Paraibana de Letras Contatos: (83) 3221-8741
Um epitáfio para o nosso país
Há quem prepare um epitáfio para o nosso país, como se estivéssemos num perigoso e prolongado voo, com constantes assustadoras turbulências e muitas perspectivas de indesejado desfecho. A nave é grande, como a de Noé, cheia de remendos, porém não lhe falta combustível, além de muito petróleo , ainda existe o nosso imenso Pré-sal. Mas alguns dirigentes incompetentes, pilotos inábeis, desonestos, de má fé, assenhoreiam-se do leme; obsessivamente egoístas e enquanto poderes constitucionais de Montesquieu, em nome da harmonia, conluiam, cada um dos três já com seu pára-quedas; e ainda conseguem iludir os passageiros, prometendo-lhes promissora viagem. E por que suportá-los? São eleitos por promessas, artifícios, truques, ilusões e muito dinheiro. Os bons e sinceros não são omissos, mas impedidos de se candidatarem pela trama dos medíocres que, no próximo período eleitoral, mesmo considerados “fichas sujas” ou com visíveis indicadores de enriquecimento ilícito, com facilidade, reelegem-se e agem como se fossem escolhidos para “roba di famiglia” ou da “cosa nostra“. Por que aturá-los? Também não sei, noticiam-se explicações. Em recente circunstância, eles próprios, responsáveis de cumprir e fazer cumprir a Constituição, descaradamente, desrespeitaram a Lei Maior. O insuportável impõe um dilema: Melhorar as condições de voo ou sair do avião… Convicções de fé aconselham: Não nos desesperemos! Lembro-me de um amigo esperançoso, na UTI: “Eu saio dessa”… Se há esperanças que nos dão força, há energia e coragem para gritarmos motivações contra a fácil desistência. Embora existam egoístas que pregam indiferença à destruição do meio ambiente porque, quando isso acontecer, eles não estarão por aqui. Apregoam tal aberrante individualismo diante dos netos, dos bisnetos, de inocentes crianças, pessoas do futuro, educáveis a um mundo melhor, verdejante de esperança. A maior obrigação dos passageiros de uma mesma nave é preservar, nas alturas ou nos momentos de reabastecimento, o maior de todos os valores e de todos os direitos: A vida. Damião Ramos Cavalcanti
Vejo cédulas no ar
Muitas cédulas no ar, saindo da mala o dinheiro apurado do combustível; também bilhetes vendidos pela Lamia para uma viagem mais longa. O piloto, dono do avião, arrependido da avareza, abraçado com o co-piloto, num clamor de misericórdia, rogava: “Jesus!”; eles, à frente de todos, caíam primeiro, verticalmente, no avião sem gasolina, depois de cometer à Torre sua última trapaça: “Não! É apenas uma falha técnica”. Mesmo a pista mais plana também não receberia, sem estrondos e mortes, peso tão pesado das alturas além das nuvens. Passavam, com rapidez de cometa, as pernas dos jogadores mais velozes, mesmo fora do gramado, sem o apito inicial; corriam sem adversários, apenas submissos à velocidade do desastre. A bola rolava parada no colo de quem iria chutá-la. Houve silêncio,e depois começaram os enormes gritos, bem maiores do que os da torcida de Chapecó. Nunca se rezou tão alto. Inevitavelmente a aeronave caía, ora como um pássaro infartado, sem vida, ora em pirueta misturando os corpos: Goleiro no ataque, centroavante na defesa, técnico no meio da peleja, e o juiz entre os reservas. Enfim, não era o jogo ao qual se ia; mas, a partida à qual não se foi; e sem presença, mas sem WO, ganhou-se o título… Não houve sangue no ar, apenas camisas verdes lançadas a um gramado esparso. Os não escalados, os torcedores, os sem passaporte ou os que perderam o voo não sofreram o desastre. Mas, estavam no avião, como dizem os apaixonados: “Onde estiver meu time, estará meu coração”. Próximos e distantes ficaram em casa, aguardando pela TV jogadas imprevisíveis, lances de craque que, nunca vistos , garantiram-lhes a conquista do título de campeão. No velho inglês Avro RJ – 85, resta um sino esquecido pelo Vigário de Chapecó; na queda, ele, sozinho, repicou finados pelos mortos. Todos, mais rápidos do que o vento, saíram das nuvens e logo retornaram aos céus, onde a alegria da vitória é para sempre. Damião Ramos Cavalcanti
O Centro de Formação Elisa Mineiros
Certos políticos pensam que se depuram, quando afirmam, gritantes, aquilo que eles não são ou, com má fé, aquilo em que eles não acreditam. Quem já não ouviu deles “slogans” como “sem educação não há desenvolvimento”, e também “combate-se violência com educação” ou “a educação é a única solução aos nossos problemas”? E cosí “la nave va“, nas ondas desses aflitivos discursos e de poucas ações nesse sentido. Assim, a educação é realmente importante ou apenas objeto de palavras depurativas? A realidade contradiz a tão falada importância da educação. Contra tal marasmo, valho-me das exceções, do Governador Brizola que, ouvindo o educador Darcy Ribeiro, erigiu, nos portais das favelas cariocas, ricas escolas de tempo integral para crianças e adolescentes. Já por aqui, desde que foi Prefeito, o Governador Ricardo Coutinho repete tal façanha e, agora, em João Pessoa e em vários municípios, constrói lindas e equipadas escolas, motivando, nos alunos, desejo e prazer de frequentá-las. Escola prazerosa estimula vontade e prazer em aprender. Ainda, o ensino de excelência das escolas públicas e gratuitas eleva o nível das escolas particulares e pagas… Contudo, não somente isso assegura ensino de qualidade. Há dias, num belo e aconchegante auditório, o Governador Ricardo , ladeado pelo Secretário Aléssio Trindade, inaugurou o Centro de Formação Professora Elisa Bezerra Mineiros, homenageando essa saudosa amiga e companheira de luta nos campi universitários e sociais. Tal imensa e impressionante obra objetiva treinar e aperfeiçoar professoras e professores da rede pública de ensino. Empreendimentos como esse caracterizam o homem público que constrói espaços educativos não somente aos discentes, mas também aos docentes para se reciclarem na arte do ensino. Enfim, o bom rendimento escolar se obtém em confortáveis salas de aula, se houver ensino-aprendizagem, estudantes curiosos e interessados aos cuidados de professores e professoras competentes e de excelência. Damião Ramos Cavalcanti
Morrendo com as notícias
Desejando morrer como um pássaro, meu primo Aluizio Ramos fugiu da gaiola, largou o trânsito poluído da metrópole recifense e a vida de economista da Sudene, para plantar e colher na sua Fazenda Pássaro Carão , na Mata da Chica, um dos recantos verdes do Conde. Trabalhador, continuava dormir e acordar cedo, igual aos pássaros. Mal nascia o sol, partia para a labuta; roçava, todos os dias, as plantações de raízes e frutas nas suas terras, cantando versos, dos seus folhetos. Desejava morrer como um pássaro, sem aviso, sem dor, sem bater asas, apenas esmorecendo onde estivesse. Foi quase assim, se não fosse a angústia de tantas notícias ruins, selecionadas com esmero para serem as piores, impactantes, ganhadoras da primeira página. Dessas como a do assassino que friamente matou o pai, a mãe, os filhos, a criança, cortando-os em pedaços, envelopando-os em saco plástico como se fosse diabólica mensagem a ser postada a um mundo já tão ofendido e sofrido. Há anos, já tinha abolido televisor da sua casa: “Só noticia desgraças, coisas que atrapalham o sono…” Mas , a mulher Sandra lia jornais, e ele, leitor amante, não evitava o jornal do dia, deixado na rede do ventilado terraço da fazenda. Num desses domingos, às cinco da manhã, amanheceu entre as aves que estava alimentando com o milho que plantara. Sereno, mas roxo, o sangue não desceu da cabeça ao coração, não morreu como desejava. Os pássaros preservam, das penas à pele, as variadas cores do vivo colorido. Certo dia, perguntou-me, se o mundo seria assim ruim e desastroso como os jornais o dizem; os jornalistas falsificariam a sociedade para chamar atenção e vender facilmente seus escritos? Triste, fiquei calado; com ou sem exageros, o mundo tem sido assim… Não precisa catar más notícias, isso há em abundância. Muitas já não espantam mais, tornaram-se triviais, comuns; sua desenfreada repetição dá à anormalidade “persona” da normalidade. Damião Ramos Cavalcanti
Homenagem a Euclydes da Cunha
Será realizada uma Homenagem a Euclydes da Cunha (1866-1909), em comemoração aos 150 anos de nascimento do grande autor de “Os Sertões” – uma Sessão Conjunta da Academia Paraibana de Letras com a Reitoria do IFPB -, em que haverá a exibição do documentário “Euclydes: o peregrino das palavras”, de 100 minutos, produzido pela TV IFPB, no dia 24 de novembro (quinta-feira), a partir das 16:00 h, no Auditório José Marques (Auditório I) do IFPB – Campus João Pessoa, na Avenida Primeiro de Maio, 720, Jaguaribe. A solenidade está inserida na programação da XI Semana de Ciência e Tecnologia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba. O documentário de longa-metragem “Euclydes: o peregrino das palavras” é um trabalho de reflexão sobre o processo de escrita inovador e o estilo singular do escritor Euclydes da Cunha, a partir, principalmente, da análise do monumento literário “Os Sertões”, publicado em 1902. O trabalho também aborda o processo criativo de um artista da linguagem, desde suas influências mais remotas, passando por um caos criativo, até chegar à concretização de uma obra. Conta com depoimentos de Ariano Suassuna, Braulio Tavares, Carlos Newton Júnior, Hildeberto Barbosa Filho, Manuel Dantas Suassuna, entre outros. Ficha técnica Título: “Euclydes: o peregrino das palavras” Argumento: Claudio Brito, Manuel Dantas Suassuna Roteiro e Direção: Claudio Brito Direção de Fotografia e Câmera: João Carlos Beltrão Produção: Claudio Brito, João Carlos Beltrão Edição: Thiago Andrade Duração: 100 minutos
Trump: Ser ou não ser político
Recentemente, escutei de um taxista, em São Paulo, que a vitória do seu candidato à Prefeitura teria três motivos: Prometeu aumentar, de 70km a 90km, o limite de velocidade num certo trecho a caminho do Aeroporto; depois, que “ele era rico”, agora o pior: Dizia-se não político, “diferente dos outros”. Desconfio de quem esconde que é político e político deseja ser. Até nós, sem sermos candidatos, somos políticos enquanto cidadãos da “polis”. Rechaço quem, pretendendo ser “político”, nega-nos seu conceito, sua pretensão. A sã política do julgar, do legislar e do administrar, segundo históricas filosofias, é necessária à vida da “polis”. Cometer-se-ia também má conceituação aos cidadãos que conseguiram e conseguem exercer tais funções sociais com justiça, boas leis e obras a serviço do bem comum. Torna-se moda os desonestos difamarem os honestos… Vem Trump, verbalizando assombrosas propostas, o que não fez o paulista, e insiste que é rico, “segregador das minorias” e que tornará os fortes mais fortes; e que, sendo “político”, não será político. Aliás, não precisa ser rico para ser governante, geralmente, esse esquece os que não são ricos, propiciando a bilionários maiores concentrações de desnecessária riqueza… Quem se torna mais forte do que os outros sem tornar os outros menos fortes? Buscando “esperança e não medo”, a maioria votou contra tais propósitos; mas “os delegados” alçaram tal candidato ao posto do 45º Presidente dos Estados Unidos, para ele discernir a paz e a guerra. O Amor o ilumine porque as palavras de Trump, depois da vitória, ainda não apagaram as ideias verbalizadas que ele demonstrou ter em mente. Afinal, a História admoesta que estimular o povo ao ódio contra as “minorias” é prática nazista, o que aconteceu contra judeus e comunistas, na Alemanha da II Guerra… Alerto que o tom conciliador de Trump, depois da vitória, não significa a desistência dos seus projetos. Evitar maus “políticos” não é substituí-los por quem apregoa extinguir da “polis” a arte de conduzi-la e os que honesta e sinceramente são políticos. Damião Ramos Cavalcanti
O cavalo ao seu dono
Há dezenas de anos, cavalo roubado dava muito o que falar; ferrado ou não ferrado, descobria-se logo seu paradeiro. O bicho que desaparecesse se sabia nas outras cidades por perto. De repente, achava-se por onde andavam o ladrão e o animal. Furtado ou roubado, pouco importavam as diferenças legais entre furtar ou roubar. A sabedoria popular reduziu tudo ao roubo: Furtar é um ato de violência. Quem, às caladas da noite, furta cavalo, levando-o pra longe do seu pasto, escondendo-o, mesmo sem agredir o silêncio da madrugada, sem incomodar o vaqueiro, está roubando. Dizia-se que nome comprido era indício de “ladrão de cavalo”; descoberto, ele era obrigado a devolver o animal ao dono, sem faltar um só fio de cabelo, da crina ao rabo. Ainda, a ser preso e punido por ter mexido no alheio, mesmo depois de entregar o cavalo ao verdadeiro dono. A quem furta ou rouba o erário público não acontece o mesmo. Acha o corrupto que é incomparável ao “ladrão de galinha”, bode ou cavalo. De terno e gravata, faz às escondidas porque que está errando; nada deixa escrito; carrega cédulas em saco de papel de embrulho, desde que ninguém perceba o que o pacote contém; escondendo o dinheiro com esmero, mais do que o ladrão, o bicho roubado; leva para fora do país ou aplica através de falsos donos ou em campanhas políticas; justifica sua riqueza com exagerado cinismo. E depois de descoberto, pelas denúncias e rastros deixados nos computadores, inventa-se uma história de “legalizar” o ilícito, “repatriando-se” fortunas escondidas nos bancos suíços, do além mar. Ora, repatria-se exilado, constrangido a deixar a pátria. Em corrução não há pátria, tampouco sentimento patriótico em quem surrupiou milhões e milhões do povo, escapando dos impostos. Não se legaliza o fora da Lei. Devolvam-se os recursos surripiados; como o ladrão de cavalo, ao seu dono: À Petrobrás o que é da Petrobrás! Damião Ramos Cavalcanti
A FCJA exibe Chaplin
A História do Cinema enquadra e situa o genial Charles Chaplin num definido tempo da sua atuação enquanto produtor, diretor e ator; não o projeta para trás, é claro, mas a dimensão desse homem não cabe apenas no pequeno espaço da sua época, estende-se, projeta-se ao longo da vida cinematográfica, porque imortalmente ele sempre continuará atuando. O Cine Clube O Homem de Areia , da Fundação Casa de José Américo, na 1ª quarta-feira do mês, às 19:30 h, exibirá Charles Chaplin em “Tempos Modernos”, filme em que, como em todos os outros, esse genial artista sente e expressa a alma do povo: Problemas existenciais, injustiças, mentiras, verdades, singeleza, amor , carinhos e , sobretudo alegria; tudo isso extraído do sentimento da plateia que, extasiada, ri diante do humor com muita arte. Nos filmes, Charles se identifica com Carlitos, mas, sua genialidade é maior do que a do ator Carlitos; distinga-se nele o pensador, o humanista que arranca risos e admiração das multidões, enquanto sobreviverem os capazes de chorar e de sorrir. Com instrumentos, hoje obsoletos e até museológicos, ele rodou Tempos Modernos (1936), película que é de permanente atualidade; de inteligentes críticas à realidade social do trabalho que, desde a Revolução Industrial, visa, com obsessão, à produção em série, o que também é criticado em La classe operaia va in paradiso (1971), de Elio Petri, com Gian Maria Volonté: A produção em série, ignorando sua finalidade social, visa o lucro e o consumismo perdulário dessa produção. Veja-se, em cena, o esmagamento do trabalhador nas gigantes engrenagens de ferro… É um enredo que, mudo, fala também sobre a cultura do preconceito político-ideológico, atualmente em vigência. Admire-se em “Tempos Modernos” o lirismo da arte; não é uma tese de resistência ao tempo, mas à mecanização da sociedade e ao domínio do homem pela máquina. Damião Ramos Cavalcanti
Homenagem ao Juiz Humberto Cavalcanti Mello
O Tribunal de Justiça da Paraíba prestou homenagem ao Juiz aposentado e acadêmico Humberto Cavalcanti Mello com a ortoga da Medalha e Diploma de Mérito Judiciário, no dia 20 de outubro de 2016. Da esquerda para direita o Desembargador e Vice- Presidente do TJ/PB José Ricardo Porto, ao centro, Humberto Cavalcanti Mello (homenageado), Des. Marcos Cavalcanti de Albuquerque e o Des. José Aurélio da Cruz.